Edição #13 - quadro.news
Hoje em Quadro
A primeira edição da semana chega excepcionalmente nesta quarta-feira. E tem bastante coisa no cardápio:
A Roku muda a tela inicial e ganha uma nova arma na disputa pelo streaming
You Can See Everything surpreende nas bilheterias dos EUA, enquanto o BTS rouba a cena no Brasil
Os números da Apple, uma empresa cada vez mais adoçada pelo entretenimento
As estreias da semana nos cinemas, streaming e games – e tem Zelda chegando!
A “falsa guerra fria” entre YouTube e Netflix, recomendações com IA, a briga pelas bets, bilhões em publicidade eleitoral e muito mais.
Em meio a fatos desconectados, algoritmos e slop de IA inundando os feeds, acompanhar o que realmente importa nos negócios do entretenimento ficou mais difícil. Quadro faz essa curadoria por você: duas newsletters por semana, com análise e contexto, direto na sua caixa de entrada. Assine e não perca as próximas edições.
One hit wonders
O setor de games já cortou mais empregos em 2026 do que em todo o ano passado. A ASGC Games Industry Layoffs Tracker aponta 10.977 demissões confirmadas até 20 de outubro, acima das 9.197 contabilizadas em todo 2025.
Nos EUA, Cinemark e Regal recusam exibir As Novas Desventuras de Cliff Booth em suas salas IMAX. Dirigido por David Fincher e estrelado por Brad Pitt, o filme terá duas semanas nos cinemas a partir de 25/11, antes de chegar à Netflix em 23/12. Para Sean Gamble, CEO da Cinemark, o modelo não é construtivo para o setor. Com espaço disputado nas salas premium, as redes preferem priorizar produções com janelas de exclusividade maiores.
Roku aposta em nova interface para ampliar engajamento e receitas
Quem ligar seu dispositivo Roku a partir de hoje terá uma novidade. Nesta quarta, 4, a empresa de tecnologia está lançando sua nova interface no Brasil. A chegada aos sticks e TVs com o sistema operacional da companhia será gradual e deverá levar cerca de uma semana para alcançar todos os usuários no país – inclusive os de aparelhos mais antigos.
E essa é a face visível de uma das disputas mais importantes da segunda guerra do streaming, como venho chamando: a batalha para ser a sua porta de entrada.
Antes, o que muda. Agora, a tela inicial do Roku OS deixa de colocar os aplicativos no centro da experiência e passa a privilegiar os conteúdos – incluindo filmes, séries, canais FAST e transmissões esportivas ao vivo.
A transição é importante para a Roku, que já vinha modificando sua tela inicial gradualmente desde 2020, quando chegou ao Brasil. Agora, a transformação é mais profunda. O menu lateral fica recolhido por padrão, dando mais espaço aos conteúdos e deixando o banner de propaganda ainda mais evidente, à direita. A área "O que assistir", por exemplo, passa a se chamar "Para você" e se torna um dos blocos da home. Outras duas seções são "Acesso rápido", com os últimos conteúdos acessados, e "Recomendações personalizadas". Os títulos também passam a ser organizados por gênero, como comédia e ação. Os atalhos e aplicativos continuam na mesma tela.
A personalização utiliza algoritmos e machine learning, além de uma equipe responsável pelos sistemas de recomendação, segundo a empresa. Funções já existentes, como a possibilidade de checar em qual plataforma uma produção ou transmissão esportiva está disponível (e de assinar diretamente, se for o caso), continuam.
“Ouvimos muito [no Brasil] que a Roku é simples. E isso muitas vezes acabou indo contra a percepção de valor do consumidor, embora entreguemos muita coisa. Somos simples de propósito”, explica André Romanon, diretor-geral da Roku no país, em entrevista a Quadro. “Acredito que essa mudança vai passar, logo na tela inicial, a percepção de uma plataforma que entrega mais. Isso também pode ajudar na decisão de compra de quem está pesquisando uma televisão."
A renovação é relevante porque a Roku ocupa o papel de tela inicial da TV – assim como seus concorrentes, incluindo Apple TV, Amazon Fire Stick, Google TV e sistemas operacionais de TVs da Samsung e LG. Isso em um momento no qual há diversas plataformas concorrendo pela atenção do espectador, e com os filmes, séries e esportes ao vivo pulverizados entre inúmeros serviços.
"Esse é um problema bom. O streaming democratizou o conteúdo”, contextualiza Romanon. “Nosso trabalho também é muito importante: facilitar o acesso e personalizar a oferta de conteúdo de acordo com o que o consumidor busca.”
Por isso, um dos objetivos da novidade é diminuir o tempo em que o usuário fica procurando algo para assistir. "Uma das coisas que vamos mensurar é o watchtime", revela Ricardo Dominguez, gerente sênior de Produto. “As pessoas estão assistindo mais? Estão encontrando o conteúdo mais rapidamente? Estão passando menos tempo zapeando de um lado para outro e experimentando conteúdos novos? É isso que nos interessa: que o consumidor passe mais tempo assistindo do que procurando conteúdo."
A companhia informa que já vem realizando testes da nova tela inicial com um grupo de usuários brasileiros, e que o índice de satisfação subiu de aproximadamente 68% a 70% na antiga interface para 91% com a nova.

Ricardo Dominguez, gerente sênior de Produto da Roku, apresenta a nova interface durante encontro com a imprensa. Além dos dispositivos próprios, o Roku OS está presente nas TVs de Philco, AOC, Britânia, Multi, Semp e TCL (Foto: Renan Martins Frade/Quadro)
A novidade marca a entrada da Roku no que os executivos chamam de “fase 3” da operação brasileira. A primeira foi para a construção de base, ampliando a presença em dispositivos e televisores para alcançar um número relevante de consumidores. A segunda foi sobre engajamento, atraindo parceiros e desenvolvendo serviços como recomendação de conteúdo, esportes e canais FAST, aumentando o uso da plataforma. Agora, o novo estágio tem como foco a monetização, ampliando as receitas de publicidade, assinaturas, distribuição e parcerias comerciais.
“Até aqui, nós investimos muito com o objetivo de começar a colher a partir de agora”, explica André Romanon. “Estamos iniciando essa terceira fase. A TV conectada ainda tem muito espaço para se desenvolver no Brasil, e sabemos que esse será um trabalho de longo prazo."
Mas, como a descoberta se transforma em dinheiro? “Os canais FAST são um caminho, com as negociações comerciais dentro desses conteúdos. Hoje, já temos uma receita pequena de revenue share nas conversões realizadas pelo Roku Pay”, explica o diretor-geral. “Também temos receita dos produtores de conteúdo que utilizam espaços de destaque na plataforma para dar mais visibilidade às suas produções. São várias verticais que já funcionam de forma eficiente no mercado americano e que vamos buscar trazer para cá."
Outro exemplo citado pelo executivo é o da propaganda contextual, na qual marcas não entram com publicidade tradicional, mas em outros formatos. "Uma coisa que fazemos muito no mercado americano é criar áreas temáticas dentro da oferta de conteúdo. Vou dar um exemplo: uma empresa que fabrica air fryers pode patrocinar uma área relacionada à cozinha. É uma maneira de desenvolver a marca porque o consumidor tem afinidade com aquele conteúdo e percebe que a marca está entregando algo de valor. Você pode comprar um comercial de 30 segundos no intervalo de um canal FAST, mas também pode trabalhar projetos especiais, criando áreas de experiência dentro da plataforma patrocinadas por uma marca ou produto. É uma forma de fazer publicidade sem ser tão intrusivo."
Contudo, Romanon afirma que interesses comerciais não vão comprometer a experiência do espectador, e que a plataforma manterá a sua neutralidade. "O consumidor é rei. Nós não vamos colocar artificialmente um conteúdo em destaque ou privilegiar uma oportunidade de receita se aquilo não for a melhor escolha para o consumidor. No final, isso é uma receita para você falhar no futuro”, diz o executivo. “Lógico, nosso negócio precisa ser monetizado, nossos salários precisam ser pagos. Existem várias formas de fazer isso. Você tem um jogo em que talvez colha frutos no curto prazo, mas que te impacta no longo prazo. Ou tem um jogo em que trabalha pensando no longo prazo e colhe esses frutos. A Roku é uma empresa que busca o segundo caminho.”
Seguindo o exemplo do que está sendo feito nos EUA, um próximo passo para a operação brasileira seria justamente a venda de assinaturas integradas, os chamados bundles. Nos Estados Unidos, desde setembro é possível combinar planos de HBO Max, Starz, Hallmark+, entre outros. No México, também há opções com Filmelier+ e Adrenalina Pura+, assim como Looke e Booh! – que são, notadamente, serviços de duas empresas brasileiras: Sofá Digital e Encripta, respectivamente.
"Não temos nenhum plano definido, mas muito provavelmente vamos buscar reproduzir o que já fazemos em outros mercados, quando fizer sentido para nós e o mercado estiver mais maduro”, despista André Romanon.
O balanço da Roku também adiciona alguns detalhes à novidade. O relatório financeiro, relativo ao terceiro trimestre deste ano, foi positivo: US$ 1,5 bilhão de receita total, um crescimento de 24% em um ano. Nas receitas de plataforma, houve um incremento de 23%, alcançando US$ 1,31 bilhão. A receita publicitária cresceu 23%, para US$ 727 milhões. O lucro líquido foi de US$ 183 milhões, ante US$ 24,8 milhões no mesmo trimestre de 2025.
Porém, o destaque que importa aqui é outro: o consumo de streaming na plataforma cresceu 9% em um ano, alcançando 39,9 bilhões de horas.
Nos Estados Unidos, a nova interface foi integralmente distribuída em julho, e a empresa já começa a observar os primeiros resultados da mudança. Inclusive, a companhia afirma no novo relatório financeiro que já começou a observar uma redução nos cancelamentos das assinaturas diretamente pela plataforma, associada à melhoria das recomendações. No entanto, não foram dados mais detalhes sobre essa queda.
No esporte, os resultados internacionais também apontam oportunidades para o Brasil. O balanço desta semana revela que mais de um milhão de assinaturas foram geradas pela experiência esportiva da Roku – que indica onde as partidas estão disponíveis – durante a Copa do Mundo de futebol deste ano, em sete mercados, envolvendo serviços como Peacock, Paramount+, FOX One e ViX.
Só nisso, fica claro o porquê de a companhia estar em processo de compra pela Fox Corp. – dona do FOX One –, em uma transação avaliada em US$ 22 bilhões e ainda pendente da liberação antitruste.
O maior problema desse modelo de negócio é a dependência de terceiros. Embora produza e licencie conteúdo em outros mercados, no Brasil a Roku não opera um serviço próprio de filmes e séries: “apenas” abre a porta do streaming e organiza o que assistir. E, quando os consumidores passam muito tempo dentro de aplicativos nos quais a companhia não consegue comercializar publicidade ou aproveitar informações sobre a audiência, suas oportunidades de monetização ficam limitadas.
Não à toa, o relatório financeiro mais recente revela que as três maiores plataformas de vídeo de terceiros responderam por mais da metade das horas assistidas dentro da Roku durante o terceiro trimestre. A empresa não identificou quais são esses apps.
Além disso, o usuário pode simplesmente pular todas as recomendações da Roku e abrir o seu app favorito diretamente. Inclusive, alguns deles já fazem o papel de agregadores – notadamente Apple TV e Prime Video. A Netflix também estaria de olho nesse mesmo mercado.
Mas é aqui que o ciclo se fecha. Ao fornecer uma experiência melhor, mudando o eixo de destaque de aplicativos para conteúdo, a Roku – que recentemente comemorou a marca de 100 milhões de contas ativas em todo o mundo – reforça que não quer ser simplesmente uma porta aberta para qualquer um passar. Ela quer ser quem te indica o melhor caminho.
Aspas no Quadro
"Nós competimos com tubarões. São empresas com uma capacidade de investimento muito maior que a Roku e, ainda assim, ganhamos essa disputa. Por quê? Porque olhamos para o consumidor, para a experiência e para o produto."
Outros destaques em Quadro
😳 Caras e bocas. E o fenômeno de You Can See Everything continua a todo vapor. Em cartaz desde 16 de outubro, o documentário sobre Elizabeth Holmes – aquela do escândalo da Theranos, já retratada na série The Dropout – liderou as bilheterias dos EUA e do Canadá no último fim de semana, arrecadando mais de US$ 11,4 milhões. É a primeira vez desde Fahrenheit 9/11, em 2004, que um documentário não musical chegou ao topo do ranking. Até agora, o longa-metragem faturou US$ 64 milhões. O segundo lugar ficou com Cara-de-Barro, com US$ 11 milhões para o terror da DC Studios baseado no vilão do Batman. A única “estreia” relevante do período foi BTS World Tour 'Arirang' in São Paulo: Live Viewing, justamente o show do grupo sul-coreano no Brasil, transmitido ao vivo nos cinemas e com direito a uma sessão de “reprise”. A produção arrecadou US$ 2,8 milhões, garantindo o sexto posto no ranking. Os dados são do Box Office Mojo.
A boa notícia vem do resultado do mês: outubro alcançou US$ 593,1 milhões nos EUA e Canadá, 38,2% acima do mesmo período do ano passado.
Em todo o mundo, o vencedor do fim de semana foi mesmo Cara-de-Barro, com US$ 22,8 milhões. A bilheteria total já passou dos US$ 83 milhões, o que é interessante para uma produção que custou entre US$ 30 milhões e US$ 44 milhões, de acordo com estimativas de mercado. O Bosque Selvagem ficou em segundo lugar, com cerca de US$ 12 milhões. Já Resident Evil, com os US$ 10 milhões que faturou nos últimos dias, ultrapassou a marca de US$ 400 milhões – e já é a 12ª maior bilheteria do ano. Nada mal para um filme que teve orçamento de US$ 75 milhões.

You Can See Everything começou a ser filmado pouco antes de Elizabeth Holmes ir para a prisão. Dirigido por Nathan Fielder e Lance Oppenheim, o documentário mistura realidade e encenação, questionando os limites do gênero (Foto: Divulgação/A24)
💜 ARMY a postos. Já no Brasil, no fim de semana prolongado pelo feriado de Finados, na segunda, 2, os cinemas venderam 1,56 milhão de ingressos e arrecadaram R$ 36,22 milhões. O principal responsável pela recuperação foi BTS World Tour ‘Arirang’ in São Paulo: Live Viewing, que atraiu 243 mil espectadores e faturou R$ 9,9 milhões. O Bosque Selvagem (R$ 4,5 milhões) e Cara-de-Barro (R$ 4,3 milhões) fecharam o top 3. Os títulos brasileiros tiveram peso relevante: Minha Melhor Amiga, As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você e 100 Dias somaram aproximadamente 307 mil espectadores, quase 20% de todo o público do período. Os dados são da Rentrak.
No geral, o feriado ajudou a tirar o mercado do pior público do ano, mas o principal impulso veio mesmo de um evento de apenas dois dias, responsável sozinho por mais de 27% da renda total. Sem o BTS, as demais atrações teriam somado cerca de R$ 26,3 milhões nos cinco dias.
Ah, e uma boa notícia para exibidores nacionais: You Can See Everything chegará ao Brasil em 26 de novembro, com o título de Tudo Pode Ser Visto. A distribuição é da Sony.
🍎 A mordida da maçã. Segundo o balanço divulgado na segunda-feira, 2, a Apple faturou US$ 114,48 bilhões no último trimestre, alta de 12% em um ano. O lucro líquido chegou a US$ 30,71 bilhões, ante US$ 27,47 bilhões no mesmo período de 2025. O iPhone continua sendo a maior fonte de receita, com US$ 57,58 bilhões (+17%). O Mac cresceu 24%, para US$ 10,79 bilhões, enquanto o iPad caiu 10%, para US$ 6,23 bilhões. Já o segmento de vestíveis, casa e acessórios recuou 8%, para US$ 8,30 bilhões.
Mas o assunto aqui é entretenimento, né? Infelizmente, a Apple não divulga dados específicos do seu streaming. Sabemos apenas que a divisão de Serviços, da qual o Apple TV faz parte, avançou 10%, para o recorde de US$ 31,57 bilhões. É a segunda maior fonte de receita da casa, atrás apenas do iPhone. A empresa também registrou suas maiores receitas históricas em vídeo e publicidade, enquanto a música teve seu melhor resultado para o período de julho a setembro. Informou ainda uma base instalada superior a 2,5 bilhões de dispositivos ativos e mais de 1,5 bilhão de assinaturas pagas – mas esse número inclui serviços próprios e aplicativos de terceiros pela App Store. A companhia não abre receita, audiência, número de usuários, custos de conteúdo ou rentabilidade de nenhum desses serviços individualmente.
Na prática, o streaming – inclusive com investimentos pesados em séries caras e bem recebidas pela crítica – também ajuda a manter tudo isso “colado”. Os dispositivos da marca funcionam como porta de entrada no ecossistema, enquanto a receita recorrente vem dos serviços e de parte dos gastos realizados dentro dele. Apple Music e Apple TV estão lá não só para dar um motivo para o usuário cadastrar seu cartão de crédito, mas também como uma colher de açúcar para adoçar serviços como o iCloud+ na compra em pacote – ajudando, assim, a diminuir o churn.
Estreias da semana
Streaming e TV. Na segunda-feira, 2, a Netflix adicionou ao seu catálogo Minha Melhor Amiga, filme de Susana Garcia com Ingrid Guimarães e Mônica Martelli. A comédia chega à plataforma apenas 60 dias depois de estrear nos cinemas, onde já acumulou mais de 6 milhões de espectadores e R$ 108 milhões em bilheteria. Hoje, 4, a Apple TV lança a segunda temporada de Stick, com Owen Wilson, enquanto o Disney+ estreia a segunda temporada de Tudo É Justo, série com Kim Kardashian que agora conta com Cauã Reymond no elenco. Na quinta, 5, a Netflix traz de volta o suspense de espionagem Black Doves, com Keira Knightley e Ben Whishaw. Já na sexta, 6, o Prime Video lança Campus Drivers, adaptação francesa dos romances de C.S. Quill. Fechando a semana, HBO e HBO Max estreiam no domingo, 8, a segunda temporada da produção brasileira Cidade de Deus: A Luta Não Para, que traz o retorno de Matheus Nachtergaele como Cenoura.
Cinemas. Nesta quarta-feira, 4, o filme-concerto Rammstein: Live in Mexico City ganha sessões especiais no Brasil. Na quinta, 5, chegam às telonas O Gatola da Cartola, nova animação da Warner baseada na obra de Dr. Seuss, também em IMAX, e Godzilla Minus Zero, sequência de Godzilla Minus One, que teve sessões antecipadas no formato desde ontem, 3. Outra estreia internacional é Klara e o Sol, adaptação do romance de Kazuo Ishiguro dirigida por Taika Waititi, com Jenna Ortega e Amy Adams. Entre os nacionais, o destaque é Os Farofeiros 3, além de Feito Pipa, de Allan Deberton, escolhido para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar 2027. Também entram em cartaz Assalto à Brasileira, de José Eduardo Belmonte, inspirado no assalto ao Banestado em Londrina, em 1987, e Vicentina Pede Desculpas, novo filme de Gabriel Martins, de Marte Um, que terá uma passagem por cinemas selecionados antes de chegar à Netflix no dia 20.
Games. A semana começou na terça, 3, com Godzilla: Destroy All Monsters Melee Remastered, versão atualizada do jogo de luta entre monstros, para PC, PS5, Xbox Series X|S, Switch e Switch 2. Hoje, 4, a Blizzard lança World of Warcraft: Forever, nova experiência ambientada em uma Azeroth reinventada, com acesso incluído na assinatura de World of Warcraft. Mas o grande destaque é amanhã, 5, quando a Nintendo lança o aguardadíssimo remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time, exclusivo para Switch 2, com gráficos reconstruídos e mecânicas modernizadas – parte das comemorações dos 40 anos da franquia. No mesmo dia, o console também recebe Stellar Blade Complete Edition, que reúne o jogo de ação da sul-coreana Shift Up e seus conteúdos adicionais.
Tão falando por aí...
Disney prepara milhares de demissões e mira economia de 20% em algumas áreas. De acordo com a Bloomberg, alguns gestores receberam metas de redução das despesas anuais, tanto com cortes de pessoal quanto com outras medidas. Redes de TV, estúdios e parques devem ser afetados em diferentes proporções, mas ainda não há número definitivo de demissões nem cronograma divulgado. Parte da economia seria reinvestida em cinema e televisão, tecnologia, parques e cruzeiros. A companhia também mantém a previsão de crescimento de dois dígitos no lucro ajustado por ação neste ano fiscal. A Disney, que tinha cerca de 231 mil funcionários no fim de 2025, não comentou o assunto.
Existe uma “falsa guerra fria” entre YouTube e Netflix. É essa a provocação de Julia Alexander no Puck. A analista parte dos dados da Nielsen de agosto: o YouTube respondeu por 15,8% do tempo de audiência na TV dos EUA, contra 7,7% da Netflix, uma distância que vem aumentando desde o ano passado. Mas Julia traz outra perspectiva: a métrica dá o mesmo peso aos minutos consumidos em música, tutoriais, podcasts e séries premium. A ameaça para a Netflix estaria nas bordas, entre assinantes que pouco abrem o aplicativo e formatos de consumo passivo ao longo do dia. Essa disputa ajuda a entender a recente aposta da empresa em podcasts em vídeo, creators e programação mais barata e frequente.
Dentro da mesma disputa, a Netflix anunciou o AI Discover, que começa a ser testado com um pequeno grupo de usuários nos EUA, em TVs compatíveis. A nova área reúne recomendações por temas gerados com ajuda de IA, como humor, interesses e tempo disponível. Também inclui o recurso “Tune Your Recommendations”, que permite manter ou descartar sugestões, enquanto o sistema aprende com as escolhas do usuário. Não se trata de uma busca aberta por chatbot: a inteligência artificial trabalha dentro do catálogo da Netflix, ajustando as sugestões conforme as preferências informadas. Confira aqui como funciona. A novidade é importante porque melhorar a descoberta pode reduzir o desperdício de catálogo, prolongar a vida comercial dos títulos e diminuir a dependência de campanhas externas. É, de certa forma, uma resposta do time de Produto ao “dilema de Tostines” da Netflix que esta newsletter apontou na semana passada.
Falando nisso, a Netflix reforçou sua área de tecnologia publicitária. Darshan Kantak, ex-Google Cloud, chega como vice-presidente da plataforma de anúncios. Ele será responsável pelas equipes de produto, engenharia e dados, além das ferramentas oferecidas aos parceiros da Netflix Ads Suite. (via TheWrap)
Uns chegam, outros saem: a Netflix cortou entre 2% e 3% dos funcionários de seu escritório de Londres, que emprega algumas centenas de pessoas, segundo a Variety. Entre as saídas está Anna Mallett, vice-presidente de produção para o Reino Unido e a região EMEA. Equipes de relações públicas e marketing também teriam sido atingidas.
Publicidade eleitoral aperta a disputa por inventário do futebol americano e da CTV nos EUA. Dados da iSpot publicados pela Bloomberg mostram que esportes receberam 71% do investimento político nacional em TV tradicional em outubro, contra 56% em 2024 e 30% em 2022. O gasto eleitoral total alcançou US$ 11,87 bilhões. Já a AdWeek, com dados da AdImpact, aponta que a CTV ultrapassou a TV paga, recebendo US$ 2,61 bilhões, mais que o dobro de 2022, enquanto o cabo ficou em US$ 1,27 bilhão. O movimento também ajuda a contextualizar os bons resultados publicitários de grupos de mídia nos balanços recentes.
Um desses fortes resultados financeiros é justamente o da Fox. O conglomerado encerrou o trimestre com receita de US$ 4,57 bilhões, alta de 22%, lucro líquido de US$ 957 milhões e EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de US$ 1,64 bilhão, crescimento de 54% em um ano. A receita publicitária avançou 47%, impulsionada pela Copa do Mundo, pela publicidade política e pelo crescimento do Tubi. O serviço de streaming, por sua vez, faturou 35% a mais, enquanto o tempo assistido cresceu 23%.
O STF realizou ontem, 3, uma audiência pública sobre as bets no Brasil. Na abertura, o ministro Luiz Fux foi especialmente duro com as apostas online, mas destacou a necessidade de considerar a segurança jurídica. Representantes de clubes de futebol pediram a volta das casas de apostas, alegando que a perda de patrocínios já afeta suas receitas. O governo federal, por sua vez, defendeu a validade da Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu a atividade no país, apontando o aumento do endividamento das famílias e dos casos de ludopatia, o vício em jogos de azar. (via Ge)
Enquanto isso, o TRF3 restabeleceu provisoriamente três bets da CDA Gaming. A desembargadora Adriana Pileggi suspendeu os efeitos da MP especificamente para a empresa, autorizando o funcionamento das marcas Casa de Apostas, Betsul e Jogo Online. A decisão também determinou a reativação dos domínios e dos serviços financeiros, operacionais e de pagamento necessários à operação. Vale até o julgamento do mandado de segurança ou uma nova decisão judicial. A União pode recorrer. O caso deve ter repercussão: de um lado, outras casas de apostas podem procurar o mesmo caminho; do outro, o STF, como vimos, está debatendo o assunto. Há o risco de uma batalha de decisões provisórias em diferentes instâncias enquanto o Supremo não decide…
O governador da Califórnia propõe elevar o limite anual de incentivos ao audiovisual no estado de US$ 750 milhões para ao menos US$ 1 bilhão. O pacote também passa a contemplar despesas com a remuneração do elenco principal, roteiristas, diretores e produtores – o chamado “above-the-line” –, além de estender o programa de cinco para dez anos, entre outras novidades. Vale destacar que profissionais de Hollywood vêm reclamando da queda da produção na região, o que aumenta a pressão por incentivos mais generosos, na mesma linha do que já é feito em lugares como Geórgia e Nova York. Além disso, Gavin Newsom encerra seu segundo mandato em janeiro e é um dos nomes cotados para disputar a indicação democrata à presidência dos EUA em 2028.
E a indústria vai cobrar a promessa: a Entertainment Union Coalition – formada por SAG-AFTRA, IATSE, DGA, WGA West, Teamsters, AFM e LiUNA – agradeceu a iniciativa de Newsom, mas afirmou que pretende cobrar do Legislativo e do próximo governador uma resposta proporcional ao tamanho da força de trabalho e da infraestrutura audiovisual da Califórnia, além de mudanças nas regras que limitam a competitividade do programa. A AP projeta que o democrata Xavier Becerra será o vencedor das eleições para governador, realizadas ontem. Durante a campanha, ele prometeu defender e ampliar os incentivos, mas ainda não respondeu à reivindicação concreta do setor por pelo menos US$ 1 bilhão e mudanças estruturais. (Com Deadline)
A Roblox faturou US$ 1,6 bilhão no terceiro trimestre, alta de 16%, mas o volume de compras realizadas na plataforma (bookings) recuou 12%, para US$ 1,7 bilhão. A base de usuários ativos diários chegou a 138 milhões, enquanto as horas de uso somaram quase 34 bilhões. Os dois indicadores cresceram em relação ao trimestre anterior, mas caíram 9% e 15%, respectivamente, na comparação anual, devido à base excepcional de 2025. O prejuízo líquido consolidado caiu de US$ 258 milhões para US$ 230 milhões.
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