Edição #11 - quadro.news

Hoje em Quadro

A edição desta terça-feira tem muita apuração e entrevistas. Aqui estão os principais destaques:

  • O que o YouTube está fazendo para fomentar o crescimento de IPs dentro da plataforma;

  • A grande pesquisa cultural realizada pelo Google;

  • A reformulação do Globoplay;

  • O dilema Tostines da Netflix;

  • Os resultados das bilheterias no Brasil e no exterior;

  • As estreias da semana no streaming, TV, cinema e games;

  • Programas de desligamento voluntário na Microsoft e na Skydance, novidades do Disney+ e Instagram e muito mais.

Em meio a fatos desconectados, algoritmos e slop de IA inundando os feeds, acompanhar o que realmente importa nos negócios do entretenimento ficou mais difícil. Quadro faz essa curadoria por você: duas newsletters por semana, com análise e contexto, direto na sua caixa de entrada. Assine e não perca as próximas edições.

One hit wonders

  • Amazon MGM Studios define agência de PR para operação nos cinemas brasileiros. Após confirmar João Beltrão como responsável pelo PR de seus lançamentos cinematográficos, a companhia contratou a Atômica para cuidar da comunicação e do relacionamento com a imprensa. O estúdio começa a distribuir seus filmes diretamente no Brasil em janeiro de 2027.

  • A Mostra de Cinema de São Paulo entra na reta final. A 50ª edição do festival termina nesta quinta-feira, 29, com uma cerimônia de encerramento em que serão anunciados os vencedores de diversas premiações, incluindo os prêmios do júri, do público e da crítica.

O YouTube quer financiar conteúdo sem ser o dono dele

Na semana passada, o YouTube realizou o seu segundo upfront em menos de um mês. O primeiro, chamado de Brandcast, seguiu o modelo tradicional. Mas esse segundo, chamado de YouTube Fair – um formato inédito para a plataforma em todo o mundo – seguiu por outro caminho.

Com cara de feira, como o nome entrega, o evento teve como estrela principal quem faz conteúdo dentro da plataforma de vídeos do Google. Quinze parceiros apresentaram suas apostas para 2027 – em um esforço da big tech para fortalecer as propriedades intelectuais em seu ecossistema. Entre os destaques, estavam presentes PortaTV (do Porta dos Fundos em parceria com a Sofá Digital), Noverama (também da Sofá), MTV (apostando em novas versões de Luau e Rockgol), Aqueles Caras e DiaTV (que destacou o novo programa de Regina Casé).

Do lado do YouTube, os executivos destacaram a necessidade de conectar as marcas ao que os brasileiros estão assistindo – e a urgência de se repensar a relação com a cultura. Mais do que perseguir a trend do momento, os anunciantes precisam se apropriar desses territórios. Depois, apresentaram os formatos para a publicidade – incluindo o Creator Takeover, formato que permite a uma marca comprar, com exclusividade, os espaços de anúncios de um canal de grande audiência por um período determinado.

Após as apresentações, o mercado publicitário se reuniu com os responsáveis pelas IPs. Enquanto isso, duas executivas do Google se reuniram com alguns jornalistas para revelar o que está por trás da iniciativa.

“O papel do meu time é, de fato, viabilizar algumas IPs. Tem muitos projetos de conteúdo que a gente recebe desses criadores e dessas produtoras que são incríveis, mas eles, de alguma forma, precisam de um investimento de marca para acontecer”, explicou Esly Paiva, líder líder de projetos de conteúdo no Google. “A gente tem criadores, a gente tem uma IP já registrada, mas a gente precisa de uma marca para, de fato, viabilizar. A gente, junto com esses parceiros, é um grande viabilizador de IPs."

Um diferencial do modelo de negócio do YouTube em relação aos concorrentes no streaming é que o serviço normalmente não compra direitos de distribuição por meio de um fee de licenciamento, nem se torna dono do conteúdo. Em termos práticos e simplificados, qualquer um pode criar um canal na plataforma e postar – e, depois de atingir determinados critérios, dividir a receita de publicidade com a big tech. Mas, no caso desses grandes produtores, Esly revelou um plot twist: o Google também coloca a mão na massa.

Lívia Sitta, líder de insights estratégicos do Google, apresenta no YouTube Fair a pesquisa que mapeou os principais territórios da cultura popular brasileira (Foto: Renan Martins Frade/Quadro)

A empresa sai junto com os criadores para vender para as marcas, inclusive desenhando uma estratégia para além do crescimento orgânico, contou a executiva. “Colocando uma mídia inteligente, formatos do YouTube para agregar, isso vai extrapolar o alcance e virar um projeto em que temos uma carga de conteúdo e uma carga de mídia. E, para além disso, a gente está falando do Google. Então, a gente consegue ajudar no gerenciamento, trazer muita mensuração de resultado de negócio.”

Em alguns casos, a companhia norte-americana coloca seus próprios recursos em jogo. “Tem alguns desses projetos que, a partir do momento que a marca investe no YouTube, a gente faz um subsídio de produção também. A marca investe no YouTube e a gente paga a parte da produção”, frisou Esly. “[Isso] ajuda também a deixar muito mais atrativo comercialmente para a marca."

Além da divisão padronizada da publicidade – o YouTube repassa 55% da receita líquida dos anúncios em vídeos longos aos criadores –, essas iniciativas envolvem contratos próprios, sem um modelo comercial único. Algumas parcerias também preveem janelas de exclusividade comercial.

A big tech realizou um grande estudo sobre cultura, que analisou 1,8 milhão de registros de manifestações culturais, 150 produções culturais dos últimos dois anos e grupos de pesquisa qualitativa para identificar os principais territórios de interesse da cultura popular brasileira (mais detalhes a seguir). Os dados ajudam a balizar as campanhas dos anunciantes.

“A gente também entende como é a operação dentro desses territórios”, explicou Lívia Sitta, líder de insights estratégicos do Google. “Qual é a linguagem, tom de voz, vocabulário, principais formadores de opinião, plataforma dominante. Assim, auxiliamos marcas e clientes a se conectarem com essas temáticas."

O Google também se envolve na criação. A companhia está usando os mesmos insights para orientar decisões comerciais e de desenvolvimento de conteúdo. Além de utilizar os territórios culturais de destaque para identificar as propriedades intelectuais que seriam apresentadas ao mercado publicitário, “a gente também deu insumos para os parceiros para que eles criassem projetos para participar dessa economia de atenção de uma forma que fosse mais eficiente”, revelou Esly Paiva.

Contudo, o principal diferencial do YouTube também pode ser a sua fragilidade. Ao não ser dono das IPs, os produtores podem florescer na plataforma e, depois, migrar seu conteúdo para outros parceiros, inclusive com exclusividade. A Netflix, por exemplo, tem avançado nesse mercado. Em agosto, a Bloomberg revelou que o serviço do Google estava oferecendo valores milionários para que grandes criadores mantivessem seus vídeos exclusivamente na plataforma por determinado período. As propostas envolviam financiamento de programas e participação em grandes acordos publicitários, mas, segundo a reportagem, ainda não haviam sido concluídas.

Questionada se eventos como a feira, a co-criação e a parceria nas vendas comerciais não seriam uma forma de criar um ambiente em que esses canais permaneçam na plataforma, Esly Paiva respondeu: “Todo mundo que está aqui já reconhece a fortaleza do YouTube, já acha o YouTube essencial para os seus projetos. Alguns canais de TV, inclusive, a Sony está lançando o Sony Originals. Então, na verdade, eles nasceram de um outro ecossistema e estão enxergando essa potência dentro do YouTube.”

Esly, inclusive, trouxe um exemplo para explicar como trabalham em conjunto com os produtores. “Com a força que o Podpah tem, eles já vão no mercado direto, já vendem diretamente. A gente agrega uma força de vendas e uma inteligência de mídia. Então, eles também lançaram um projeto de música incrível, mas aí colocamos tudo aquilo no principal formato do YouTube, que é o Masthead. Então, se eles iam ter 100 mil, 500 mil [de alcance hipotético], eles vão ter 3 milhões de visualizações e um suporte do time do Google."

Na prática, a capacidade de viabilizar financeiramente novos conteúdos pode fortalecer os vínculos comerciais entre o YouTube e os canais, tornando a plataforma mais atraente mesmo diante de oportunidades externas.

O mapa da mina cultural

Para entender quais assuntos mobilizam os brasileiros e identificar oportunidades para a criação de conteúdo, o Google realizou um estudo que analisou 1,8 milhão de registros de manifestações culturais, 150 produções culturais dos últimos dois anos e grupos de pesquisa qualitativa. 

A pesquisa, aquela apresentada durante o YouTube Fair e já abordada anteriormente, utilizou a metodologia Wiz&Watcher para mapear conversas presentes em filmes, séries, livros, músicas, games, redes sociais e outras expressões culturais. 

O resultado foi a identificação de dez grandes territórios da cultura popular brasileira, que podem ser desdobrados em assuntos mais específicos, chamados de micronarrativas. Segundo Lívia Sitta, a proposta é entender não apenas o que interessa aos brasileiros, mas como esses assuntos são abordados, quem influencia as conversas e quais plataformas têm maior relevância em cada território.

O que chamou atenção no levantamento: trabalho e educação (31,89%), família (24,3%), tecnologia (23,59%) e fé (21,2%) aparecem entre os territórios com maiores percentuais apresentados. Saúde e bem-estar (15,9%) e alimentação (13,5%) também têm destaque, mas é quando o Google aprofunda essas categorias que aparecem informações mais interessantes para quem produz conteúdo. 

Dentro de saúde e bem-estar, por exemplo, saúde mental aparece com 45,2%, seguida por temas relacionados ao estado de alerta (27,1%). Também surgem discussões sobre funcionamento do cérebro, biohacking, padrões de corpo e saúde feminina, incluindo a menopausa. Já no território de beleza, convivem assuntos como indulgência (22,5%), diversidade (17,9%), busca pela juventude (17,3%) e procedimentos estéticos (16,4%).

Mas nem tudo que viraliza representa um interesse duradouro. Na categoria alimentação, o estudo identifica a chamada "comida como espetáculo" (30,1%), que inclui programas de culinária, chefs transformados em celebridades e receitas populares nas redes sociais. A big tech também comparou o interesse de busca pelo bolo de cenoura, que se mantém relevante há mais de duas décadas, com fenômenos de curta duração, como a paleta mexicana e o morango do amor. 

A mensagem para produtores de conteúdo e patrocinadores é que pode haver mais oportunidades em assuntos recorrentes e menos disputados do que na tentativa de aproveitar a tendência do momento. Isso ajuda a explicar por que o YouTube está utilizando esse mapeamento para orientar apostas em música, novelas, realities e outros formatos, combinando interesses culturais com projetos que possam atrair investimentos publicitários.

O estudo completo, entretanto, não será disponibilizado publicamente. De acordo com Lívia, o material é exclusivo para clientes do Google, especialmente os grandes anunciantes. A empresa pretende publicar posteriormente alguns conteúdos derivados da pesquisa no Think with Google, mas ainda não detalhou quais informações serão abertas ao público.

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Outros destaques em Quadro

🧱 Do barro. Cara-de-Barro, aposta da Warner Bros. para explorar o cinema de gênero a partir das propriedades da DC, liderou as bilheterias dos EUA e Canadá neste fim de semana. O longa-metragem de terror arrecadou US$ 24 milhões, mas a grande surpresa ficou na segunda posição: You Can See Everything, documentário sobre Elizabeth Holmes, fez US$ 19,5 milhões, um impressionante crescimento de 25% em relação ao fim de semana de estreia.

O resultado chama atenção porque, normalmente, os filmes perdem arrecadação na segunda semana em cartaz, em vez de ganhar. No caso da produção da A24, o aumento veio acompanhado de uma expansão significativa do circuito, de 855 para 2.655 salas, impulsionada pela boa recepção do público. Com isso, o documentário já acumula US$ 45,1 milhões em apenas dez dias, tornando-se um dos maiores sucessos do gênero nas bilheterias. Fechando o top 3, O Bosque Selvagem, nova animação em stop-motion da Laika, estúdio de Coraline, estreou com US$ 12,3 milhões. Já Street Fighter, que havia liderado o ranking na semana anterior, sofreu uma queda de 72,1%, arrecadando apenas US$ 8,6 milhões.

No resto do mundo, Cara-de-Barro fez outros US$ 19 milhões, chegando a US$ 43 milhões de bilheteria global. Considerando seu orçamento de produção estimado em US$ 44 milhões, é um começo promissor para o personagem, que nos gibis é um dos vilões do Batman. Os dados de bilheteria são do Box Office Mojo.

Tom Rhys Harries estrela Cara-de-Barro, terror da DC dirigido por James Watkins, com roteiro de Mike Flanagan (Foto: Warner Bros.)

🇧🇷 Ao pó. Já o Brasil registrou o pior fim de semana do ano para os exibidores – reflexo, provavelmente, do segundo turno das eleições. Os cinemas brasileiros venderam 746,89 mil ingressos e arrecadaram R$ 18,40 milhões entre 22 e 25 de outubro. Por aqui, Cara-de-Barro também liderou, com R$ 3,88 milhões, seguido por Verity, adaptação do livro de Colleen Hoover, com R$ 2,66 milhões. Fechando o pódio, BTS World Tour: Arirang in Buenos Aires faturou R$ 2,48 milhões. Já Street Fighter, que havia liderado em público na semana anterior, ficou com R$ 2,28 milhões. Entre as estreias, O Outro Lado das Redes, continuação de A Rede Social, amargou um resultado pífio: apenas R$ 545 mil. Os dados são da Rentrak.

🗳️ Pirilim. Falando em eleições, o resultado das urnas do último domingo, 25, traz também alguns ensinamentos para quem trabalha com marketing e conteúdo – independentemente do alinhamento ideológico ou em quem votou. Um dos principais fatores apontados pelos analistas políticos como diferencial da campanha de Lula no segundo turno foi o canal de WhatsApp Exército do Lula. Além de estar no aplicativo de comunicação mais usado pelos brasileiros, esse tipo de canal não segue a lógica dos algoritmos dos feeds. Ou seja, as mensagens são apresentadas em ordem cronológica, sem depender da seleção algorítmica para alcançar os seguidores.

Além disso, o espaço foi usado para engajar a base com publicações em outras plataformas, como Instagram e YouTube, não só contornando limitações de alcance como também “turbinando” os sinais que esses serviços utilizam para ampliar a entrega orgânica.

Vale também estudar o reposicionamento da chapa vencedora após o fiasco do primeiro debate do segundo turno, na Band, quando Lula se apresentou despreparado diante das câmeras. Antonio Tabet – que começou a ganhar destaque na internet lá atrás, com o site Kibeloco, e é um dos fundadores do Porta dos Fundos – revelou no X que redigiu algumas das respostas utilizadas pelo presidente eleito no debate da TV Globo. Entre elas, a reação à provocação de Flávio Bolsonaro sobre o dedo que Lula perdeu em um acidente de trabalho aos 17 anos. A resposta, também na avaliação de analistas políticos, teve grande impacto na mobilização dos eleitores.

Mais do que posicionar a internet como o campo de batalha da política atual, são acontecimentos que ajudam a entender o peso do conteúdo e das técnicas de distribuição e engajamento. Quem analisar esses sinais terá um campo fértil de ideias para produzir e divulgar seus próprios projetos.

🌐 Plim-plim. Nesta segunda-feira, o Globoplay reformulou sua oferta e passou a diferenciar as assinaturas mais pelas funcionalidades do que pelo conteúdo disponível. O plano com anúncios, o mais básico, teve a resolução máxima reduzida para Full HD, mas ganhou acesso a mais de 20 canais lineares do Grupo Globo – entre eles Sportv, Multishow e GloboNews –, antes restritos ao Premium. Já o pacote mais caro passou a ser o único com imagem em 4K, além de oferecer os conteúdos sob demanda sem publicidade.

Os preços também foram ajustados: o básico passou de R$ 16,90 para R$ 19,90, enquanto o Premium subiu de R$ 22,90 para R$ 24,90. Em contrapartida, o combo do Globoplay Premium com o Premiere ficou R$ 9 mais barato, passando a custar R$ 39,90. Todos os valores correspondem às parcelas mensais das assinaturas anuais.

Na minha coluna no UOL, entrevistei Julia Rueff, diretora executiva de plataformas digitais da Globo, para entender a estratégia por trás das mudanças. Segundo ela, a ideia é melhorar a experiência dos assinantes e aumentar o engajamento e a frequência de uso – o que, na prática, amplia as oportunidades para anunciantes. “Quanto melhor para o usuário, mais relevante o produto se torna e mais atrativo ele é para os anunciantes. Entendemos que esses seriam os principais indicadores de sucesso. Mais assinantes, mais engajados, que fomentem também o mercado anunciante”, explicou a executiva.

A reportagem ainda se aprofunda na redescoberta da importância da programação linear para o streaming. E questionei Julia diretamente sobre a possibilidade de, no futuro, o catálogo do Globoplay ser oferecido como um pacote adicional em plataformas como a Netflix. Leia o texto completo.

📺 Tudum. Uma reportagem da Bloomberg, assinada por Lucas Shaw, aprofundou o que a edição de quinta-feira de Quadro analisou sobre o atual momento da Netflix. Segundo o jornalista, o streaming enfrenta um problema: o assinante médio abre o serviço em menos dias do mês do que há alguns anos e também passa menos tempo assistindo. A métrica interna usada para medir a frequência é chamada de QPD, ou qualified play days. O tempo total de consumo até cresceu ligeiramente no primeiro semestre, mas graças à expansão da base de clientes. Em média, porém, o consumo por usuário caiu.

A retração começou após o início do combate ao compartilhamento de senhas, em 2022, e persistiu além do período de acomodação previsto pela empresa. Ainda assim, não provocou cancelamentos em massa: a taxa de churn nos EUA permanece em 2%, segundo a Antenna. Como sinal externo, a Apptopia identificou um aumento de 16,6% na taxa de usuários norte-americanos que deixaram de abrir o aplicativo no terceiro trimestre, na comparação anual.

A reportagem ainda revela uma disputa interna sobre as causas do problema. A equipe de programação responsabiliza a interface e as dificuldades para descobrir novas temporadas de séries. Já a de produto aponta para a qualidade e a regularidade dos lançamentos. As saídas de Bela Bajaria, então chefe de conteúdo, e Dan Lin, responsável pelos filmes originais, a chegada de Peter Rice ao comando da programação e a promessa de voltar a priorizar filmes e séries premium indicam que o co-CEO Ted Sarandos deu mais peso ao segundo argumento.

De longe, parece que a pioneira do streaming vive seu próprio dilema Tostines: os assinantes não encontram conteúdo bom porque ele não existe ou o conteúdo bom não existe para os assinantes porque eles não conseguem encontrá-lo?

Estreias da semana

  • Streaming e TV. Hoje, 27, a Netflix estreia Aquele Sobre Matthew Perry, série documental em três partes sobre a trajetória do ator de Friends, com depoimentos de familiares e amigos. Na quinta, 29, o Globoplay lança Arquivos do Céu, produção original brasileira que revisita casos ufológicos como a Operação Prato e a Noite dos Óvnis. No mesmo dia, chega à HBO Max a segunda temporada de The Paper, derivada de The Office. Já na sexta, 30, o Paramount+ estreia a segunda temporada de Dexter: Ressurreição, enquanto a Apple TV lança Noturno, série policial com Liev Schreiber, Zazie Beetz e Stephen Graham. A MUBI recebe A Cronologia da Água, estreia de Kristen Stewart na direção de longas-metragens. Fechando a semana, o Prime Video disponibiliza Until Dawn: Noite de Terror no sábado, 31, após sua passagem pelos cinemas.

  • Cinemas. Na quinta-feira, 29, o principal lançamento brasileiro é 100 Dias, dirigido por Carlos Saldanha e baseado na histórica travessia de Amyr Klink pelo Atlântico Sul em um barco a remo. Também entram em cartaz O Bosque Selvagem; As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você, drama nacional com Any Gabrielly e Giulia Be; e Medley, de Ana Luiza Azevedo, com Mel Maia. A programação inclui ainda uma nova adaptação de Razão e Sensibilidade, de Jane Austen, e A Terra do Meu Pai, filme de Paweł Pawlikowski sobre a relação entre o escritor Thomas Mann e a filha Erika.

  • Games. Hoje, 27, Minecraft ganha uma versão nativa para Nintendo Switch 2, com melhorias visuais, incluindo o suporte ao Vibrant Visuals. Também chega Remothered: Red Nun's Legacy, novo survival horror da Stormind Games, para PC, PS5, Xbox Series X|S e Switch 2. Na quinta, 29, o destaque é Phantom Blade Zero, RPG de ação com artes marciais desenvolvido pela chinesa S-Game para PS5 e PC. No mesmo dia, a Telltale lança The Wolf Among Us Remastered, versão atualizada da aventura baseada nos quadrinhos Fábulas, enquanto Age of Empires IV recebe a expansão Raiders of the North, que adiciona vikings e escoceses ao jogo. Também estreia Charting the Unknown, expansão de Crimson Desert Enhanced que amplia a exploração marítima e submarina.

Tão falando por aí...

  • O Instagram começou a testar no Brasil e nos EUA o Features, formato de vídeos horizontais com até 90 minutos voltado inicialmente a podcasts, humor e outros conteúdos longos. A experiência começou com alguns criadores brasileiros e chegou nesta segunda-feira, 26, ao mercado norte-americano, onde deve ser expandida para dezenas de milhares de contas. A ideia é conectar os dois formatos: um Reel curto pode encaminhar o usuário ao episódio completo, que também poderá aparecer no Explorar e em outras áreas de recomendação. Os vídeos poderão ser vistos no celular, mas a empresa espera levar o consumo mais longo para o Instagram for TV, disponível nos EUA em Samsung TV, Fire TV, Google TV e Apple TV. Vale lembrar que essa não é a primeira incursão da Meta nesse mercado: em 2018, a companhia lançou o IGTV, descontinuado quatro anos depois. Já o Instagram for TV estreou em dezembro de 2025 e teve sua disponibilidade ampliada ao longo deste ano. (via THR)

  • No movimento inverso, a Netflix detalhou o próximo estágio do Clips, seu feed vertical de trechos de filmes, séries e especiais, com planos de incluir também podcasts e transmissões ao vivo. Em 2027, o recurso ganhará categorias temáticas e feeds mais específicos, organizados por gêneros, interesses e estados de espírito. O objetivo declarado não é estimular a rolagem infinita, mas transformar a descoberta de conteúdos em interesse pelos títulos completos, além de incentivar o compartilhamento. A expansão para feeds de nicho amplia as oportunidades de descoberta e de monetização – a companhia já anunciou a chegada de publicidade aos vídeos verticais em 2027 –, sem necessariamente transformar o aplicativo em uma rede social.

  • Netflix contratou ex-executivo da Apple Podcasts para comandar aquisição de programas. Steve Wilson passou 15 anos na Apple, trabalhando com curadoria editorial, relações com parceiros e marketing de podcasts. Depois, foi diretor de estratégia da QCODE, que expandiu suas operações com a criação da Daylight Media. Agora, chega à Netflix inicialmente como consultor, responsável pelas aquisições de conteúdo. O movimento coloca um profissional específico à frente de uma operação que vinha sendo construída por acordos separados. A plataforma afirma já oferecer mais de 60 podcasts em vídeo. (via THR)

  • Disney+ perde 4K no Brasil, mas mantém preço. A página brasileira da plataforma passou a anunciar resolução máxima Full HD para todos os planos, retirando a imagem 4K UHD, HDR10 e Dolby Vision do Premium, que continua custando R$ 69,90 mensais. Há uma disputa judicial que pode explicar a mudança: a InterDigital processou a Disney no Rio de Janeiro por suposta infração de patentes ligadas à codificação de vídeo e obteve uma liminar em setembro de 2025, mantida em segunda instância em maio de 2026. A própria InterDigital associa a perda de recursos do Disney+ às decisões judiciais, mas a Disney não confirmou publicamente que esse processo provocou diretamente a mudança no Brasil.

  • Lá fora, o Disney+ incorporará o canal linear e parte do catálogo do Channel 4 à plataforma. A Disney e a emissora pública britânica fecharam um acordo para levar a programação do Channel 4 ao streaming no Reino Unido e na Irlanda no início de 2027. A oferta incluirá o sinal em HD, centenas de horas de conteúdo sob demanda e alguns programas disponibilizados simultaneamente nos dois serviços. Tudo ficará em uma área identificada com a marca Channel 4, sem custo adicional para os assinantes. É mais um avanço dos serviços de VOD por assinatura sobre a distribuição tradicional de televisão, movimento que Quadro vem acompanhando.

  • A Microsoft abriu um programa de desligamento voluntário para cerca de 60 mil funcionários, equivalentes a aproximadamente 27% da força de trabalho, que somava 223 mil pessoas em junho. A oferta alcança equipes participantes nos EUA, Canadá, Reino Unido e Índia, até o nível corporativo 70 – incluindo alguns executivos. Segundo a Reuters, funcionários de Xbox, Windows + Devices, Copilot, inteligência artificial, finanças e recursos humanos estão entre os elegíveis. Marketing, negócios comerciais e segurança ficaram de fora. A Microsoft não informou quantas adesões espera receber. Como vemos, são tempos de incerteza para os funcionários da companhia fundada por Bill Gates e Paul Allen.

  • Skydance é outra: o conglomerado passou a oferecer um programa de desligamento voluntário a parte dos funcionários, em uma iniciativa pontual, menos de três semanas depois de concluir a compra da Warner Bros. Discovery. Os profissionais elegíveis receberão individualmente as condições e um prazo para decidir. A empresa também adotará o trabalho presencial cinco dias por semana. O memorando não informa quantas adesões são esperadas nem a economia pretendida. (via Reuters)

  • WPP Production abre hub para a América Latina em São Paulo. O espaço de 182,6 m² reúne captação, edição e finalização dentro do WPP Campus, na Vila Leopoldina, e foi apresentado como resposta à demanda por maior volume de conteúdo, mais versões e orçamentos cada vez mais apertados. A integração com ferramentas de inteligência artificial, por meio do WPP Open, faz parte da estratégia da companhia para recuperar o crescimento orgânico ao longo de 2027.

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