Edição #10 - quadro.news
No Quadro de hoje
Eu juro que queria falar menos da Netflix, mas o noticiário não deixa. Aqui estão os destaques desta edição:
Lendo nas entrelinhas do balanço da Netflix;
O possível preço do próximo Xbox;
O impacto do vibe coding nas TVs e nos games;
As novidades da Amazon e do Substack;
Os balanços de Spotify, Comcast, Meta e muito mais.
Em meio a fatos desconectados, algoritmos e slop de IA inundando os feeds, acompanhar o que realmente importa nos negócios do entretenimento ficou mais difícil. Quadro faz essa curadoria por você: duas newsletters por semana, com análise e contexto, direto na sua caixa de entrada. Assine e não perca as próximas edições.
One hit wonders
O segundo turno da eleição presidencial brasileira acontece neste domingo, 25. Em disputa, estão duas candidaturas com visões bastante diferentes sobre cultura e entretenimento. O resultado das urnas vai influenciar os investimentos no setor e definir os rumos das políticas públicas nacionais pelos próximos quatro anos.
Netflix, Apple, Amazon e YouTube estariam interessadas nos direitos de transmissão da Copa do Mundo masculina de 2030 nos EUA. A FIFA abriu a concorrência ontem, 22, e estimativas do mercado apontam valores entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões.
Netflix fatura mais sem que o público assista na mesma proporção
Na última terça-feira, 20, a Netflix divulgou o seu mais recente balanço financeiro, relativo ao terceiro trimestre deste ano. O lucro veio acima do esperado, mas o mercado financeiro não gostou do que viu – e as ações recuaram 2,4% entre o fechamento de terça-feira e o de quinta, 22, ampliando uma trajetória negativa que vem desde o ano passado.
O que proponho aqui é um outro olhar para esse resultado e para o que ele aponta a partir daqui. Até porque a Exame fez uma ótima análise geral das planilhas e da reação.
Uma das principais inseguranças de Wall Street sobre a pioneira do streaming por assinatura é o crescimento lento das horas assistidas. No último balanço, e na call com investidores que veio em seguida, o que a Netflix defendeu é que não precisa necessariamente aumentar muito esse tempo de tela para continuar ampliando suas receitas. Reajustes de preços, aumento da base e publicidade permitem que o faturamento avance mesmo quando o consumo cresce pouco.
Do ponto de vista financeiro, o argumento é coerente.
Porém, do ângulo estratégico, deixa uma pergunta: até que ponto esse modelo pode sustentar o crescimento antes que a falta de expansão do consumo limite a capacidade de cobrar mais?
A empresa argumenta que a retenção continua forte e que os assinantes respondem bem aos reajustes. Isso dá sustentação ao modelo, mas não elimina a preocupação.
É porque aqui, novamente, esbarramos no engajamento. Ao subir preços, o streaming testa o limite do assinante. Até qual valor ele está disposto a pagar por aquilo que consome? Se ele passa muito tempo na plataforma, essa tolerância tende a ser maior. Mas se sente que a Netflix não cresce em importância na sua rotina na mesma proporção que os valores aumentam, por que continuar?
Uma parte vai eventualmente migrar para o plano com anúncios, que é, discretamente, um dos objetivos da companhia. Mas uma outra simplesmente irá cancelar. E é isso que preocupa Wall Street – que, vamos lembrar, se move também pelo receio e pelo rumor, não só pelos fatos.
A pulga atrás da orelha não para aí. O negócio de publicidade da plataforma vai bem, obrigado. Ainda que a Netflix tenha sofrido com fogo amigo – inicialmente previu uma receita publicitária de US$ 3 bilhões em 2026 e agora revisou o número para US$ 2,7 bi –, esse faturamento está crescendo mais de 80% neste ano.
Contudo, na entrevista pós-resultados, Greg Peters, co-CEO, reconheceu que o valor médio arrecadado por assinatura do plano com anúncios, somando mensalidade e publicidade, continua inferior à média do Plano Padrão tradicional.
Isso é uma questão porque a aposta publicitária da Netflix depende de dois crescimentos simultâneos: aumentar a quantidade de assinaturas com anúncios e extrair mais dinheiro de publicidade de cada uma delas. O próprio executivo confirma isso, afirmando que a expansão da base cria mais inventário, enquanto as melhorias tecnológicas devem permitir aproveitar comercialmente uma parcela maior desse espaço.
A Netflix atribui a revisão da meta aos atrasos no lançamento de produtos publicitários e nas integrações tecnológicas com parceiros, mas não detalha o peso de cada problema. Também não sabemos em que medida o tempo de tela dos assinantes do plano com anúncios limita o inventário disponível.
Seja como for, o resultado prático desse combo de inflação de preços e crescimento de ads é que a Netflix está ganhando mais dinheiro sem, necessariamente, aumentar o consumo na mesma proporção.
Para entender isso, cabe uma conta de padeiro. No primeiro semestre deste ano, os assinantes assistiram a aproximadamente 97 bilhões de horas, um incremento anual de apenas 2%. Nesse mesmo período, a receita da Netflix aumentou de aproximadamente US$ 21,62 bilhões para US$ 24,81 bilhões, uma ampliação de 14,7%.
Se dividirmos o dinheiro que entra pelas horas assistidas, temos uma medida aproximada de quanto faturamento a Netflix gera em relação ao volume de consumo de seu serviço. Em 2025, essa “receita global por hora assistida” ficou em US$ 0,227. Em 2026, o indicador que acabei de criar subiu 12,5%, para US$ 0,256.
Como disse, essa é uma conta de padeiro: não considera o preço efetivamente pago por cada família, nem o que se ganha com propagandas a cada 60 minutos. É uma soma geral dos dois.
Traduzindo os números para a língua de Camões: a Netflix está aumentando sua capacidade de gerar dinheiro a partir de uma quantidade de horas assistidas que cresce muito mais lentamente. Isso ajuda a explicar por que consegue entregar resultados financeiros positivos apesar das preocupações com audiência.
Só que também mostra o limite potencial desse modelo: até quando será possível aumentar tanto a receita por hora consumida sem comprometer o valor percebido da assinatura e a retenção?
Enquanto isso, o streaming continua investindo pesado em conteúdo. De janeiro a setembro, o valor contabilizado em produções e direitos de exibição cresceu 24% em relação ao ano passado, chegando a US$ 14,93 bilhões. Já os custos de conteúdo reconhecidos como despesa no período avançaram 9,5%, para US$ 12,76 bilhões.

Greg Peters, co-CEO da Netflix, e Rodolphe Belmer, CEO do Grupo TF1, na apresentação da parceria que leva a programação da emissora francesa ao serviço (Foto: divulgação/Netflix)
Falando em conteúdo, ele tem um peso importante no que está ocorrendo. Na mesma call, Ted Sarandos, o outro co-CEO, fez uma metáfora com o beisebol: a companhia tem conseguido várias rebatidas boas, mas precisa de mais home runs. Segundo ele, a Netflix precisa melhorar a execução nos Estados Unidos – o que ajuda a explicar a troca de Bela Bajaria, que liderava as produções originais, por Peter Rice. A movimentação aconteceu em meio à recente rodada de demissões e já foi analisada em Quadro.
Mas o papo com Wall Street deu outros indicadores sobre as mudanças que estão em curso.
O primeiro é algo que já vem ocorrendo: o fato de a Netflix usar a sua audiência geral, que a empresa afirma estar próxima de um bilhão de pessoas em todo o mundo, como um atrativo para que terceiros licenciem seus filmes e séries para o serviço. É o que está por trás do recente acordo com a Globo, por exemplo.
Já a parceria com a TF1 na França, que envolve, além do catálogo, o sinal linear do canal, funciona como uma espécie de “beta” de uma ideia que pode ser expandida. “Nossas primeiras análises e testes indicam que esse engajamento é adicional ao que já existia na plataforma”, afirmou Greg Peters na call.
O outro ponto é que, após rumores nos últimos meses, a companhia finalmente falou abertamente sobre a possibilidade de agregar serviços adicionais à plataforma, como o Amazon Prime Video faz ao vender, por exemplo, HBO Max e Paramount+ para a sua base de assinantes.
“Essa seria mais uma maneira de ampliar nossa oferta de entretenimento. Acreditamos que os mesmos benefícios para os parceiros – alcance adicional e novas oportunidades de monetização – também se aplicariam a esse modelo”, comentou Greg Peters. “Não temos nada a anunciar hoje, mas vocês podem esperar que continuaremos encontrando novas maneiras de oferecer mais entretenimento aos nossos assinantes.”
As três medidas, juntas ou separadas, cumprem uma função importantíssima: trazer de volta a sensação que os usuários tinham da Netflix há dez, 15 anos, quando sentiam que o streaming era uma enorme biblioteca geral, onde poderiam encontrar o que assistir independentemente do estúdio. Essa percepção acabou destruída com a fragmentação do mercado, quando vários conglomerados de Hollywood e grupos regionais lançaram seus próprios serviços de VOD.
Ao retomar esse posto, a empresa liderada por Peters e Sarandos conseguiria – com sorte – aumentar o tempo médio dos espectadores, potencialmente a um custo menor; ter mais oportunidades de publicidade; e, claro, um assinante mais propenso a continuar absorvendo futuros reajustes de preço.
Aos poucos, isso também deixaria a Netflix parecida com o YouTube. Não em modelo de negócio, mas o serviço do Google vem cada vez mais se estabelecendo como o lugar para que grandes grupos de mídia possam oferecer seus conteúdos para um novo público e receberem por isso, assim como criadores independentes de humor, podcasts e outras verticais.
O problema aqui é que, se todo mundo tem o mesmo catálogo, o conteúdo vira commodity. Por isso, volta a necessidade de a Netflix continuar investindo em seus originais – mas, agora, pensados para o novo desafio. Essa missão, como sabemos, agora é de Peter Rice.
As cartas estão na mesa. Hora de rolar os dados.
A CCXP já foi mais próxima de seus fãs. E quem reconhece isso é Thiago Romariz, que já estava à frente do site Omelete e agora também assume a direção de produto do evento.
Em entrevista à minha coluna Na Sua Tela, no UOL, o executivo admite que houve um distanciamento recente, provocado por uma combinação de mudanças internas e transformações no mercado de entretenimento. Agora, a organização quer recuperar essa relação, ouvindo mais as comunidades e voltando a investir em atrações próprias.
Mas essa é apenas uma parte do desafio. Leia a reportagem completa.
Outros destaques em Quadro
🧂Salgado. Cada unidade do próximo console Xbox, da Microsoft, poderá custar entre US$ 1.200 e US$ 1.800, algo em torno de R$ 6 mil a R$ 9 mil na atual conversão direta. O planejamento é levar o videogame ao mercado no fim de 2028. Esse é um dos achados da apuração da Fortune, que mergulhou nos planos internos de reestruturação da divisão sob o comando da nova CEO, Asha Sharma.
Segundo a reportagem, o Xbox opera com uma medida interna de margem perto de 3%; vendeu pouco mais de um terço das unidades do PS5 na atual geração; e já cortou 1.868 funcionários dentro de um plano de redução de 3.200 postos em 12 meses. Novas rodadas estariam previstas para outubro, novembro e janeiro, embora o cronograma possa mudar. A estratégia de Asha inclui reformular o Game Pass com recursos contratados à la carte e lançar um portátil no fim de 2027.
No caso do futuro console de mesa, que tem o codinome de Project Helix, há ainda um ponto mais preocupante: a projeção considera um cenário sem subsídio da Microsoft. A empresa ainda pode decidir absorver parte do custo, mas sua nova direção já sinalizou que o modelo histórico de subsidiar hardware pode não continuar. Vale lembrar que, nesse mercado, o hardware muitas vezes é vendido por um preço menor que o de custo, com a fabricante – notadamente Microsoft e Sony – assumindo parte do prejuízo para, depois, praticar margens maiores na venda de jogos e serviços. Se a Microsoft abandonar os subsídios na próxima geração, o valor de até US$ 1.800 poderá ser repassado integralmente ao consumidor – tornando o Helix um dos consoles mais caros da história dos videogames, sem considerar a inflação. Para comparação: os Xbox Series X e S foram lançados nos EUA a US$ 499 e US$ 299, respectivamente, mas hoje custam US$ 799 e US$ 499 nas versões básicas.
Tudo isso demonstra o tamanho da sinuca de bico atual do mercado de games. O aumento dos custos de hardware – pressionados pelas tarifas de Trump e, principalmente, pelo boom da IA – está encarecendo os consoles e dificultando a disponibilidade do próprio Series X em alguns mercados. O desenvolvimento de títulos AAA também virou uma tarefa hercúlea e cada vez mais cara, o que piora tudo.
😰 Não tá fácil. A Electronic Arts anunciou o encerramento da BioWare e de seu escritório em Edmonton, Canadá, além do cancelamento do próximo Mass Effect, ainda em desenvolvimento inicial. Segundo apuração da Bloomberg, a reorganização elimina aproximadamente 400 postos – cerca de 3% do quadro da EA –, dos quais perto de 50 estariam na BioWare. A companhia não divulgou oficialmente esses números. A movimentação faz parte de uma revisão mais ampla, que concentra investimentos nas maiores franquias da empresa, enquanto outros projetos são pausados ou cancelados.
A notícia foi muito mal recebida pelos fãs nas redes. Mass Effect é uma franquia de sucesso, iniciada ainda em 2007 e que, além dos games, já rendeu derivados como livros, gibis e um longa-metragem animado. O título Mass Effect: Andromeda, lançado ainda em 2017, vendeu 2,5 milhões de cópias em seus primeiros meses, apontam analistas. Uma sequência era bastante aguardada pelos fãs.
Tudo isso chega na esteira de grandes mudanças na EA, comprada em agosto por US$ 55 bilhões por um grupo de investidores que inclui o fundo soberano da Arábia Saudita, a Silver Lake e a Affinity Partners. A operação fechou o capital da empresa, responsável, entre outras franquias, por EA Sports FC, anteriormente conhecida como FIFA.

Usuário do X mostra o antes e depois de uma TV Xiaomi após usar o Claude Code para remover aplicativos e anúncios e criar uma nova interface (Imagem: reprodução/X)
🤙 Na vibe. O vibe coding, que é o ato de criar código de programação com a ajuda de IA generativa, está tendo impacto no consumo de entretenimento. Nos últimos dias, têm se espalhado nas redes relatos de usuários que estão usando a técnica para modificar a interface de smart TVs e dispositivos como Google TV, retirando a publicidade e simplificando a navegação. O ponto é sensível porque os anúncios na tela são, cada vez mais, uma fonte de receita para essas empresas – enquanto os usuários estão retomando para si o direito de customizar seus equipamentos e, na visão deles, não ter propagandas em um dispositivo pelo qual pagaram caro.
O vibe coding também está impactando o universo dos videogames. Além de facilitar o desenvolvimento de emuladores que permitem jogar games de consoles no computador, também está auxiliando no desbloqueio desses dispositivos. No PS5, a tecnologia auxiliou na criação de softwares nativos que permitem jogar títulos de PS3 e PS2 com discos originais – opção que nunca foi oferecida de forma nativa pela Sony. Há, ainda, alguns bugs, mas o desenvolvimento tem sido rápido. Já o Nintendo Switch 2, lançado no ano passado, ganhou nesta semana a primeira opção via software que permite modificar jogos, entre outras funcionalidades. O desenvolvedor confirmou ter utilizado o Codex, da OpenAI, no processo.
O fato é que a inteligência artificial tem cortado caminhos para esse tipo de iniciativa. Ainda que o impacto delas seja limitado, por enquanto, resta saber, no longo prazo, o quanto isso pode afetar toda a indústria.
Aspas no Quadro
“É uma loucura lançar isso neste momento. É uma loucura fazer esse filme. A gente quer errar com convicção. Eu acho que, no cinema, quando você erra em cheio, você acerta, entendeu?”
Tão falando por aí...
O Prime Video está ampliando sua aposta em adaptações voltadas ao público feminino, indo além do Young Adult (YA) para o chamado “New Adult”: histórias com protagonistas adultos jovens, romance e conteúdo sexual mais explícito. A estratégia parte do desempenho de Off Campus, apresentado pela Amazon como sua terceira maior estreia de uma temporada, embora a companhia não divulgue números comparáveis de audiência. (via Deadline)
Já a Amazon MGM Studios contratou Roberta Fraissat como head de marketing para cinema no Brasil, ampliando a estrutura com a qual pretende deixar de depender de distribuidores parceiros, entre eles a Sony Pictures, para lançar seus filmes no país a partir de 2027. Roberta passou 22 anos na Disney e vinha da Crunchyroll, onde comandava o marketing para a América Latina. A operação é liderada por Caio Meira, head de distribuição cinematográfica e ex-executivo de Paramount, Universal e Cinemark.
Produtor processa a Netflix em US$ 105 milhões. Simon Afram bancou com recursos próprios cerca de US$ 45 milhões de Fortitude, com Nicolas Cage no elenco, sem cofinanciador nem distribuidor contratado. Após o projeto ser recusado por Amazon e Apple, um HD sem criptografia com o filme foi enviado para a Netflix para avaliação – e, segundo Afram, desapareceu. O produtor sustenta que o risco de vazamento destruiu a exclusividade necessária para vender a obra. Já o streaming pede a rejeição do processo: argumenta que Afram tem outra cópia, que o drive não tinha as proteções habituais e que a empresa não assumiu o risco econômico do filme. A polícia investiga o caso, que é bem esquisito – para dizer o mínimo. (via WSJ)
Elon Musk investiu aproximadamente US$ 1 bilhão na Skydance, segundo apuração da Semafor. O aporte teria ocorrido próximo a investimentos de outros acionistas, entre eles Laurene Powell Jobs. Nem Musk nem a companhia confirmaram publicamente a transação. O valor é pequeno diante dos mais de US$ 80 bilhões em dívidas da companhia combinada após a aquisição da Warner Bros. Discovery. As ações chegaram a subir com a notícia, mas devolveram o ganho e fecharam o dia em queda.
Incentivos sustentam parte da produção de Los Angeles, mas ainda não revertem a queda. As filmagens em locações na Grande LA somaram 4.171 diárias de produção entre julho e setembro, queda de 4,8% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Projetos beneficiados pelo incentivo fiscal da Califórnia já respondem por 40,3% da produção roteirizada em locações, quase o dobro da participação registrada um ano antes. Os estímulos já influenciam decisões sobre onde filmar, inclusive atraindo séries de outros territórios, e impulsionam especialmente as comédias. O programa ajuda a preservar empregos e projetos, mas os dados ainda não mostram uma recuperação geral das filmagens. (via Deadline)
O Substack abriu inscrições para acesso antecipado a ferramentas de inserção dinâmica de anúncios em podcasts. Produtores poderão veicular campanhas vendidas diretamente, substituir anúncios no catálogo antigo sem reeditar episódios e, opcionalmente, preencher intervalos por meio de marketplaces terceirizados. A plataforma preserva a combinação com assinaturas: criadores poderão continuar oferecendo episódios extras ou sem publicidade aos pagantes. Para quem cria conteúdo que tem escala mas não necessariamente consegue converter isso em assinantes pagos, essa pode ser uma ferramenta importante de monetização.
O Spotify encerrou o terceiro trimestre com 306 milhões de assinantes premium e 788 milhões de usuários ativos mensais, informa o mais recente balanço da empresa. A receita foi de € 4,97 bilhões, ligeiramente abaixo dos € 4,98 bilhões esperados, e o lucro operacional alcançou € 672 milhões, pouco acima da projeção. O lucro por ação, de € 2,48, ficou abaixo da estimativa de € 2,80. Ainda assim, as ações do streaming de áudio avançaram 11,1% no pregão de ontem (22). O mercado deu mais peso à previsão de € 820 milhões de lucro operacional no quarto trimestre, à expectativa de conquistar mais 10 milhões de assinantes premium e à sinalização de moderação das despesas.
Balanço da Comcast: Peacock tem resultado positivo, mas publicidade sem Copa fica praticamente estável. A área de Conteúdo & Experiências do conglomerado faturou US$ 10,54 bilhões no terceiro trimestre, alta de 6,5%, enquanto o EBITDA ajustado avançou 29,3%, para US$ 1,8 bilhão. Já o Peacock teve US$ 1,8 bilhão de receita, EBITDA ajustado positivo de US$ 261 milhões – ante prejuízo de US$ 217 milhões – e 48 milhões de assinantes pagos, 17% mais que um ano antes. Foi o segundo trimestre consecutivo com resultado positivo nessa métrica. Na publicidade doméstica, a receita cresceu 14,6%, mas apenas 0,3% quando excluído o efeito da Copa do Mundo.
A Comcast também tem notícias ruins. Na call de resultados, o CFO Jason Armstrong informou que o grupo deverá registrar mais de US$ 1 bilhão em encargos de reestruturação no quarto trimestre. O valor estará ligado principalmente à transformação de sua estrutura operacional, com medidas para reduzir custos em meio à preparação para a separação da NBCUniversal, prevista para 2027. A Variety apurou com duas fontes que a companhia prepara demissões significativas nas próximas semanas, mas o alcance ainda está sendo definido por cada equipe. Por enquanto, os cortes devem atingir principalmente os negócios de cabo, banda larga e telefonia da Comcast, poupando as divisões de mídia e entretenimento.
Meta cresce 26%, mas IA pressiona o caixa e acordo judicial pesa no lucro. A big tech faturou US$ 64,60 bilhões no terceiro trimestre, alta de 26%. O volume de anúncios exibidos avançou 10%, o preço médio por anúncio cresceu 14% e o número de usuários diários na família de aplicativos chegou a 3,64 bilhões, 3% acima de 2025. O problema está nos custos. Um encargo de US$ 9,89 bilhões, relacionado ao acordo de até US$ 18,59 bilhões com 52 procuradores-gerais dos EUA em processos sobre danos a adolescentes, contribuiu para derrubar a margem operacional de 40% para 20%. Ao mesmo tempo, os investimentos de capital chegaram a US$ 34,91 bilhões no trimestre e levaram o fluxo de caixa livre a US$ 2,12 bilhões negativos – o primeiro resultado negativo nessa métrica em mais de uma década. As ações caíram mais de 7%.
Mark Lazarus, CEO da Versant, afasta, por enquanto, uma compra em larga escala dos canais lineares da Skydance. O executivo disse que adquirir mais ativos do tipo poderia prolongar a vida do negócio, mas não melhorar sua trajetória diante do declínio estrutural do setor. A prioridade será usar marcas como CNBC, USA, Syfy e Fandango para crescer em negócios adjacentes, citando o golfe como exemplo. (via Axios)
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