Edição #8 - quadro.news
No Quadro de hoje
Sextou! E sei que, para ao menos parte dos leitores, esta foi uma semana bem difícil. Está aqui o que aconteceu – e por que esses fatos realmente importam para o entretenimento:
Netflix promove demissões e troca a liderança das produções originais. O que isso significa e qual é a relação com a TV?;
A Globo revela as bases de sua programação para 2027;
Nova York perto de superar a Califórnia na produção audiovisual;
Cinesystem aposta nos games;
TV paga ganha espaço no consumo de vídeo, enquanto Spotify divulga pesquisa sobre hábitos de consumo;
O retorno de Reese Witherspoon, Xbox Labs, Mipcom menor, CCXP e muito mais!
Em meio a fatos desconectados, algoritmos e slop de IA inundando os feeds, acompanhar o que realmente importa nos negócios do entretenimento ficou mais difícil. Quadro faz essa curadoria por você: duas newsletters por semana, com análise e contexto, direto na sua caixa de entrada. Assine e não perca as próximas edições.
One hit wonders
Começou ontem, 15, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Nesta edição comemorativa de 50 anos, o evento vai exibir 392 filmes de 93 países, além de promover exposições, lançamentos de livros, shows, debates, programação especial para crianças e a estreia de um acervo online próprio. A Mostra vai até 29/10.
Netflix aumenta os preços no Brasil. Plano Padrão com Anúncios passou de R$ 20,90 para R$ 25,90, alta de 23,9%; o Padrão sem publicidade foi de R$ 44,90 para R$ 51,90, alta de 15,6%; e o Premium subiu de R$ 59,90 para R$ 71,90, alta de 20%. É o primeiro reajuste brasileiro desde maio de 2024. A inflação no período foi de 11,6%, enquanto o dólar caiu 1,5%.
A Netflix tem um problema que a TV já conhece bem
Foi uma semana difícil nos corredores da Netflix. A pioneira do streaming de vídeo por assinatura anunciou a demissão de cerca de 6% dos seus 16 mil funcionários, o que significou algo por volta de mil cortes.
De acordo com o memorando de Ted Sarandos e Greg Peters obtido por veículos como Reuters e AP, a maior parte das dispensas atinge produto, tecnologia, jurídico e RH. Os co-CEOs afirmaram que a empresa continua crescendo, mantém a previsão financeira para o ano e seguirá investindo nas áreas consideradas de maior impacto.
Às demissões somou-se a saída mais emblemática da semana: a de Bela Bajaria, responsável pelos originais da plataforma e chief content officer desde janeiro de 2023. Ela defendia o que Jinny Howe, executiva de séries da Netflix, chamou de “x-burger gourmet”, uma metáfora sobre o equilíbrio entre qualidade premium e grande apelo comercial – uma mudança de mentalidade em relação às primeiras produções da casa, como House of Cards, Orange Is the New Black e Narcos.
O cenário no qual tudo isso acontece é curioso, para não dizer o mínimo. De um lado, as ações da companhia acumulam uma queda de cerca de 40% em 12 meses, em uma trajetória agravada pelas apreensões dos investidores com a tentativa de compra da Warner Bros.
Primeiro, Wall Street se preocupou que a aquisição fosse uma forma de compensar eventuais problemas do negócio – que, até então, não estavam no radar. Depois, passaram a olhar com desconfiança a métrica de engajamento, já que o tempo assistido no primeiro semestre cresceu apenas 2% em relação ao mesmo período do ano passado. Isso enquanto a empresa projeta elevar em 11% seu investimento anual em conteúdo, para US$ 20 bilhões.
Só que a Netflix continua financeiramente saudável: no segundo trimestre, a receita avançou 13%, para US$ 12,6 bilhões, e o lucro líquido cresceu 9%, para US$ 3,4 bilhões. A companhia também sabe que não pode mais contar apenas com a expansão contínua de assinantes e engajamento. Por isso, tem investido em eventos ao vivo, podcasts, publicidade e outros modelos de receita.
Inclusive, mesmo com as saídas, vai ter funcionário novo chegando. Antes do passaralho, o streaming anunciou que, a partir de 2027, encerrará o modelo de representação comercial da Redibra e assumirá diretamente a relação com licenciados brasileiros. A equipe local será ampliada com profissionais de criação e projetos integrados às áreas de publicidade e parcerias de marca. O México, onde a operação direta começou há cerca de um ano e meio, serviu de referência.
O licenciamento, como sabemos, é uma parte importante no flywheel do entretenimento, gerando uma arrecadação constante que vai além das mensalidades pagas pelos assinantes.
De alguma forma, dá para voltar à própria cultura da Netflix. Em seu livro, A Regra é Não ter Regras, o fundador e então CEO Reed Hastings relembra os insucessos anteriores – e como uma rodada de layoffs, em 2001, o fez acreditar na densidade de talentos, uma filosofia de gestão que consiste em reunir o maior número possível de profissionais de alto desempenho em uma mesma equipe ou empresa. Se um funcionário não está rendendo como esperado, é melhor demiti-lo com uma gorda compensação do que ver o negócio como um todo ser afetado.
Hastings não está mais na gestão – e seria interessante ler uma continuação do livro, escrita por Sarandos e Peters. Ainda assim, o streaming continua com uma equipe interessantemente menor do que a sua dimensão global deixa transparecer.
Vista de fora, pode parecer que as demissões foram para reduzir custos e aliviar o apetite dos investidores. Pode até ser. Mas, nas entrelinhas, dá algumas pistas do que a Netflix quer fazer para continuar crescendo.
A principal delas é a chegada de Peter Rice, o substituto de Bela Bajaria. E o novo CCO tem um currículo bem diferente do da antecessora: ele já administrou mais de 300 programas e 4 mil horas anuais de televisão na Disney, além de ter passado por Fox, FX, Hulu, ABC, esportes e cinema. Isso lhe dá experiência simultânea em integração corporativa, relações com talentos e administração de grandes volumes de produção.
Ao anunciar a troca, Ted Sarandos mencionou especificamente a necessidade de melhorar a programação nos Estados Unidos e no Canadá, com produções capazes de gerar maior repercussão cultural.
Há ainda um pano de fundo. O Los Angeles Times revelou, em reportagem publicada ontem, 15, que a pressão para aumentar o tempo de consumo na Netflix está provocando uma disputa interna entre as equipes responsáveis pelo conteúdo e aquelas encarregadas de promovê-lo dentro da plataforma.
A apuração é de Wendy Lee, que ouviu fontes familiarizadas com a situação, sob anonimato. Segundo a jornalista, os dois lados divergem sobre as razões para a desaceleração do engajamento: enquanto alguns funcionários consideram que os filmes e séries oferecidos não são suficientemente atraentes, outros argumentam que a Netflix poderia fazer um trabalho melhor de promoção desses títulos dentro do próprio serviço.
Uma das fontes descreveu a situação como um impasse, acrescentando que, quando os resultados não aparecem, as equipes começam a apontar culpados umas para as outras. É uma disputa sobre a responsabilidade pelo desempenho dos conteúdos: o problema está na programação ou na capacidade da plataforma de fazer o público consumi-la?
Só que o problema não é necessariamente do conteúdo, nem de divulgação. É de estratégia de programação e formato. Por isso, da minha perspectiva, a visão da TV tradicional é importante. Vou explicar.
O streaming tem como uma de suas bases a produção de séries originais de temporadas curtas, lançadas simultaneamente. Ele investe em muitas produções e algumas delas alcançam sucesso cult, sim – como Wandinha, Bridgerton e tantas outras. Porém, semana a semana, outros títulos falham em se tornarem ícones populares, ainda que funcionem bem em determinadas bolhas. Nos filmes, como já relatado recentemente nesta newsletter, o efeito é pior.
Existe uma grande chance de você assistir a algo na Netflix e até gostar, mas simplesmente esquecer completamente do que viu pouco depois.

Nárnia: O Sobrinho do Mago, de Greta Gerwig, é a nova aposta da Netflix na experiência cinematográfica, com estreia nas salas em fevereiro, quase dois meses antes de chegar à plataforma (Foto: Peter Mountain/Netflix)
O problema é que a plataforma subestimou como ela é consumida. As pessoas assistem ao serviço enquanto lavam a louça, correm na esteira, conversam, se distraem, comem, etc. Certa vez, a produtora de cinema Iafa Britz, de Minha Mãe é uma Peça, me disse uma coisa genial – e óbvia, como são muitas das coisas geniais: “O pior inimigo de um filme é o iFood”.
A Netflix é ciente disso, sim. Não é por menos que, no começo do ano, uma declaração de Matt Damon provocou polêmica: o ator afirmou que a plataforma sugeria reforçar os principais pontos do roteiro de três a quatro vezes, por causa dos espectadores distraídos. A plataforma negou que essa fosse uma orientação, e Ben Affleck, que participava da conversa, afirmou posteriormente que a declaração havia sido mal interpretada. Só que essa é apenas uma parte do problema.
Há duas edições, abordei por aqui como uma pesquisa sobre a atenção em anúncios traz alguns ensinamentos sobre o conteúdo. Resumidamente, cabe aqui dizer que podemos ver um vídeo sem prestar atenção. E sem atenção, não se forma memória. Aqui, eu complemento: sem memória, não se criam fãs.
É por isso que o cinema é imbatível nesse quesito. Uma sala escura, quase hermética, foco concentrado. Fora a farra de ver acompanhado. A telona cria memórias de uma vida, alimentando uma base de entusiastas que, depois, vão tocar outros e consumir produtos derivados.
Sabe quem tem que lidar com as mesmas dificuldades que a Netflix há décadas? A TV. Ao assistir, as pessoas também se distraem, comem, conversam ou simplesmente deixam a transmissão como ruído de fundo. Por sobrevivência, as emissoras e a teledramaturgia aprenderam a lidar com isso.
Os exemplos são claros. As novelas brasileiras, por exemplo, possuem mais de uma centena de capítulos, exibidos diariamente, pegando o público pela repetição de padrões e criando costume. As séries clássicas tinham de 22 a 24 episódios por temporada, com cliffhangers e hiatos que engajavam os fãs e fomentavam discussões. Será que fenômenos como 24 Horas ou Lost se repetiriam hoje na Netflix?
Ok, esses dois títulos já foram sucesso de audiência no streaming. Mas não como na sua primeira exibição, e sim por um público que queria reviver a sensação que teve lá atrás – ou por aqueles espectadores que chegaram por conta da dimensão cultural que tiveram.
Eventos ao vivo são, sim, parte importante nesse caminho. Só que custam caro, e a Netflix parece disposta a investir em esporte até um certo ponto. Mas por que não aproximar também um pouquinho mais sua produção original da lógica de programação da TV tradicional?
Uma coisa é certa: Ted Sarandos parece finalmente ter valorizado o poder do cinema tradicional na criação de fãs. Nárnia: O Sobrinho do Mago, da diretora Greta Gerwig, é a primeira grande iniciativa nesse sentido, com pré-estreias exclusivas em IMAX no dia 10 de fevereiro e lançamento nos cinemas no dia 11. Na Netflix, chegará apenas em 2 de abril.
O trailer já divulgado está lindo, e revela que a magia da telona pode entregar algo que nenhuma televisão consegue nesse nível: fãs maravilhados.
Outros destaques em Quadro
👀 Vem aí. A Globo realizou na última quarta-feira, 14, o seu Upfront 2027 – em que antecipa ao mercado publicitário as novidades para o próximo ano. Quadro estava presente no Auditório do Ibirapuera e pôde conferir uma grade que aposta naquelas que já são as principais fortalezas do grupo: a dramaturgia consolidada, o tradicional entretenimento de auditório, realities de grande apelo e um jornalismo que tem a credibilidade como um dos seus principais lemas.
Entre as novidades, vale destacar o reality show Academia dos Nepo Babies, apresentado por Ticiane Pinheiro; o retorno de Márcio Garcia, em um novo programa ainda sem título; e a chegada do BBB ao Roblox. O futebol também vai ser uma vertical importante: além da própria transmissão da Copa do Mundo Feminina, Sabrina Sato e Blogueirinha terão programas ligados ao torneio, no GNT e no Multishow, respectivamente. No esquenta para o Mundial, haverá ainda a novela das 18h Tempos de Glória, sobre uma jovem que sonha jogar futebol nos anos 1940, às vésperas da proibição da modalidade entre mulheres; e o filme Marta, sobre a Rainha dos gramados e que será lançado nos cinemas em 8 de abril. A cereja do bolo, claro, foi Avenida Brasil 2, continuação do sucesso da casa.
Para além da programação, chamou a atenção o quanto o Grupo Globo tentou se posicionar como “influência”, na criação de memes, na relevância que tem entre os brasileiros e na nossa atenção – em uma disputa contra o YouTube pelas verbas publicitárias que não são, tradicionalmente, da TV. Escrevi sobre isso na minha coluna no UOL.

O elenco de Avenida Brasil 2 reunido no palco do Upfront 2027 da Globo, em São Paulo (Foto: Renan Martins Frade / quadro.news)
🫠 Derretendo. Desde a conclusão da fusão entre Warner Bros. Discovery e Paramount Skydance, as ações da Skydance acumulam queda de aproximadamente 25%. Ajustando a conta para incluir os warrants distribuídos aos acionistas, a perda de valor econômico fica perto de 20%. A companhia vale hoje cerca de US$ 37 bilhões, contra US$ 46,6 bilhões antes da distribuição desses títulos.
Mas a conta é ainda pior a partir de outra perspectiva. Antes da união, os dois grupos valiam juntos US$ 88,7 bilhões. Em comparação com o valor de mercado atual, isso representa uma redução de aproximadamente 58%. A comparação não é exatamente bananas com bananas, já que houve pagamento em dinheiro aos acionistas da WBD, emissão de dívida e reorganização do capital, mas traz outra perspectiva para o que está acontecendo.
Essa é uma verdadeira constante nas fusões e aquisições em grande escala do entretenimento: nem sempre 1 + 1 valem 2. Nesse caso, a conta está mais para 0,8.
Irmãos Warner (e a Irmã Warner) causam caos em Hollywood. No Judão, escrevi uma paródia sobre o momento em que Yakko, Wakko e Dot, de Animaniacs, descobrem o novo adesivo com os dizeres “A Skydance Corporation” na caixa d’água que chamam de lar. É uma brincadeira, claro. Mas os negócios por trás dela são bem reais.
Falha de San Andreas. Nova York pode se tornar em breve o principal polo de audiovisual dos EUA. Dados da ProdPro obtidos por The Hollywood Reporter estimam que produções roteirizadas live-action gastaram US$ 1,614 bilhão no estado no terceiro trimestre, uma alta de 87% em relação ao mesmo período de 2025. A região agora está próxima da líder histórica, a Califórnia, que avançou apenas 17% na métrica, chegando a US$ 1,761 bilhão. No acumulado de janeiro a setembro, a Califórnia ainda lidera por US$ 4,67 bilhões a US$ 3,55 bilhões.
O estado da Costa Leste tem sido agressivo nos incentivos à produção – o que também agrava a crise em Hollywood, já que o Golden State enfrenta concorrência não só dentro dos Estados Unidos, mas também de outros países que seguem se tornando mais atrativos para as filmagens e a pós-produção. A Califórnia já se movimentou com novos estímulos, e há também um movimento para um grande projeto federal.
Vale dizer que, se Nova York assumir a primeira posição do ranking, será uma grande mudança no pêndulo do mercado. Uma tendência que talvez já seja tarde demais para reverter.
🕹️ Joystick e telona. O Cinesystem abriu no Bourbon Shopping, em São Paulo, o primeiro Cinesystem Play: mais de 20 estações de arcade, simuladores e realidade virtual, salão de festas para 60 pessoas e uma atração temporária de dinossauros. Diferentemente do projeto de Porto Alegre, que substituiu duas salas por boliche, jogos e alimentação, o piloto paulistano preserva as 11 telas, incluindo a IMAX, e ocupa áreas antes subutilizadas. A expansão da submarca dependerá de fluxo, adesão às atrações e comportamento de consumo neste teste inicial. Marcos Barros, fundador e CEO da companhia, deu mais detalhes para a Exame.
Por um lado, é um meio relativamente barato de diversificar metros quadrados já contratados – e, no caso da unidade do Bourbon, de uma parte que não era mais aproveitada. Mas ainda resta entender como esses dois negócios podem funcionar em conjunto. Será que é possível converter o público gamer que estará no local em espectador? Há, ao menos, uma lógica por trás: com o cinema virando cada vez mais um grande evento de experiência, há uma convergência com o apelo de um arcade. Vamos ver o que os resultados vão dizer.
Rolando os dados

Enquanto tanto se fala no avanço do vídeo online, os dados do Ibope mostram um outro movimento: foi a TV paga que recuperou espaço nos últimos meses. Entre julho e setembro, sua participação no consumo domiciliar de vídeo no Brasil subiu de 6,7% para 7,8%, enquanto a TV aberta recuou de 55% para 54%. Será que as eleições ajudam a explicar esse crescimento? O interesse pelo noticiário político e a migração de espectadores durante o horário eleitoral são hipóteses, mas a alta já vinha desde agosto. Os dados completos, incluindo a participação de YouTube, Netflix e outras plataformas, estão disponíveis no site do Ibope.
Tão falando por aí...
Reese Witherspoon e a Mediawan compraram a Hello Sunshine da Candle Media. O valor oficial não foi divulgado, mas fontes da Axios e do TheWrap situam a transação na faixa de algumas dezenas de milhões de dólares. Em 2021, a Candle havia adquirido o controle da produtora de Reese em uma operação que a avaliava em cerca de US$ 900 milhões. A venda foi feita no auge da corrida por conteúdo, enquanto a recompra acontece nas vacas magras – o que ajuda a explicar a diferença de preço. Agora, a Hello Sunshine se junta a quase cem produtoras da Mediawan, entre elas Plan B, Chernin Entertainment e See-Saw Films.
Em 2029, os serviços de streaming obterão mais receita com planos sustentados por publicidade do que com assinaturas premium sem anúncios. Essa é a projeção da Ampere Analysis divulgada durante a Mipcom. Para 2030, a consultoria estima aproximadamente US$ 60 bilhões provenientes dos planos com anúncios, ante US$ 55 bilhões dos premium. A Ampere também calculou que a carga de anúncios da Netflix nos EUA cresceu 90% entre janeiro e setembro de 2026. O número mede volume publicitário, não faturamento. (via Advanced Television)
Mipcom termina menor do que em 2025. O balanço divulgado pela organização do evento trouxe um total de 10.100 participantes, 3.150 compradores e 104 países. Em 2025, foram 10.600 participantes, 3.340 compradores e 107 países. Isso representa quedas aproximadas de 4,7% no público total e 5,7% entre compradores. A organização e parte dos expositores procuraram deslocar a avaliação de volume para a “densidade” de tomadores de decisão, mas não divulgaram valor de negócios, número de contratos ou volume de conteúdo negociado que permita verificar essa percepção. Parece que a “era da fartura” do audiovisual realmente ficou no passado. (via Variety)
Xbox cria laboratório para romper a ligação entre jogo e hardware. A Microsoft anunciou o Xbox Labs, pequeno grupo de desenvolvedores, engenheiros e cientistas liderado pelo CTO Scott Van Vliet. O time pesquisará tecnologias para recompilar jogos em dispositivos não previstos originalmente, executar títulos em navegadores e permitir que jogadores modifiquem ou recombinem experiências. A CEO do Xbox, Asha Sharma, relacionou explicitamente a iniciativa ao avanço de agentes de IA na programação. Já existem, na web, projetos independentes de vibe coding para criar ports de games. Mais uma vez, a empresa se volta a um possível mundo “pós-consoles” para os títulos AAA, reduzindo a dependência de plataformas específicas – agora usando a inteligência artificial. Será que vai para frente? (via XBOX Wire)
A compra do Roku pela Fox foi aprovada pelos acionistas, com valor de empresa estimado em US$ 22 bilhões. A aprovação não resolve o principal obstáculo: o Departamento de Justiça norte-americano já apresentou um segundo pedido de informações, prolongando a análise antitruste. O prazo legal só volta a correr depois de ambas as empresas cumprirem substancialmente a solicitação. Roku alcança mais de 100 milhões de domicílios de streaming; a Fox já controla a Tubi, que declara 110 milhões de usuários ativos mensais. (via TheWrap)
Spotify transforma pesquisa cultural em argumento publicitário. O Culture Next 2026 analisou 4,2 milhões de músicas e 680.879 episódios de podcast. Segundo a empresa, a participação do vídeo nos streams dos programas entre usuários mais jovens cresceu 75% entre janeiro de 2025 e junho de 2026. No Brasil, os estilos musicais anime, trap e funk brasileiro se destacam em contextos de treino e games. O estudo combina dados internos com pesquisa declaratória. Leia a pesquisa completa.
Grupo Globo demite executivo e expõe conflito entre publicidade e jornalismo. A decisão ocorreu após serem divulgadas mensagens em que Frederic Kachar, diretor-geral de mídia impressa e rádio, negociava com Daniel Vorcaro gordas verbas publicitárias para publicações da Editora Globo e a promoção de projetos ligados ao ex-banqueiro. A empresa classificou a relação como inadequada e reiterou a sua missão de independência editorial. No entanto, essa é uma mancha relevante na reputação de uma organização que sempre ressaltou sua independência e valores jornalísticos. Um caminho, agora, precisaria ser o redesenho da governança. (via UOL)
Endemol Shine Brasil e Podpah fecharam uma parceria para adaptar formatos televisivos ao ambiente digital e desenvolver IPs originais. O acordo prevê três projetos para 2027. O primeiro é uma nova versão de Temptation Island – Ilha da Tentação, com possibilidade de distribuição por Podpah TV e Madhouse TV. É uma tentativa concreta de levar formatos globais para redes creator-led e abrir inventário comercial fora da televisão e dos streamings tradicionais. Os outros dois projetos ainda não foram revelados. (via PropMark)
A Character.AI, em recuperação judicial nos EUA, acertou com a Disney uma oferta-base de US$ 20 milhões por uma licença perpétua e não exclusiva de parte de sua tecnologia e propriedade intelectual. A empresa do Mickey também contratou a maior parte dos funcionários e está oferecendo serviços de transição, mas não pretende adquirir os dados dos usuários. A aposta: internalizar a criação de IAs com seus personagens, sem precisar adquirir a plataforma inteira. A operação depende de aprovação judicial e pode ser superada por proposta maior. (via TheWrap)
A transmissão ao vivo do esporte vai virar um shopping vivo? Imagine: no meio do jogo, você pode comprar a camisa dos times, ou algum produto anunciado em campo? É essa a reflexão que traz Gustavo Poli, ex-executivo da Globo, em um novo texto publicado no Substack. No artigo, Poli parte dos anúncios interativos do Prime Video — que no Brasil já permitem adicionar produtos ao carrinho pelo controle remoto ou receber links no celular — e projeta agentes de IA capazes de interpretar o contexto da partida e executar compras personalizadas. Vale ler.
Ticketmaster, controlada pela Live Nation, acertou a compra da Bilheteria Digital por cerca de R$ 150 milhões. A apuração é do Pipeline. A operação ainda depende de aprovação do Cade. Fundada em 2009, a Bilheteria Digital afirma ter vendido cerca de 40 milhões de ingressos e trabalhar com mais de 7 mil atrações por ano, incluindo Tardezinha e Festival de Parintins. Ou seja, o negócio amplia não só as vendas da gigante norte-americana, mas também dados de público e o relacionamento comercial com grandes eventos regionais.
Omelete e CCXP integram equipes, dados e desenvolvimento de produtos sob o comando de Thiago Romariz, agora diretor de produtos. O caminho é bem claro: conteúdo gera dados; os dados orientam experiências, produtos e ofertas para marcas; e o evento devolve informações sobre comportamento e consumo. As frentes B2C e B2B serão trabalhadas conjuntamente, com foco em produtos recorrentes e oportunidades comerciais que não dependam somente de visualizações ou dos dias de realização do evento. (via M&M)
Espalhe o Quadro
Gostou desta edição? Ajude Quadro a chegar a mais gente. Encaminhe esta newsletter ou recomende a assinatura para quem também quer entender o que acontece nos negócios da indústria do entretenimento — e o que está por trás dos fatos.