Edição #14 - quadro.news
No Quadro de hoje
Wall Street entrou no mundo invertido? Confira os assuntos da edição desta sexta-feira na newsletter:
O impacto das eleições nos EUA no mercado financeiro – e por que isso importa para o entretenimento;
O dilema da Meta com o Facebook – e seu novo programa para atrair criadores;
A possível venda do Letterboxd e a expansão do universo de Stranger Things;
O poder dos fandoms na política e os investimentos da Amazon em creators no Brasil;
A preocupação com os mercados de previsão e as pressões na Disney;
Os balanços de Sony, Nintendo, Lionsgate e AMC – e muito mais.
Em meio a fatos desconectados, algoritmos e slop de IA inundando os feeds, acompanhar o que realmente importa nos negócios do entretenimento ficou mais difícil. Quadro faz essa curadoria por você: duas newsletters por semana, com análise e contexto, direto na sua caixa de entrada. Assine e não perca as próximas edições.
One hit wonders
Jonathan Garson assumirá a presidência da Pixar em janeiro, enquanto Jim Morris passará a presidente emérito depois de 12 anos no cargo. Pete Docter permanecerá como diretor criativo. A mudança é institucional, sem alterações anunciadas nos projetos em desenvolvimento.
O brasileiro Roberto Stanichi será o VP global de produtos de consumo e experiências da Netflix, deixando a presidência de marketing e marca da Mattel. O executivo irá supervisionar licenciamento, varejo e operações como a Netflix House. É mais um passo na tentativa de capturar receita de IP para além das assinaturas.
O entretenimento aposta na IA, mas Wall Street vê um problema
O mercado financeiro norte-americano está sofrendo com uma semana cheia de viradas e mudanças de humor. E, claro, isso tem impactos no mundo do entretenimento.
Tudo começou com a onda azul do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato. O partido conquistou a maioria no Senado e na Câmara dos Representantes (o equivalente à nossa Câmara dos Deputados), em uma derrota republicana que remete às eleições de 1974, após o escândalo Watergate.
A primeira reação de Wall Street foi de euforia. Na quarta-feira pós-resultados, o índice Dow Jones ganhou 3,03%; o S&P 500, formado por empresas de grande capitalização, subiu 1,58%; e o Nasdaq Composite, com forte peso de tecnologia, cresceu 1,44%.
Para a nossa indústria, foi ainda melhor: a Disney teve um incremento de 4,18% no valor de suas ações, enquanto a Netflix, combalida há bastante tempo, reagiu e ganhou 4,68%. Amazon, Meta e Alphabet (Google) também subiram, assim como companhias de TV, exibidores, etc.
As grandes forças por trás desse otimismo foram a redução da incerteza eleitoral, a expectativa de que o Legislativo contenha as decisões mais imprevisíveis da Casa Branca e a queda de quase 9% no valor do petróleo. Mas aquele mesmo dia já trazia a desconfiança. Operadoras de data centers e fornecedoras de IA caíram.
A semente germinou no dia seguinte, e o movimento de alta foi completamente revertido. A Nasdaq caiu 5,52%, para 24.315 pontos, e encerrou o pregão cerca de 12% abaixo do recorde de 6 de outubro, confirmando a entrada em território de correção. A Nvidia recuou 9,26%, enquanto a Meta perdeu 3,96% do valor de suas ações. O entretenimento também foi afetado, ainda que em menor escala. Disney caiu 1,45%, Netflix 1,25% e Roku 1,47%.
Em parte, houve uma preocupação a partir dos resultados considerados decepcionantes de fabricantes de chips, além do alto custo com a construção de data centers e dúvidas sobre os retornos dos investimentos em IA.
Wall Street também resolveu olhar com mais cuidado para quem tinha vencido as eleições. Segundo estimativas do Goldman Sachs, estados onde o desenvolvimento de data centers pode enfrentar novas restrições concentram aproximadamente 45% da capacidade planejada nos EUA. O Texas, onde houve uma histórica vitória democrata, responde por cerca de 25%.

Moradores protestam contra a construção de um data center do Google em Minnesota, nos EUA, durante manifestação com Jake Johnson, candidato democrata ao Congresso que lidera a disputa eleitoral por apenas 321 votos, ainda sem resultado definitivo (Imagem: Jake Johnson for Congress)
É aqui que entra o grande dilema dos centros de dados. O treinamento da inteligência artificial exige estruturas enormes, com muitos equipamentos. Para além da dificuldade global na produção de chips e memórias para dar conta da demanda, esses edifícios necessitam de terrenos espaçosos, obras enormes e muita energia para funcionar. Dependendo do sistema de resfriamento, também podem consumir grandes volumes de água.
A maior polêmica é que os data centers necessitam de uma grande força de trabalho durante a construção, mas de poucos funcionários durante a fase de operação – que tem potencial para durar décadas. Além disso, os críticos apontam que a pressão sobre a rede elétrica e os recursos hídricos pode afetar a população do entorno, além de ter impactos no meio ambiente. Por outro lado, os defensores afirmam que o recolhimento de impostos pode impactar positivamente na vida das comunidades, que fontes de energia renovável podem ser empregadas e que já existem tecnologias para reduzir (inclusive a quase zero) o uso de água.
Seja como for, o medo do mercado ainda está na segunda parte: ainda que não seja aprovada uma proibição a esse tipo de estrutura, o nível das exigências pode subir – aumentando custos ou impedindo novos centros de dados em certas regiões.
São assuntos para ficarmos de olho. Data centers são peças importantes de big techs também envolvidas com entretenimento, como Meta e Amazon. No caso da Netflix e outros streamings, o impacto é “de raspão”, mas existe: o vídeo sob demanda também precisa desse tipo de infraestrutura, ainda que em estruturas menores e menos complexas. Possíveis mudanças na legislação também podem afetar esse mercado.
Tem mais. Uma construção mais lenta pode encarecer a computação para IA, VFX, games, publicidade e algoritmos de recomendação, além de obrigar as big techs a usar melhor a capacidade existente. Isso tudo pode afetar o uso da inteligência artificial como fonte de inovação, tanto na produção quanto em plataformas disponibilizadas diretamente aos usuários.
Há um possível impacto no Brasil. A escassez de terrenos e de fontes de energia nos EUA já estava fazendo do nosso país um lugar atrativo para data centers para IA. Entre nossos trunfos, temos uma matriz de energia muito limpa, impulsionada pelas hidrelétricas e eólicas. Em alguns casos, há sobras.
Hoje, há um lobby junto ao governo federal e de estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Ceará e Rio de Janeiro para esse tipo de construção. Problemas na América do Norte poderiam trazer parte dessa nova capacidade para cá, ajudando a aliviar, para as companhias internacionais, os gargalos de oferta e o risco de encarecimento da computação apontados no trecho anterior. Mas a presença física desses data centers no nosso país não significaria controle nacional da infraestrutura: as empresas daqui continuariam dependendo dos serviços de seus operadores, muitos deles estrangeiros.
Porém, por aqui também existem opositores. Eles apontam os mesmos problemas: necessidade de pouca mão de obra na operação, gastos excessivos e impactos no meio ambiente.
O Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter) foi aprovado no Congresso e sancionado em setembro, dando incentivos fiscais e exigindo contrapartidas. Porém, o texto original exigia abastecimento exclusivo por fontes "limpas ou renováveis", mas a versão final fala apenas em "renováveis ou de baixa emissão". Além disso, a lei ainda não foi regulamentada.
Como vemos, mídia, tecnologia e entretenimento seguem empolgados com o impacto da IA em nossas vidas e produção cultural. Só que a população tem outro tempo, outras preocupações. Isso enquanto Wall Street segue firme e forte sendo… Wall Street.
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Tão falando por aí...
🗳️ Das urnas. O resultado eleitoral não resolveu a principal demanda imediata do setor do entretenimento: o incentivo federal à produção. O projeto tem apoio bipartidário, mas dez dos 31 republicanos que o coassinam não estarão no próximo Congresso. A Variety aponta que Hollywood pode tentar aprovar a proposta até o fim do ano ou reiniciar a tramitação quando os democratas assumirem o controle. A troca de maioria melhora a afinidade política, mas pode atrasar a votação.
A nova maioria também poderá ampliar a fiscalização sobre Brendan Carr e a FCC (que foi usada nos primeiros dois anos da atual gestão federal para pressionar as emissoras de TV), discutir a recomposição do financiamento da mídia pública e investigar as relações entre empresas de mídia e o governo Trump. The Hollywood Reporter aponta David Ellison (Skydance), Lachlan Murdoch (Fox Corp) e outros executivos como possíveis alvos de audiências sobre negócios e vínculos políticos.
Resumindo: podemos ter um período em que as perspectivas de sindicatos e produtores encontrem um ambiente político mais favorável para florescer, enquanto os grandes conglomerados ficarão mais expostos. Pode ser, também, que novos processos de fusão e aquisição em Hollywood não sejam mais tão tranquilos junto ao governo federal como têm sido desde o ano passado. Já a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance está concluída e não poderá ser desfeita apenas pela mudança de maioria no Congresso, mas isso não impede uma maior fiscalização a partir de agora.
🚲 Outra dimensão. A Netflix anunciou nesta sexta-feira (6) Outros Mundos: Uma Aventura Stranger Things, série live-action que expande o universo de uma de suas maiores propriedades intelectuais. A produção será ambientada nos anos 1950, décadas antes dos acontecimentos da original, com novos personagens e estreia prevista para 2028. Os irmãos Duffer seguem envolvidos, enquanto Kate Trefry, que trabalhou na série original e na peça teatral Stranger Things: The First Shadow, assume a produção executiva e o roteiro. Joe Wright, de Orgulho & Preconceito, dirigirá os três primeiros episódios.
O movimento é interessante porque Stranger Things chega a um estágio em que precisa demonstrar que seu universo pode continuar relevante para além dos personagens e do elenco que o transformaram em um fenômeno. E isso acontece em um momento em que a Netflix enfrenta dificuldades para ampliar o tempo de consumo de seus assinantes: as horas assistidas cresceram apenas 1,5% em 2025 e 2% no primeiro semestre de 2026, apesar do avanço das receitas e dos lucros – um dilema que você já leu aqui em Quadro. Uma nova história dentro de uma franquia tão conhecida pode ajudar a recuperar o crescimento do watchtime e do engajamento, inclusive estimulando o público a revisitar as temporadas anteriores – algo que a produção original conseguiu fazer ao longo dos anos.
Mas o negócio vai além das horas assistidas. A Netflix já explora Stranger Things com licenciamento de produtos, experiências presenciais, teatro e animação. Expandir esse universo significa também criar novas possibilidades comerciais, com outros personagens e enredos que podem sustentar produtos e iniciativas, além de manter a marca em evidência mesmo sem o retorno dos protagonistas originais. A questão é se o público continuará interessado em Stranger Things quando a atração deixar de ser, principalmente, a turma de Hawkins. Para a Netflix, a resposta pode determinar até onde uma de suas maiores franquias ainda consegue crescer.

Outros Mundos: Uma Aventura Stranger Things é mais uma aposta da Netflix para prolongar a vida comercial de uma de suas maiores franquias, explorando novas histórias e oportunidades de licenciamento (Crédito: Divulgação/Netflix)
🫥 Ecos da solidão. A Meta vive um dilema: qual é a função do Facebook no atual panorama da internet? A vocação inicial da rede social era a conexão entre pessoas, mas isso foi ficando soterrado por cada nova funcionalidade, métrica e ambição que a plataforma foi tendo com o tempo. Hoje, uma das buscas da empresa tem sido a ampliação do watchtime dos usuários dentro do app – incorporando assim um dos diferenciais do Instagram, o Reels. Só que os criadores de sucesso não estão, em grande parte, lá dentro. Por isso, a companhia de Mark Zuckerberg já emprega há algum tempo projetos de “incentivo” e “aceleração” para quem quiser fazer essa migração.
A iniciativa mais recente, lançada nos últimos dias no Brasil, é o Facebook Creator Fast Track. O novo programa incorpora algumas das reclamações da comunidade brasileira com as iniciativas anteriores, passando a pagar em dólares diretamente para o creator – caso ele cumpra algumas metas, incluindo um volume mínimo de publicações. Os valores ficam entre US$ 25 e US$ 300 por ciclo de 30 dias, dependendo do número de seguidores, com um pagamento total entre US$ 75 e US$ 900 durante todo o programa, que dura três meses. É preciso ter no mínimo 20 mil seguidores em plataformas como Instagram e TikTok. O objetivo não parece ser fornecer uma nova renda para produtores, mas sim reduzir o custo do criador para testar – na esperança de que, após o período, a monetização do conteúdo já esteja entrando na conta. Confira aqui os detalhes e as agências pelas quais as inscrições podem ser feitas.
As dúvidas que ficam: o incentivo monetário é o suficiente, principalmente para quem já tem uma renda consolidada em plataformas concorrentes? E será que o papel do Facebook – e o que as pessoas esperam dele – é esse?
🧩 Encaixado. A New York Times Company, dona do jornal The New York Times, entrou em fase de negociações exclusivas para comprar a rede social cinéfila Letterboxd por aproximadamente US$ 330 milhões. Não há ainda um acordo definitivo, mas a empresa precisou superar concorrentes como Sony e A24 – além de Netflix e Skydance, que também demonstraram interesse. Com mais de 30 milhões de membros, a plataforma se destacou por atrair um nicho extremamente engajado e com identidade cultural, trazendo junto dados sobre comportamento, gostos, consumo e transações.
Para o NYT, o movimento faz parte de uma interessante diversificação do negócio, que tem adquirido comunidades verticais e produtos para públicos específicos – como, por exemplo, em 2022, o joguinho de letras Wordle. Incorporar o Letterboxd aparenta ser complementar aos negócios editoriais. A tendência, caso o negócio avance, é de operação independente, com integração da tecnologia publicitária do Times. A plataforma também vende assinaturas Pro e Patron e já opera aluguel de filmes em 23 mercados.
O preço, no entanto, parece alto: equivale a cerca de 22 vezes o resultado operacional estimado para 2026, medido pelo Ebitda. O grupo vai ter que entender muito bem como extrair valor das possibilidades que chegarão junto com o novo negócio. De qualquer forma, os estúdios devem ficar felizes: com um comprador “neutro”, diminui o risco de que o Letterboxd passe a privilegiar conteúdos e iniciativas de um concorrente.
Na minha coluna no UOL, usei o desempenho de BTS World Tour “Arirang” in São Paulo: Live Viewing nos cinemas brasileiros para analisar receitas alternativas dos exibidores. Além de lotarem salas, iniciativas do tipo podem trazer outras fontes de renda – e revelam que o poder da telona não está nos filmes, mas sim na experiência que ela cria. Leia clicando aqui.
Outros destaques em Quadro
Fandoms levaram técnicas de mobilização da cultura de fãs para a política. É o que aponta um relatório do CULTPOP/UFF, que documenta como práticas desenvolvidas em comunidades de música pop, games, literatura, esporte e creators foram reaproveitadas nas eleições brasileiras de 2026: missões, mutirões, charting, memes, recompensas simbólicas, coordenação em grupos fechados e cobrança pública de artistas e influenciadores. Ou seja, as comunidades de fãs vão muito além do consumo: são também redes de distribuição, produção e mobilização cujo trabalho voluntário gera alcance para campanhas, plataformas e personalidades. Para marcas e empresas culturais, isso aumenta tanto o valor desses grupos quanto os riscos de brand safety, desinformação, deepfakes e conflitos sobre o posicionamento de artistas. Leia o estudo completo aqui.
Estúdios e produtoras estão orientando funcionários a não apostar em mercados de previsão sobre acontecimentos dos quais possam ter informação interna – incluindo escalação de atores, datas de estreia, resultados financeiros e cronogramas. A apuração é do THR. A Penske Media também atualizou seu manual e a Apple incluiu essas plataformas em sua política de insider trading. A dificuldade está na fiscalização dessas apostas, já que nem sempre é possível identificar quem está por trás das operações, e as regras ainda não têm o mesmo histórico de aplicação do mercado acionário.
Amazon quer mais que dobrar o investimento anual em creators no Brasil até 2027, em comparação com 2025. A operação combina afiliados, influenciadores e comércio dentro de outras plataformas. Produtos da Amazon podem ser incluídos em vídeos pelo YouTube Shopping; peças produzidas por creators podem virar anúncios impulsionados no Instagram e Pinterest; e as conversões em Prime, Kindle Unlimited e Amazon Music Unlimited também geram recompensas. Mais de mil participantes estarão envolvidos na Black Friday, acompanhados por lives de compras nos dias 11 e 27. A big tech afirma ter destinado R$ 1 bilhão ao segmento desde 2020, incluindo remuneração, ferramentas e tecnologia, mas não abriu o valor anual atual nem a divisão entre pagamentos e investimentos em infraestrutura. (via M&M)
Funcionários da Disney pressionam gestão, mas seguem sem cronograma de demissões. O questionamento ocorreu em um town hall realizado ontem (5), com profissionais das áreas de tecnologia e streaming, que perguntaram quando poderia acontecer uma nova rodada de cortes e como ela afetaria as equipes – possibilidade já apontada na edição anterior da newsletter. Segundo o Business Insider, os executivos não deram respostas específicas. Quatro funcionários relataram que a incerteza está afetando o moral, enquanto um deles descreveu comportamentos de “parecer ocupado” para demonstrar indispensabilidade.
Campanha de desligamento voluntário da Skydance também alcança equipes de engenharia. Os funcionários elegíveis nos EUA têm até 8 de novembro para aceitar a saída, oferecida em meio à exigência de trabalho presencial cinco dias por semana. O pacote-base apurado pelo Business Insider equivale a duas semanas de remuneração por ano trabalhado; alguns funcionários oriundos da WBD receberam três semanas. A empresa descreveu o programa como oferta única e disse não planejar outra rodada de buyouts. De acordo com Dan Rayburn no LinkedIn, a engenharia está entre as áreas abrangidas, justamente quando o grupo planeja integrar seus serviços de streaming.
Meta suspende por prazo indeterminado os novos termos comerciais após a reação de publishers e decisões judiciais no Brasil e na Noruega. A implementação estava prevista para 20 de novembro. A principal polêmica envolve a possibilidade de coletar conteúdos de sites associados a contas empresariais, inclusive para uso em IA. A companhia retirou a referência explícita ao treinamento, mas manteve a autorização para coleta. Por aqui, a ação foi movida por ANJ (Associação Nacional de Jornais), Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) e Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas). Os termos atuais permanecem válidos enquanto a companhia diz consultar as partes interessadas. (Com Folha e NiemanLab)
Anthropic e Associated Press fecharam um acordo que permitiu ao Claude exibir resultados eleitorais atualizados da AP. A apuração é de Mark Stenberg, da Adweek, que confirmou a negociação com duas fontes. Segundo a reportagem, foi a primeira vez que a Anthropic pagou a uma empresa jornalística digital pelo licenciamento de conteúdo. Não sabemos se há uma autorização para o uso do material para treinamento ou apenas para respostas em tempo real. Valores, duração e outras condições também não foram revelados.
Liberty Media reduz o poder de voto de John Malone. A companhia, que tem ativos como a F1 e a MotoGP, comprou todas as ações supervotantes Série B mantidas por entidades ligadas a Malone, entregando em troca ações Série A, com baixo poder de voto, e Série C, sem voto. Com a operação, o poder agregado do fundador caiu de aproximadamente 48% para cerca de 3%. Agora, nenhum acionista detém mais de 9% dos votos – o que impede a transferência daquele bloco concentrado de votos a terceiros. Para os negócios esportivos e de mídia, isso pode alterar a forma como futuras compras, vendas ou reorganizações são negociadas. (via Reuters)
A A24 vive seu ano mais lucrativo e superou US$ 500 milhões de bilheteria doméstica, impulsionada por Backrooms, The Drama e pelo documentário Tudo Pode Ser Visto. Ao mesmo tempo, concluiu as filmagens de Elden Ring, produção estimada em US$ 200 milhões – disparadamente sua maior aposta. Nesse nível de orçamento, é necessário um alcance internacional, licenciamento e apelo além do núcleo jovem que construiu a marca. Como a Variety aponta, essa é a fase de maior risco financeiro para o estúdio. E, com os resultados recordes e as apostas cada vez maiores, este pode ser o momento de venda da empresa.
Lionsgate volta ao lucro, mas ainda fecha o trimestre no vermelho. No período encerrado em setembro, o estúdio teve receita de US$ 668,8 milhões, avanço de 41%. O resultado operacional passou de prejuízo de US$ 46 milhões para lucro de US$ 29,1 milhões. Ainda assim, a companhia registrou prejuízo líquido GAAP, pelas regras contábeis oficiais dos EUA, de US$ 15,5 milhões. Em base ajustada, apresentou lucro líquido de US$ 20,3 milhões e OIBDA ajustado, indicador que exclui depreciação, amortização e outros itens do resultado operacional, de US$ 72 milhões.
Nintendo ganha mais vendendo menos hardware, e cinema ajuda a quase dobrar a receita com IPs. A companhia de games japonesa registrou receita de ¥966 bilhões (US$ 6,10 bilhões) no primeiro semestre fiscal, queda de 12,1%, mas o lucro operacional aumentou 49,1%, para ¥216,5 bilhões (US$ 1,37 bilhão). O lucro líquido avançou 11%, a ¥220,9 bilhões (US$ 1,39 bilhão). O crescimento veio do mix mais favorável de software e de uma restituição de aproximadamente US$ 300 milhões em tarifas norte-americanas que haviam sido absorvidas. A companhia vendeu 6,49 milhões de Switch 2, 37,4% menos que um ano antes, mas o software para o console cresceu 18,8%, para 24,49 milhões de unidades. As vendas digitais saltaram 60,5%, a ¥249,6 bilhões (US$ 1,58 bilhão), e passaram de 54,5% para 60,7% da receita de software. Mas o forte mesmo foi a receita relacionada à propriedade intelectual, que subiu 87,9%, para ¥62,7 bilhões (US$ 396 milhões), apoiada pelo desempenho de Super Mario Galaxy: O Filme. O valor também inclui vídeos, mobile, royalties e lojas, portanto não corresponde apenas ao longa-metragem.
A Sony encerrou o trimestre fiscal com receita de ¥3,429 trilhões, alta de 10%, e lucro operacional de ¥622,3 bilhões, avanço de 45%. O lucro líquido atribuível aos acionistas cresceu 44%, para ¥449,6 bilhões (US$ 2,84 bilhões). O resultado mostra a vantagem da estrutura integrada da corporação. Games teve receita de ¥1,209 trilhão (US$ 7,63 bilhões) e lucro operacional de ¥220,1 bilhões (US$ 1,39 bilhão), alta de 83%, e cresceram também serviços de rede e software próprio e de terceiros, enquanto as vendas de hardware caíram. Na Sony Pictures, Homem-Aranha: Um Novo Dia levou a receita a ¥513,7 bilhões (US$ 3,24 bilhões) e o lucro operacional a ¥92,6 bilhões (US$ 584,5 milhões), ante ¥13,9 bilhões (US$ 87,7 milhões). A previsão anual do estúdio subiu para ¥200 bilhões (US$ 1,26 bilhão) de lucro operacional. A estratégia de operar com grandes franquias entre cinema, jogos e música segue firme e forte.
A exibidora AMC Entertainment registrou no terceiro trimestre receita recorde de US$ 1,711 bilhão, 31,6% acima de 2025. O lucro líquido foi de US$ 109,3 milhões, contra prejuízo de US$ 298,2 milhões, e o Ebitda ajustado atingiu o recorde de US$ 347,5 milhões. O movimento não veio apenas de aumento de preço: o público nos cinemas da rede nos EUA cresceu 23,3%, de 42,3 milhões para 52,1 milhões, enquanto o ingresso médio avançou 5,4%. A receita de bilheteria nesse mercado aumentou 29,9%, enquanto alimentos e bebidas, taxas sobre ingressos e publicidade também contribuíram para a alta das receitas. São os efeitos de um 2026 que tem sido forte para o mercado cinematográfico.
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Crédito da imagem de thumb: Anthony Quintano/Flickr - CC BY 2.0.