Edição #3 - quadro.news

No Quadro de hoje

Se você apostou, ganhou: a edição de hoje aborda a polêmica proibição das bets no Brasil. Os assuntos deste e-mail:

  • Os impactos do fim dos sites de apostas na saúde pública, na mídia e no entretenimento;

  • O relançamento de Vingadores: Ultimato lidera as bilheterias nos EUA e no Brasil e aumenta a expectativa para o próximo filme da franquia;

  • Universal Pictures bate US$ 5 bilhões de arrecadação nos cinemas de todo o mundo;

  • Streaming da Disney já custa mais que alguns pacotes de TV paga;

  • Globo fala sobre regulação de IA, Microsoft sobre o futuro do Xbox, Itaú avança sobre os negócios do esporte, o desabafo de Vozinha e muito mais.

Em meio a fatos desconectados, algoritmos e slop de IA inundando os feeds, acompanhar o que realmente importa nos negócios do entretenimento ficou mais difícil. Quadro faz essa curadoria por você: duas newsletters por semana, com análise e contexto, direto na sua caixa de entrada. Assine e não perca as próximas edições.

One hit wonders

  • A partir desta terça-feira, começa em São Paulo a Expocine, principal encontro de negócios da indústria cinematográfica na América Latina. Exibidores vão debater os desafios do mercado, enquanto estúdios apresentarão seus próximos lançamentos. Quadro estará presente.

  • O Rio Game da NFL, liga de futebol americano, reuniu 72.792 pessoas no Maracanã. A partida, em que o Baltimore Ravens venceu o Dallas Cowboys, registrou o maior público do estádio em 2026. A Globo exibiu o jogo integralmente no Sportv, Ge TV e no Ge.Globo. Na TV aberta, transmitiu o show do intervalo e programou um compacto após o Fantástico.

Quando o entretenimento vira problema de saúde pública

Como antecipado na edição anterior da newsletter, o presidente Lula editou uma medida provisória proibindo sites de apostas no Brasil a partir de 6 de outubro. Neste momento, existe toda uma discussão – inevitavelmente política – sobre o assunto.

Porém, é preciso dar dois passos para trás. 

Uma pesquisa do Datafolha, publicada em abril, indicava que 46% dos usuários afirmavam apostar para obter renda extra e ajudar a pagar as contas.

Acontece que apostas não são investimento, e isso por uma questão matemática: a maioria dos apostadores, no médio e no longo prazo, terá menos dinheiro após realizar muitas apostas do que tinha antes da primeira “fezinha”. O motivo é a lei dos grandes números: quanto mais vezes um evento aleatório é repetido, mais os resultados observados tendem ao valor esperado.

Resumindo: se você jogar cara ou coroa, pode dar cara nas primeiras cinco oportunidades. Ao repetir o jogo outras mil vezes, a proporção entre os dois lados tende a se aproximar de 50%. Nas bets, contudo, as odds incorporam uma margem para a casa. Com o passar do tempo, essa diferença joga matematicamente a favor da operadora.

Por isso, apostas são, na prática, entretenimento. E esse é justamente o tema de Quadro.

Segundo análise da DW, bets apareceram em 60% dos painéis publicitários ao redor dos campos no Brasileirão de 2024; na rodada final, chegaram a 70% (crédito: reprodução / DW)

O segundo passo é entender o impacto da proibição. O movimento pode parecer inusitado e realmente criar uma instabilidade jurídica, como muitos defendem, mas não é exatamente novo para esta indústria. Aconteceu justamente na pandemia da covid-19.

Naquele momento, por questões de saúde pública, boa parte do entretenimento ao vivo e presencial foi impactada. Cinemas tiveram que fechar, assim como parques, clubes, feiras, exposições e muito mais. Milhões foram afetados, entre frequentadores e trabalhadores. Pessoas ficaram sem seus empregos. A mídia e as plataformas digitais perderam anunciantes. Parte do público ficou sem ter o que fazer.

Contudo, o objetivo maior era salvar vidas. Mais de 7,1 milhões de mortes por covid-19 foram oficialmente notificadas à Organização Mundial da Saúde – e a própria OMS estima que o número real seja maior. No Brasil, foram registradas oficialmente mais de 716 mil mortes. Mais do que números, eram nossos pais, filhos, irmãos, vizinhos, colegas de trabalho, chefes, famosos, amores de uma vida…

Esse total poderia ser menor se outras iniciativas tivessem sido tomadas, mas também muito maior se os fechamentos não tivessem ocorrido. O ponto é que, ainda que existam negacionistas, o isolamento social funcionou.

Naquele momento, havia também o pano de fundo eleitoral. O ano de 2020 foi de eleições municipais, mas, ainda assim, houve muito debate em nível federal sobre as restrições e seus reflexos econômicos e sociais.

Guardadas as devidas proporções, dá para transportar o tema de saúde pública para o momento atual. A comparação não é perfeita: naquele caso, tratava-se de uma emergência sanitária e de restrições temporárias; agora, de proibir uma atividade econômica. Ainda assim, existe uma lógica comum de reduzir o acesso a algo diante dos danos que pode causar.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Unifesp, de abril de 2025, 10,9 milhões de brasileiros apresentavam padrão de jogo de risco, e 1,4 milhão tinha padrão compatível com transtorno do jogo, a chamada ludopatia, com prejuízos sociais ou financeiros. Os dados fazem parte do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), feito para o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

Da mesma forma como ocorreu em 2020, um dos argumentos contrários é o de que o fechamento apenas fará com que as pessoas busquem meios ilegais. Vimos, na pandemia, festas e eventos com aglomeração de pessoas, sim. Contudo, o movimento social e o atrito tiveram efeito para a maioria das pessoas. Além disso, no ambiente digital, essa fricção é ainda mais impactante: chaves Pix podem ser bloqueadas e links para esses sites se tornam obscuros.

Outro ponto, específico do caso de agora, é o fim da hiperestimulação. Um brasileiro comum estava sendo bombardeado por um número incontável de propagandas na TV, na internet, no mobiliário urbano e muito mais, com influenciadores e famosos usando sua imagem para divulgar oportunidades imperdíveis ou mostrar como era fácil apostar.

Para uma parte do público, isso simplesmente vai acabar. Para os 10,9 milhões que jogam de forma considerada de risco, as primeiras semanas serão as mais difíceis – mas contarão com um ambiente com menos estímulos para apostar.

Existe, claro, quem compare com a malfadada Lei Seca dos Estados Unidos, aquela que proibiu a produção, venda e transporte de bebidas alcoólicas entre 1920 e 1933. Para além do vício, a metáfora ignora que o bar possui uma função social, na qual a bebida alcoólica ocupa mais o papel de ferramenta do que a de protagonista.

Uma questão é que a MP tira, de uma hora para a outra, todo um segmento importante de anunciantes. Hoje, sites de apostas são um dos grandes financiadores da televisão e do esporte, comprando cotas e patrocinando clubes. O ranking do Ibope Advertising Intelligence coloca 15 empresas do setor entre os 300 maiores anunciantes do Brasil em 2025, com um investimento total de R$ 3 bilhões.

O problema maior é realmente a transição abrupta. Ainda assim, a mídia e o esporte existiam antes da chegada das bets e podem sobreviver à ausência delas. Já vimos, no passado, ondas de segmentos que tomavam a publicidade de assalto, perdendo relevância ou sumindo pouco depois. Inclusive, essa era a direção das próprias bets: após a consolidação do mercado no Brasil, o valor investido provavelmente cairia significativamente. A MP transforma uma tendência que seria gradual em uma interrupção quase instantânea.

Um exemplo prático de como lidar com isso vem da Fórmula 1. A categoria máxima do automobilismo se desenvolveu por décadas com o dinheiro das companhias de cigarro, com as marcas estampadas em seus carros. Quando os países passaram a proibir a publicidade de tabaco, as equipes partiram em busca de outros bolsos. 

A solução não veio apenas com o dinheiro de big techs e financeiras: ao longo dos anos, a F1 também buscou maior controle dos gastos e novas fontes de receita.

Mas, como em qualquer moeda jogada ao alto, há sempre o outro lado. Dados do Ministério da Fazenda publicados pela CNN Brasil revelam que as casas de apostas receberam R$ 318 bilhões em depósitos entre janeiro de 2025 e junho de 2026.

Só em 2025, foram R$ 220,6 bilhões em depósitos. Depois do pagamento de prêmios, R$ 36,9 bilhões ficaram com as operadoras como GGR (Gross Gaming Revenue). No mesmo ano, cerca de 25,2 milhões de brasileiros adultos apostaram, o equivalente a um gasto líquido médio de R$ 122 mensais por apostador, segundo cálculo apresentado pelo BTG.

É muito dinheiro deixando de circular em outras áreas da economia. Com a proibição, parte dele pode voltar para outras categorias de consumo – e modalidades de entretenimento como cinema, streaming, parques e muito mais também disputarão uma parcela desse valor.

No médio prazo, é razoável apostar – com perdão do trocadilho – que algumas dessas empresas assumam o posto deixado pelas bets entre os grandes anunciantes do país.

No final das contas, a forma, o momento e o prazo podem ser discutíveis, mas, diante do tamanho da repercussão social, a proibição é o melhor caminho para a sociedade como um todo. E, como dizem: “É melhor um fim horroroso do que um horror sem fim”.

Aspas no Quadro

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"Burra é a plataforma ou distribuidora que não respeita a janela de exibição. Quanto mais ela encurta, menos dinheiro faz."

Marcelo Lima, fundador da Expocine e operador do Cine Marquise, sobre a disputa pelas janelas entre cinema e streaming, em entrevista para a minha coluna no UOL. Leia a matéria na íntegra.

Outros destaques em Quadro

🌎 Cinema no mundo. O mercado norte-americano cresceu 16,2% sobre o fim de semana anterior, alcançando US$ 118,2 milhões, de acordo com o Box Office Mojo. O resultado foi impulsionado por cinco títulos acima de US$ 12 milhões. O relançamento de Vingadores: Ultimato Encore ganhou a disputa sem esmagar as estreias, faturando US$ 26 milhões; globalmente, abriu com US$ 86 milhões, o que foi apresentado pela Disney como a segunda maior estreia já registrada por um relançamento – o que cria boas expectativas para a chegada de Vingadores: Doutor Destino em dezembro.

O dado negativo é A Ilha Esquecida: os US$ 12,8 milhões ficaram abaixo da projeção prévia de aproximadamente US$ 20 milhões. O novo Resident Evil, por sua vez, sofreu uma queda acentuada de 61,3% após a estreia de US$ 60 milhões, mas cruzou US$ 100 milhões no mercado doméstico em dez dias.

🇧🇷 Cinema no Brasil. De acordo com a Rentrak, Vingadores: Ultimato Encore também liderou a bilheteria no nosso país, alcançando 472,5 mil espectadores e uma renda de R$ 10,65 milhões. O resultado superou por pouco o fenômeno nacional Minha Melhor Amiga, que levou 409,7 mil pessoas aos cinemas e faturou R$ 9,64 milhões. Resident Evil (209,2 mil espectadores e R$ 4,65 milhões) e Coração Selvagem (166,9 mil e R$ 4,47 milhões) vieram em seguida.

No geral, entre 24 e 27 de setembro, os cinemas movimentaram R$ 34,44 milhões, com público de 1,47 milhão de espectadores – uma queda de 14% em relação ao fim de semana anterior.

Vingadores: Ultimato Encore liderou as bilheterias no Brasil e nos EUA/Canadá. O relançamento traz ainda cenas inéditas que preparam o terreno para Vingadores: Doutor Destino, em dezembro. (Crédito: Divulgação / Disney)

🤑 Money, money. A Universal anunciou que é o primeiro estúdio a ultrapassar US$ 5 bilhões em bilheteria mundial em 2026. A divisão entre mercados é de US$ 1,788 bilhão nos EUA e Canadá e US$ 3,218 bilhões internacionalmente. É apenas a terceira vez na história que a companhia cruza a marca, as outras foram em 2015 e 2017.

O desempenho está concentrado, mas não em um único título: A Odisseia já chegou a aproximadamente US$ 1,75 bilhão, enquanto Michael e Super Mario Galaxy: O Filme superaram US$ 1 bilhão cada. Minions & Monstros e Obsessão alcançaram US$ 523 milhões e US$ 519 milhões, respectivamente. A Universal esteve na distribuição de três dos cinco filmes bilionários deste ano e liderou a bilheteria mundial em 11 fins de semana.

O resultado revela um estúdio que construiu um line-up de lançamentos bem diverso para 2026: tem cinema épico com nome de peso, a bem-sucedida fórmula da biografia musical com um astro pop de nível mundial, franquias de animação consolidadas e uma boa surpresa de orçamento pequeno, dirigida por um cineasta que construiu sua audiência no YouTube.

Coincidência ou não, tudo isso também vem de um conglomerado que saiu atrás na guerra do streaming. O Peacock, da NBCUniversal, existe apenas em território estadunidense e tem bem menos assinantes do que os concorrentes. Nos EUA, os lançamentos dos filmes de cinema na plataforma levam geralmente quatro meses, às vezes menos em caso de produções menores. No Brasil, são cerca de seis meses para chegar ao Prime Video por assinatura. Isso, de alguma forma, pode ainda ter um peso para parte do público.

😞 A prisão da fama. O goleiro Josimar Dias, o Vozinha, fenômeno da Copa do Mundo após fechar o gol de Cabo Verde, deu uma reveladora e sincera entrevista ao Observer. “Eu perdi a minha paz e tranquilidade”, afirmou o jogador, que não consegue mais ter a privacidade que tinha antes. Além do desempenho dentro de campo, o cabo-verdiano explodiu nas redes sociais – foi de 56 mil seguidores para 28 milhões após uma campanha iniciada pela brasileira Cazé TV. “Um monte de gente quer ser famosa, mas vê apenas a parte positiva dessa realidade.”

O desabafo traz reflexões. A primeira é sobre uma sociedade que valoriza o número de seguidores, que prega a vida de creator como o caminho para a fama e o dinheiro – e na qual profissionais de saúde, serviços, restaurantes e muitos outros são avaliados por meio de Reels e Stories. Em outras eras, craques que despontavam de forma surpreendente em um Mundial se tornavam ícones folclóricos, como o camaronês Roger Milla. Não viravam alguém que precisa ter uma audiência própria gigantesca, plano de mídia e operação comercial.

A outra é sobre a Cazé TV. De forma clara, mostrou o peso do canal junto ao público combinado a um evento de atenção hegemônica como a Copa do Mundo. Ao mesmo tempo, levanta questões éticas. Até que ponto é correto pedir milhões de seguidores para alguém que só tinha uma conta de Instagram para dialogar de forma despretensiosa com seus torcedores locais? Por outro lado, sem a campanha, o desempenho de Vozinha em nível mundial não teria provocado um resultado parecido, em termos de fama, no mundo hiperconectado de hoje?

💸 Streaming caro. A Disney promoveu uma série de reajustes em seus serviços de streaming nos EUA. O caso mais emblemático é o Hulu + Live TV, que chegou a US$ 99,99 mensais com o aumento de US$ 10. O valor já é mais caro que o de alguns pacotes de TV paga, como apontou Dan Rayburn no LinkedIn. No Disney+, a mensalidade para os estadunidenses agora está em US$ 12,49 na versão com anúncios e US$ 21,49 sem.

Na prática, o conglomerado do Mickey segue testando a tolerância do público tanto ao preço quanto à publicidade, buscando encontrar o ponto máximo em que os assinantes topam pagar pela versão premium ou migrar para o plano com comerciais. O assunto é importante em um mercado como os EUA, em que é mais difícil ampliar a presença nos lares, mas ainda há espaço para aumentar a receita por assinatura.

Outro estímulo é em relação ao bundle. O pacote do Disney+ com o Hulu agora custa 50 centavos de dólar a mais do que assinar apenas o Disney+ sozinho, tanto na versão com anúncios quanto na sem.

No Brasil, o último reajuste do streaming foi em junho e não houve uma nova alteração de preços.

Estreias da semana

  • Streaming e TV. A semana começou na segunda-feira, 28, com Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba Castelo Infinito I chegando à Netflix e ao Disney+, ampliando a disponibilidade do filme, que já estava no Crunchyroll desde julho. Nesta terça, 29, a Netflix lança LEGO ONE PIECE: A Série, especial em duas partes que reconta acontecimentos das duas primeiras temporadas. Na quinta-feira, 1º, chegam A Leste do Éden, minissérie da Netflix adaptada por Zoe Kazan e estrelada por Florence Pugh; e War, da HBO Max, com Dominic West e Sienna Miller. Na sexta, 2, a Apple TV estreia a segunda temporada de As Irmãs Grimm, com os seis episódios liberados de uma vez.

  • Cinemas. Nesta quarta-feira, 30, Linkin Park: Unshatter tem exibição-evento no Brasil. Na quinta, 1º, chegam Verity, adaptação de Colleen Hoover com Anne Hathaway, Dakota Johnson e Josh Hartnett; Digger, novo longa de Alejandro González Iñárritu com Tom Cruise, Sandra Hüller e Riz Ahmed; e Zona Zero, terror de Yeon Sang-ho, diretor de Invasão Zumbi. Também estreia Protocolo de Extermínio, de Adam Wingard, com Adria Arjona, Dan Stevens e Alex Pereira.

  • Games. Nesta terça-feira, 29, chegam The Witcher 3: Wild Hunt – Remastered, para PC, PS5, Xbox Series S|X e Switch 2, e Minecraft Dungeons II. Quinta-feira, 1º, concentra Dynasty Warriors 3: Complete Edition Remastered, as versões de Octopath Traveler e Octopath Traveler II para Switch 2 e Ghost of Yōtei Complete Edition, com as expansões Echoes of Sekigahara e Most Wanted. Na sexta, 2, Ace Combat 8: Wings of Theve estreia para PC, PS5 e Xbox Series S|X — quem comprou a edição Deluxe já tem acesso antecipado desde terça.

Tão falando por aí...

  • O Itaú criou uma vertical própria para negócios de esporte, mídia e entretenimento, consolidando em uma única área especializada atividades que antes estavam espalhadas pelo banco. O novo setor pretende oferecer crédito, assessoria em operações societárias, estruturação de capital e acesso a investidores globais para clubes, SAFs, grupos de mídia, ligas e eventos. O banco afirma que não pretende investir diretamente em SAFs; quer atuar como consultor e financiador. Isso revela que instituições financeiras estão vendo nessa indústria uma oportunidade de capital estruturado, com grande potencial de crescimento – e que, coincidência ou não, chega junto com a proibição das bets. (via UOL). 

  • YouTube e Meta revertem o bloqueio do anúncio do documentário Musk, de Alex Gibney e sobre o polêmico homem mais rico do mundo. O vídeo havia sido barrado pelas plataformas. O YouTube atribuiu o problema a uma restrição temporária de seu sistema; a Meta disse que a rejeição foi um erro. TikTok e X ainda não haviam aceitado a campanha no momento da publicação. A suspensão estaria associada à presença de imagens consideradas políticas, incluindo Elon Musk em um comício de Donald Trump em 2024. O caso mostra, em parte, como sistemas automatizados de brand safety e regras de publicidade política podem bloquear material jornalístico ou cultural sem uma decisão editorial consistente – e como a pressão pública pode ser importante para a reversão. Ao mesmo tempo, lança luz sobre possíveis conflitos de interesse dessas plataformas. No caso mais evidente, Musk, como se sabe, é dono do X. (via THR)

  • China transforma vídeo com IA em política industrial e já enfrenta excesso de oferta. Governos locais chineses estão oferecendo aluguel subsidiado, bolsas, capacidade computacional e fundos para atrair estúdios de vídeo com inteligência artificial. O resultado é que o custo de um minuto de microdrama sintético caiu de aproximadamente 5 mil yuans (R$ 3.881) para poucas centenas no primeiro semestre. A produção respondeu rapidamente: 221,9 mil programas com IA foram publicados no Douyin (a versão chinesa do TikTok) durante o período, mas apenas 1.055 ultrapassaram 100 milhões de visualizações. Atores também contestam o uso de suas imagens, e a China ainda não tem regras claras de direitos autorais para esse conteúdo, embora exija a identificação de material gerado por IA. Ou seja, baratear a produção não resolveu descoberta, demanda nem propriedade intelectual. No fim do dia, o maior gargalo é a atenção do público – e ela tende a ficar cada vez mais seletiva. (via Reuters)

  • Globo posiciona sua agenda para a regulação de IA. Marcelo Bechara, diretor de relações institucionais de Regulação e Mídia do Grupo Globo, defendeu que o debate vá além da remuneração autoral e alcance soberania digital, arquitetura dos algoritmos e tratamento de dados produtivos. Também propôs considerar nulos contratos sem clareza sobre o tratamento desses dados e afirmou que a livre negociação não corrige a assimetria enfrentada por produtores menores. É a posição interessada de uma empresa de mídia, mas ajuda a delimitar a agenda que a Globo tentará defender no Congresso. (via TelaViva)

  • Microsoft chama os cortes no Xbox de “simplificação” e promete voltar a crescer. Satya Nadella, CEO da empresa, disse estar satisfeito com os estúdios e propriedades intelectuais que permaneceram na divisão de games e apoiou a “simplificação” conduzida pela nova CEO do Xbox, Asha Sharma – assunto que foi abordado na última edição da newsletter. O objetivo declarado é voltar ao crescimento no próximo ano fiscal, concentrando recursos nos maiores jogos e em novos modelos de negócio, enquanto a Microsoft tenta ser simultaneamente publisher e plataforma em PC e Xbox. Ouça a entrevista completa no Sources Podcast, em que Nadella também fala sobre IA, agentes, Copilot e muito mais.

  • Projeto federal pode levar incentivo à produção audiovisual nos EUA a até 30%. Parlamentares republicanos e democratas apresentaram um projeto de crédito tributário federal para cinema e TV. A proposta oferece 20% sobre despesas qualificadas com mão de obra, com adicionais de cinco pontos para produções independentes e áreas rurais. O limite pode chegar a 30%. Los Angeles teria acesso temporário ao adicional por ser considerada área federal de desastre. O incentivo poderia ser acumulado com programas estaduais. Na Califórnia, por exemplo, a faixa estadual chega a 35%–45%, dentro de um teto anual de US$ 750 milhões. A MPA e sindicatos trabalham na proposta há cerca de dois anos, em resposta à perda de produções e empregos para outros estados e países. Um estudo encomendado pela entidade que representa os estúdios estima que o mecanismo poderia dobrar até 2032 uma indústria americana de produção calculada em US$ 20 bilhões e criar 143,5 mil empregos. (via Variety)

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