Edição #9 - quadro.news
Hoje em Quadro
Às vezes, passar de fase é dificílimo. Estamos aqui para ser o seu “walkthrough”, inclusive revelando todos os segredos para você platinar. Confira os destaques desta edição:
Marco Legal dos Games é regulamentado, abrindo caminho para programas de incentivo público, iniciativas de financiamento e muito mais;
Netflix e Globo: inimigas, inimigas, negócios à parte;
Street Fighter sai para a luta nos cinemas, mas acaba com o olho roxo após os resultados de bilheteria;
As estreias da semana na telona, streaming e jogos;
Mais mudanças na CNN e Netflix, TIM lança combo de streamings com desconto, possibilidade de greve e muito mais.
Em meio a fatos desconectados, algoritmos e slop de IA inundando os feeds, acompanhar o que realmente importa nos negócios do entretenimento ficou mais difícil. Quadro faz essa curadoria por você: duas newsletters por semana, com análise e contexto, direto na sua caixa de entrada. Assine e não perca as próximas edições.
One hit wonders
A Netflix divulga hoje, 20, os seus resultados financeiros do terceiro trimestre do ano. O balanço sai às 17h. No radar estão o desempenho do engajamento, o crescimento das despesas em relação à receita e possíveis explicações adicionais para a mais recente leva de demissões.
Já o Spotify revela o seu balanço na quinta-feira, 22. A divulgação ocorre antes da abertura da Bolsa de Nova York. Além de usuários e assinantes, vale acompanhar a margem bruta, a publicidade, os audiobooks e a expansão do vídeo dentro da plataforma.
Marco Legal dos Games é regulamentado e desbloqueia um novo caminho para o entretenimento
Uma indústria do entretenimento com cerca de 123,3 milhões de jogadores e receita estimada em US$ 2,7 bilhões no Brasil em 2025 finalmente teve sua lei regulamentada. Estou falando do mercado de games – e essa é uma boa notícia não só para quem joga, mas para todos aqueles que querem colocar em prática suas ideias e, acima de tudo, construir propriedades intelectuais brasileiras de sucesso.
Antes, o que aconteceu: no último dia 14, o governo Lula, por meio do Decreto nº 13.138, finalmente normatizou o Marco Legal dos Games, aprovado ainda em 2024. Batizado de Desenvolve Gamers Brasil, o decreto estabelece como várias medidas previstas na legislação poderão ser implementadas.
Além de reconhecer as profissões ligadas aos games – como programação, design de jogos, criação de narrativas, produção, arte visual, áudio e testes –, o Marco Legal abriu para as desenvolvedoras nacionais o acesso a mecanismos de incentivo já utilizados por outros setores do entretenimento, como a Lei Rouanet e a Lei do Audiovisual. O setor também poderá buscar financiamento pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).
Com a regulamentação, cabe à Ancine – Agência Nacional do Cinema – estabelecer as regras de acesso à Lei do Audiovisual e propor os critérios de financiamento pelo FSA, que dependerão da aprovação do comitê gestor do fundo. Uma das propostas anunciadas é reduzir o valor mínimo dos empréstimos de R$ 500 mil para R$ 150 mil, além dos juros, de TR + 2% para TR + 0,5% ao ano.
Também foram anunciadas iniciativas de financiamento. Pela Lei do Audiovisual, o Ministério da Cultura prevê duas iniciativas de captação em 2027, com estimativa de R$ 50 milhões cada: uma para equipar laboratórios e espaços de desenvolvimento e outra para apoiar a realização, o lançamento e a comercialização de jogos brasileiros independentes.
Outra novidade é a Rouanet Games, iniciativa que pretende ajudar os estúdios a preparar projetos e buscar patrocínios pela Rouanet, que permite às empresas patrocinadoras deduzir do Imposto de Renda os valores investidos em projetos culturais aprovados. O programa oferecerá orientação, cursos e oficinas, em parceria com empresas públicas.
O desenvolvimento dos games ganha facilidades. A lei de 2024 já dispensava autorização estatal prévia para a criação e a exploração comercial dos jogos. Agora, o decreto determina que a Receita Federal e outros órgãos competentes adotem medidas para simplificar a importação de ferramentas essenciais à produção, incluindo equipamentos especializados e kits de desenvolvimento.

Dandara, do estúdio mineiro Long Hat House, foi eleito um dos melhores games de 2018 pela Time. Uma exceção brasileira que comprova a regra (Imagem: divulgação / Long Hat House)
Também haverá uma vitrine para os jogos brasileiros. O decreto instituiu o Game Brasil, plataforma pública e gratuita que reunirá informações sobre os títulos nacionais, seus desenvolvedores e onde podem ser encontrados. A ideia é ampliar a visibilidade dos obras brasileiras e facilitar o acesso do público a esses títulos.
Por fim, há o estímulo à formação profissional. A lei já previa incentivos a cursos técnicos e superiores, pesquisa e desenvolvimento, enquanto o decreto estabelece a criação de uma rede nacional de espaços de formação e experimentação. O governo também anunciou novos cursos de graduação em cinco universidades federais, com 230 vagas previstas.
Até hoje, produzir games de forma independente no Brasil é quase uma ação de guerrilha. Tirando raras exceções, títulos nacionais de sucesso são resultado do empenho árduo de desenvolvedores abnegados ou de pequenos estúdios. A falta de oportunidades e financiamento dificulta que projetos próprios saiam do papel e cresçam, o que pode levar parte desses profissionais a trabalhar para empresas estrangeiras ou buscar espaço fora do Brasil.
O que a nova regulamentação permite é ampliar o acesso aos mecanismos de financiamento que ajudam nosso audiovisual a produzir. Nossos talentos e empresas podem ter uma chance maior de desenvolver algo seu.
Há também uma questão importante de propriedade intelectual. Com mais acesso a recursos, os estúdios brasileiros podem desenvolver e ampliar franquias próprias, explorar comercialmente suas criações e gerar receitas internacionais. O inverso também é verdadeiro: quem produz filmes, séries e animações pode se aproximar desses desenvolvedores para expandir a presença de suas IPs para o mundo dos games.
E aqui, o céu é o limite. Podemos estar falando de um novo universo que nasce nos jogos e, depois, alcança outras mídias. Ou de um game para a Netflix ou para celulares que explore de novas formas personagens de O Show da Luna! ou Galinha Pintadinha. Talvez até um título AAA (aqueles de grandes orçamentos, como GTA VI) baseado em Bacurau.
Ainda assim, no curto prazo, o impacto para o consumidor deve ser limitado. O Marco Legal não determina uma redução dos impostos sobre consoles ou jogos vendidos ao público, nem garante que os títulos ficarão mais baratos. Mas o estímulo ao surgimento de novas produtoras brasileiras, ampliando a oferta de jogos nacionais e criando oportunidades para profissionais da indústria, é algo do qual devemos colher bons frutos no futuro.
A grande questão, agora, é a execução. A lei reconhece os games como indústria cultural e estabelece os caminhos para seu financiamento, mas a transformação desse reconhecimento em uma maior produtividade nacional dependerá da implementação dos programas, da disponibilidade de recursos e da capacidade dos estúdios de acessar esses mecanismos. E isso é o que deve ser cobrado do próximo governo federal, seja ele qual for.
Mas vamos ser otimistas. O Brasil está tentando deixar de ser predominantemente um grande mercado consumidor de videogames para ampliar sua participação como produtor e proprietário de conteúdo. É uma ambição semelhante à que orienta parte das políticas de fomento ao audiovisual brasileiro, mas aplicada a uma indústria que combina produção cultural, tecnologia e distribuição global.
No cinema, já ganhamos o Oscar. Nos jogos eletrônicos, também temos conquistas importantes, mas ainda há muito a construir. Saímos do “loading” e agora estamos na primeira tela de uma nova fase.
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Fundado pelo saudoso jornalista Gilberto Dimenstein, o portal hoje se posiciona como uma plataforma que aproxima pessoas de experiências, ideias e novas possibilidades. A proposta conversa com a missão de Quadro de conectar os leitores às transformações da indústria do entretenimento e às pessoas e empresas que movimentam o setor.
Outros destaques em Quadro
🫂 União improvável? Nesta segunda-feira, 19, Netflix e Globo anunciaram o maior acordo de licenciamento já firmado entre as empresas. A companhia norte-americana fechou um pacote de 14 filmes, três novelas e uma série, que serão disponibilizados no catálogo do streaming a partir de dezembro de 2026. A distribuição varia: Ainda Estou Aqui estará disponível apenas no Brasil, enquanto Vitória poderá ser vista no mundo inteiro. Já Caminho das Índias estará acessível nos EUA e na América Latina, com exceção do Brasil.
Para quem gosta de “nós contra eles”, a notícia pode parecer surpreendente. Não é. Do lado do grupo brasileiro, o acerto não só amplia a monetização de um catálogo de qualidade, como transforma a Netflix em um parceiro para atacar mercados em outras partes do mundo, onde o Globoplay tem uma atuação mais voltada à diáspora brasileira. Tem mais: mesmo dentro do nosso país, os filmes e séries vão atingir uma audiência diferente por meio do serviço norte-americano, e alguns desses espectadores podem, depois, se converter em assinantes do Globoplay. É uma lógica semelhante à dos licenciamentos recentes da Amazon (com os filmes de James Bond 007) e da Disney (com Percy Jackson).
O caminho também cumpre com alguns dos objetivos mais importantes da Netflix. A edição anterior de Quadro discutiu como a pioneira do VOD por assinatura poderia aprender justamente com a TV para transformar espectadores em fãs – já que a mídia legada tem experiência em engajar as pessoas em um ambiente em que a atenção é naturalmente dispersa. A novela brasileira é um exemplo perfeito disso, ainda mais em um texto de Glória Perez – com a repetição das mesmas fórmulas à exaustão e de forma viciante, nos deixando vidrados na tela por horas e horas em mais de 200 capítulos. Se a produção encontrar o seu público dentro do algoritmo, certamente terá efeito positivo no engajamento, aquela métrica com a qual todos estão preocupados no momento.

Caminho das Índias, distribuída internacionalmente como India – A Love Story, já foi vendida para mais de 130 países. Agora, ganha uma nova janela pela Netflix nos EUA e na América Latina (Imagem: divulgação / Globo)
🤼 Round 1, fight! A semana nos cinemas foi de Street Fighter. A nova adaptação do game de luta abriu com US$ 31 milhões de bilheteria nos Estados Unidos e no Canadá. Mas essa vitória era barbada. A surpresa mesmo foi o segundo colocado: You Can See Everything, documentário de Nathan Fielder e Lance Oppenheim sobre Elizabeth Holmes, a mulher por trás da fraude da startup Theranos e que já foi tema da série The Dropout. O longa-metragem, que tem um orçamento aproximado de US$ 7 milhões, arrecadou surpreendentes US$ 15,6 milhões, conseguindo a maior abertura de um documentário em mais de duas décadas – e já surge como um dos favoritos ao Oscar do ano que vem.
Outra Mamãe emplacou o último posto no top 3 ao arrecadar US$ 8,2 milhões, uma baita queda de 70% em relação ao primeiro fim de semana em cartaz. Os estreantes Dentro da Baleia (com US$ 7,8 milhões) e o remake de Razão e Sensibilidade (US$ 7,2 milhões) fecharam as cinco primeiras posições. No geral, o mercado UCAN faturou US$ 101,6 milhões, alta de 45% sobre o fim de semana equivalente de 2025.
Em todo o mundo, Street Fighter alcançou US$ 51,1 milhões – ficando aquém dos cerca de US$ 70 milhões esperados por parte do mercado. O filme custou US$ 82 milhões, financiados por Legendary e Capcom, com a Paramount responsável pela distribuição. Resta entender se os fãs do jogo não sentiram firmeza para conferir o resultado, ou se as críticas ruins (a produção tem apenas 40% de aprovação no Rotten Tomatoes) pesaram. Dentro da Baleia, que tem Josh Brolin como um dos seus grandes atrativos, foi outra decepção: somou somente US$ 17,5 milhões globais diante de um orçamento de US$ 60 milhões. Os dados de bilheteria são do Box Office Mojo.
A segunda surpresa é que a Netflix finalmente divulgou oficialmente a bilheteria de um lançamento na telona: La Bola Negra arrecadou US$ 277,5 mil em quatro cinemas de Nova York e Los Angeles. A empresa manterá o título – que já aparece como um dos favoritos na temporada de premiações – nos cinemas por 47 dias, antes da estreia na Netflix nos Estados Unidos e no Canadá, em 2 de dezembro.
Round 2, fight! No Brasil, foi Anne Hathaway que venceu Blanka: Verity seguiu liderando as bilheterias brasileiras, ao menos em termos de arrecadação. É que o longa-metragem baseado no livro de Colleen Hoover conquistou uma bilheteria de R$ 5,99 milhões, contra R$ 5,69 milhões de Street Fighter. Porém, o filme baseado no game teve mais espectadores, aproximadamente 243 mil contra 235 mil. Minha Melhor Amiga, o sucesso nacional do ano até aqui, arrematou mais R$ 2,91 milhões, fechando o top 3 brasileiro. Os dados são da Rentrak.
🪐 Em Plutão. Como dizem: antes tarde… A versão latino-americana da Pluto TV passou a operar sobre a mesma arquitetura tecnológica do Paramount+, reunindo canais lineares e conteúdo sob demanda em uma interface com personalização e retorno ao início do programa. A companhia apresenta o projeto como sua maior consolidação regional de sistemas e dados em seis anos.
A mudança ocorre na esteira da nova gestão da Skydance de David Ellison, que havia prometido unificar as estruturas das plataformas do grupo – e é surpreendente que a antiga Paramount Global já não tivesse feito isso antes. Isso porque a infraestrutura compartilhada permite reduzir duplicações tecnológicas, usar de forma mais integrada os dados gerados pelos usuários e ampliar a segmentação do inventário publicitário. O serviço, vale dizer, continua gratuito e separado comercialmente do Paramount+.
O problema pode realmente estar em um futuro estágio dessa consolidação. É que o Deadline reporta que um grupo de cinco assinantes de streaming pediu à Justiça uma liminar para frear a integração de Paramount+ e HBO Max. O objetivo é manter ambos operando separadamente e impedir mudanças irreversíveis enquanto a ação antitruste continua, preservando a possibilidade de uma futura separação dos negócios caso os autores vençam. Entre as preocupações estão uma migração forçada de assinantes e aumentos de preços. Resta saber o impacto prático.
David Ellison já disse que quer juntar os VODs por assinatura “no longo prazo”, mas, além de isso ser algo complexo, mantê-los separados e vendê-los em um combo – como ocorre com Disney+ e Hulu nos EUA – parece uma alternativa financeiramente melhor para um grupo que tem uma situação financeira complicada. A ver.
Estreias da semana
Streaming e TV. Hoje, 20, a Netflix estreia Cyberpunk: Mercenários 2. Amanhã, 21, o Prime Video lança a segunda temporada de A Lista Terminal, com Chris Pratt. Na quinta, 22, chega à Netflix a terceira temporada de Ninguém Quer. Já na sexta, 23, a plataforma estreia a quarta parte de Lupin, enquanto o Prime Video recebe Michael, cinebiografia de Michael Jackson que chega pela primeira vez ao VOD por assinatura no Brasil. No mesmo dia, a HBO Max lança Mother Mary, filme da A24 dirigido por David Lowery e inédito nos cinemas brasileiros.
Cinemas. Na quinta-feira, 22, estreia Cara-de-Barro, terror ambientado no novo universo cinematográfico da DC. Também entram em cartaz O Outro Lado das Redes, novo filme de Aaron Sorkin sobre a investigação dos documentos internos do Facebook; e Overman, produção brasileira dirigida por Tomás Portella e baseada no personagem da Laerte. A programação inclui ainda Protocolo de Extermínio, ação da A24 com Adria Arjona e o lutador Alex Poatan.
Games. Também na quinta-feira, 22, chegam Final Fantasy Resonance para PS5, Xbox Series X|S, Switch e Switch 2, com a versão para Steam prevista para o dia seguinte, e Nintendo Switch Sports Resort, um derivado da franquia Wii Sports – que marcou época – e é exclusivo de Switch 2. Na sexta, 23, estreia Call of Duty: Modern Warfare 4 para PS5, Switch 2, PC e Xbox Series X|S – que, diferentemente dos lançamentos recentes da franquia, não estará disponível no Game Pass desde o primeiro dia.
Tão falando por aí...
O fim de uma era na CNN. Christiane Amanpour anunciou que encerrará seus programas diários na CNN International e na PBS no fim de 2026, mas seguirá com uma edição semanal na CNN até maio, antes de deixar a emissora em junho de 2027, depois de 43 anos. Amanpour, que é ícone do jornalismo e uma das faces mais reconhecidas do canal de notícias, não apresentou uma causa específica para a decisão – disse apenas que a tomou após meses de reflexão. O podcast independente The Ex Files continuará. Para a Skydance, a questão imediata não é apenas substituir a apresentadora com alguém com o mesmo peso, mas administrar a leitura de que uma das maiores referências internacionais da CNN sai justamente quando a independência editorial do novo conglomerado está sob o julgamento da opinião pública.
O fim de uma (mais uma) era na Netflix. A empresa confirmou a saída de Dan Lin, chefe da divisão de filmes havia quase três anos. O comunicado do streaming não detalha as circunstâncias da saída, mas a Variety aponta que, segundo duas fontes, Lin teria sido dispensado. A Reuters informa que Peter Rice comandará interinamente a divisão até a escolha de um sucessor. Mike De Luca e Pam Abdy, recém-saídos da Warner, estariam entre os alvos. É a segunda saída de um dirigente sênior de conteúdo em menos de uma semana, depois de Bela Bajaria.
A Skydance mantém Jon Stewart no The Daily Show até o fim de 2028. O comediante renovou o contrato para continuar apresentando as edições de segunda-feira e como produtor executivo do talk show, que é exibido no Comedy Central e chega ao Paramount+ com delay de um dia. Os demais integrantes da equipe seguem no comando de terça a quinta. Essa é uma decisão editorialmente significativa, já que Stewart permanece até a eleição presidencial de 2028 nos EUA, apesar de sua crítica frequente ao governo Trump.
O que deu errado com a Character.AI? Na newsletter Ok, Computer, do jornal O Globo, o repórter Bruno Romani faz uma “autópsia” da startup, cofundada pelo brasileiro Daniel de Freitas, que oferecia chatbots de personagens turbinados com IA e acaba de pedir falência nos EUA. Na análise do jornalista, os problemas que levaram a empresa a essa situação podem se repetir em outros negócios ligados à inteligência artificial. Vale ler.
Os profissionais de controle de qualidade da Activision votaram para autorizar uma greve, mas a paralisação ainda não foi convocada. O voto permite que o presidente da Communications Workers of America (CWA) determine a interrupção do trabalho caso as negociações continuem travadas. O sindicato representa quase 2,5 mil pessoas na Activision Blizzard, mas o grupo diretamente envolvido nesta negociação foi formado em 2024 com cerca de 600 profissionais de QA. Segundo a CWA, permanecem pendentes salários, regras para uso de IA, contratação de terceirizados, proteções trabalhistas e adaptações previstas para funcionários com deficiência. A empresa, que faz parte do conglomerado da Microsoft, afirma ter avançado em vários pontos e ofereceu novas reuniões em 21 e 22 de outubro. Também diz possuir planos para evitar impactos sobre jogadores e lançamentos. A tensão ocorre justamente na semana do lançamento de Call of Duty: Modern Warfare 4. (via GamesBeat)
LinkedIn começa a testar nos EUA publicidade com divisão de receita para vídeos de creators. Os participantes elegíveis poderão aderir ao In-Stream Ads pelo novo painel de criação da plataforma, que será distribuído globalmente nas próximas semanas. A companhia também lançou o Advice Sessions, sistema pelo qual profissionais oferecem consultas individuais, recebem pagamentos via Stripe e realizam a videochamada sem sair do LinkedIn. Inicialmente, o recurso está restrito a assinantes selecionados do Business Premium nos Estados Unidos. A plataforma diz que mais de 80% dos seus creators produzem conteúdo paralelamente a outra atividade profissional. Não há uma previsão de quando as funcionalidades chegam ao Brasil. (via LinkedIn)
TIM transforma o TIM Play em agregador de assinaturas de streaming. A operadora lançou cinco combinações, reunindo entre três e nove serviços. A lista inclui Netflix, Globoplay, Prime Video, Disney+, HBO Max, Apple TV+, Paramount+, Deezer e YouTube, além de 16 canais e da biblioteca própria. Os preços vão de R$ 35,90 a R$ 125,90 mensais. A empresa afirma que a economia ante contratações separadas varia de 44% a 50%. Por enquanto, a oferta é restrita a clientes elegíveis de planos TIM Black, Black Família, Controle e Ultracombo. Na briga por diminuir o churn e aumentar os espectadores de anúncios, as plataformas optam pela venda no atacado e deixam novamente o caminho aberto para as operadoras recuperarem o espaço de “empacotadoras”, como já tiveram no passado.
A Vox Media reestruturou a equipe de audiência do portal The Verge em torno de newsletters, comunidade, análise de comportamento e conversão de visitantes anônimos em cadastrados ou assinantes. O movimento é uma resposta ao “Google Zero”, com a queda do acesso orgânico via buscador. A métrica deixa de ser apenas tráfego e passa a ser relação direta, frequência e conversão. (via Digiday)
IVC passa a auditar conjuntamente audiência presencial e remota no Brasil. O instituto reformulou seu serviço para eventos e agora permite consolidar participantes presenciais e remotos sem duplicação. A auditoria cruza dados de credenciamento, catracas e bilheteria com informações de participação remota, verificando visitantes únicos, perfil do público e ações de patrocinadores e expositores. A consequência comercial é permitir que eventos, webinars e extensões presenciais de marcas jornalísticas também tenham sua audiência certificada – o que atende especialmente publishers que passaram a vender pacotes combinando site, newsletter, streaming, redes sociais e eventos. (via PropMark)
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