A 13ª edição da Expocine, a maior feira do mercado exibidor da América Latina, acontece até sexta-feira, dia 2 de agosto.
Antes do evento, entrevistei Marcelo Lima, CEO da Tonks, fundador da Expocine e também mantenedor do Cine Marquise. Na conversa, ele falou sobre o clima de otimismo do setor depois dos resultados de 2026 até aqui e sobre algumas das mudanças que vêm mexendo com o negócio da exibição.
Parte do papo virou uma matéria na minha coluna no UOL, com foco no retorno das janelas maiores entre a estreia dos filmes nos cinemas e a chegada ao streaming por assinatura.
Mas a conversa foi além — e muita coisa ficou de fora da reportagem. Por isso, nesta edição especial de Quadro, publico uma versão mais ampla da entrevista. Lima fala sobre cinema nacional, financiamento, reforma tributária, salas premium, o peso do boca a boca nas redes sociais e os efeitos da fusão entre Paramount e Warner sobre distribuição e concorrência.
Edição Especial #1 - quadro.news
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“Cinema é vida, é um encontro coletivo”
Entrevista editada para clareza e concisão.
QUADRO: A Expocine funciona como um termômetro da indústria, tanto pelas conversas quanto pela própria programação. Qual é o humor do mercado para esta edição? Mais otimista ou mais preocupado?
Marcelo Lima: Eu diria que, em 13 edições de Expocine, esta é a mais otimista de todas. A gente passou por um período muito difícil, de desconfiança desde a pandemia, principalmente de quem estava fora do mercado: “O cinema vai acabar, para que investir dinheiro nisso?”.
Quem trabalha no mercado sabia que isso não iria acontecer, mas era difícil convencer, por exemplo, um dono de shopping center de que as coisas voltariam ao normal quando abrir um restaurante parecia dar mais dinheiro e trazer mais público do que um cinema. Logo depois da pandemia, tivemos um repique de recuperação e, naquele momento, vieram as greves de roteiristas e atores. Isso estendeu a crise porque uma coisa veio muito próxima da outra.
Desde o ano passado, essa recuperação vem se consolidando. O final de 2025 foi muito bom. O começo de 2026 deu certo frio na barriga, janeiro e fevereiro foram um pouco complicados, mas havia otimismo para o período a partir do fim de março.
Quem abriu alas em 2026 foi Devoradores de Estrelas. A partir dali, tivemos um sucesso atrás do outro, com no máximo duas semanas de diferença: Michael, O Diabo Veste Prada 2, O Drama, O Convite, A Odisseia e muitos outros, terminando a alta temporada com Homem-Aranha [Um Novo Dia].
Quando todo mundo esperava uma entressafra, imaginando que as coisas fossem se acalmar até Duna e Vingadores [Doutor Destino], apareceu Minha Melhor Amiga, batendo recordes atrás de recordes dentro do cinema nacional, em um trabalho muito bem feito pela Paris Filmes.
Então, o mercado chega à Expocine com o otimismo nas alturas e com cheque para comprar coisas, trocar projetores, caixas de som, reformar poltronas e renovar contratos.
Pegando o gancho: o Brasil vem de Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto no Oscar. Ao mesmo tempo, dados da Ancine apontavam uma participação de cerca de 6,5% dos filmes brasileiros no público em 2026, ainda antes do desempenho de Minha Melhor Amiga. Por que existe esse descompasso entre o reconhecimento do cinema brasileiro e sua aderência junto ao público daqui?
São perguntas com respostas variáveis. Eu costumo dizer que o ano só acaba quando termina. No primeiro semestre, até o fim de julho ou começo de agosto, não tem jeito: o espaço é muito maior para o filme estrangeiro do que para o nacional. Isso é tradicional no nosso país.
A gente precisa de formação de público e de políticas públicas para ter mais projetos robustos, com poder comercial para competir de frente. Se lembrarmos de 2019, um filme da Ingrid Guimarães, De Pernas pro Ar 3, teve que enfrentar Vingadores [Ultimato] duas semanas depois e a estratégia deu muito errado. A própria Ingrid já falou sobre isso em entrevistas e aprendeu muito com aquela experiência. Agora, preferiu lançar Minha Melhor Amiga depois de Homem-Aranha e não durante Homem-Aranha.
Há momentos em que simplesmente não dá para competir.
Ainda Estou Aqui foi lançado em novembro, O Agente Secreto foi lançado em novembro, O Auto da Compadecida 2 foi lançado em dezembro. É tradicional que os filmes nacionais se concentrem a partir de setembro até o fim do ano.
Então, pegar uma fotografia de janeiro a agosto e olhar o share do cinema nacional é uma maneira equivocada de fazer essa conta. Tem que esperar o ano acabar. Minha Melhor Amiga foi lançado em setembro, ainda temos Se Eu Fosse Você 3, o próprio Feito Pipa e outros títulos que podem despontar.
Com Minha Melhor Amiga, o boca a boca parece ter um peso muito grande.
Exato. Isso ajuda muitos filmes nacionais. E é uma das razões pelas quais o cinema nacional se encaixa melhor entre setembro e dezembro.
Nos outros períodos, há uma competição muito forte com o filme americano. É praticamente um grande título por semana, com investimentos gigantescos em campanha e marketing. Quando você chega a setembro e os filmes estrangeiros já não têm a mesma quantidade de lançamentos com esse peso, consegue manter o filme mais tempo em cartaz. Por consequência, dá tempo para desenvolver o boca a boca.
Agora, existe, sim, um descompasso na questão dos investimentos. Há uma distribuição de recursos para muitos tipos de projetos e, quanto mais títulos existem, mais os recursos públicos acabam diluídos. Temos muitos filmes baratos, e sabemos que um filme barato dificilmente entrega resultado comercial.
Esse é um problema de política pública, da Ancine e do Ministério da Cultura. É preciso encontrar um formato que também faça sentido do ponto de vista comercial. Temos filmes de alta qualidade artística e cultural, que conquistam prêmios, mas não tantos títulos com resultados comerciais.
Eu acho que é preciso equilíbrio. Precisamos dos prêmios, mas também de títulos que deem resultado, financiem a roda e diminuam a dependência do dinheiro público.

Marcelo Lima, fundador da Expocine, CEO da Tonks e mantenedor do Cine Marquise, vê o mercado exibidor em seu momento mais otimista desde a criação do evento (crédito: divulgação / Expocine)
A Expocine acontece praticamente às vésperas do primeiro turno das eleições deste ano. Independentemente de quem seja eleito, o que o setor precisa preservar nas políticas culturais?
Se eu tiver que resumir tudo isso em poucas palavras, diria que precisamos, no mínimo, ter um Ministério da Cultura existindo a partir de 5 de janeiro do ano que vem.
As políticas públicas são evolutivas. O trabalho que o Ministério da Cultura tem feito, e que ministérios anteriores também fizeram, é sempre tentar melhorar o que já vinha sendo feito.
A gente sabe que política pública depende de articulação. Temos três Poderes e, em um deles, duas Casas com centenas de parlamentares com quem é preciso conversar e negociar. Nos tempos atuais, eu diria que o mínimo é garantir que o Ministério da Cultura continue existindo.
Um exemplo dessa articulação é a regulamentação das plataformas de streaming, que continua sem conclusão. Como você vê esse debate?
Esse assunto está sempre em voga e é por isso que repetimos esse painel na Expocine desde o ano retrasado.
Do meu ponto de vista, acho vergonhoso a gente ainda não ter uma legislação sobre isso. Percebemos o quanto as entidades do audiovisual têm lutado para que os parlamentares coloquem o tema em pauta, discutam e votem, e ele não avança. Existem forças que não permitem que essa pauta avance e seja finalmente votada.
O cinema está sobrevivendo. Os resultados mostram isso. A regulamentação só tende a proteger um mercado que, a cada ciclo de dez anos, sofre novamente com incertezas ou com falta de confiança em relação à sua sobrevivência.
E agora ainda existe o calendário eleitoral. Há espaço para avançar nisso em 2026?
É difícil. Temos praticamente um mês perdido com o período eleitoral. Há muito pouco a fazer entre primeiro e segundo turno.
Se houver mudança de governo, também haverá todo um processo de transição. Nesse cenário, isso só poderia voltar a ser discutido depois do fim do recesso parlamentar.
Então, os dois cenários não ajudam quando falamos da regulamentação do streaming. Temos que aguardar.
Há também outras pautas que o mercado audiovisual vem discutindo bastante. A reforma tributária começou a preocupar, porque muitos incentivos serão extintos e existe um problema de alto custo tributário em todas as frentes: produção, distribuição e exibição.
O que preocupa especificamente o audiovisual na reforma tributária?
Existem muitas isenções municipais e estaduais que serão extintas. Com a reforma tributária, 100% da dívida agora será com a federação, e não mais com as outras duas esferas [municipal e estadual]. Isso precisa ser revisto o quanto antes. Muitos agentes culturais não foram contemplados com incentivos fiscais nesse novo modelo.
Há situações muito sérias. Em algumas frentes de trabalho, você sai de 0%, de uma isenção quase completa de impostos, e pula para 28%.
Não diria simplesmente voltar ao que existia. A reforma tributária é uma conquista dos empresários em vários aspectos. Hoje se gasta muito para calcular imposto e, com a reforma, isso será simplificado. Continua alto, continua caro, mas será mais fácil de calcular.
Agora é preciso entender como preservar aquilo que já é um direito previsto em lei dentro do novo sistema.
A programação da Expocine também mostra uma evolução daquele antigo embate de “cinema versus streaming”. Os próprios estúdios voltaram a ampliar as janelas exclusivas dos cinemas. Como está hoje essa relação?
Acho que isso parte muito do otimismo que discutimos no começo da conversa. Eu diria que burra é a plataforma ou a distribuidora que não respeita a janela de exibição. Quanto mais encurta, menos dinheiro faz.
A própria Universal, que chegou a ter uma janela muito pequena, começou a trabalhar com janelas maiores. Você vê, por exemplo, as exigências do Christopher Nolan e o resultado de A Odisseia.
A Amazon, com Devoradores de Estrelas, estendeu a janela em dois ou três meses depois do sucesso do filme. A Disney também colocou os pés pelas mãos durante a pandemia, fazendo lançamentos quase simultâneos, voltou atrás e hoje temos filmes ficando mais de 90 dias nessa janela.
A Netflix, que até o ano passado era totalmente reativa em relação a isso, também voltou atrás. Praticamente todos os lançamentos dela nos cinemas a partir de Nárnia: O Sobrinho do Mago terão uma janela considerável. Não lembro agora se são 45 ou 90 dias. [Serão 51.]
Cinema é vida, cinema é um encontro coletivo. E sobreviveu a todas as potenciais ameaças que imprensa ou sociedade disseram que acabariam com ele.
Quem mais frequenta cinema hoje, segundo pesquisas dos Estados Unidos e da Europa e algumas feitas no Brasil, é a geração Z. É um ponto de encontro entre namorados, entre amigos. É lógico que as coisas mudaram. Como mobilizar alguém para sair de casa, comprar um ingresso e assistir a um filme? Mas continua sendo uma opção.
Ouço muitos relatos de shopping centers que se arrependeram de ter tirado cinemas para colocar restaurantes e agora precisam fazer expansões para trazer o cinema de volta. Nos grandes lançamentos do ano, a própria Abrasce, que é a associação dos shoppings, mostrou em seus resultados o quanto praças de alimentação e estacionamentos tiveram aumento de consumo.
Cinema tem uma longa vida pela frente.
Isso se relaciona também com uma “eventização” da cultura pop. Fala-se muito em FOMO, mas existe também algo de comunhão: as pessoas querem participar daquele evento, ver juntas, reagir juntas. Até que ponto isso explica os filmes que estão funcionando?
Depende do título, do projeto e da forma de lançamento.
É claro que o FOMO está muito presente em A Odisseia, Homem-Aranha, Michael e O Diabo Veste Prada 2. Agora, quando você pega O Convite, Obsessão ou O Drama, é muito mais boca a boca: “Você precisa assistir a esse filme porque é um espetáculo”.
E existe também a própria canibalização das plataformas. Há determinados filmes que, quando saem de cartaz, você não tem a menor ideia de onde estarão disponíveis. Então, às vezes, é mais seguro assistir enquanto estão no cinema porque depois você não sabe onde vai encontrá-los.
Algo que tem ajudado bastante é o TikTok. Quando um título atravessa aquela primeira semana, começa a criar um boca a boca, aparecem análises, discussões e desconstruções nas redes.
Com A Odisseia, tivemos aulas sobre Grécia e mitologia grega. Com Homem-Aranha, vieram discussões sobre solitude, luto amoroso, pobreza, dificuldades financeiras e responsabilidades. E agora, com Minha Melhor Amiga, aparecem discussões sobre amizade e compartilhar experiências.
Isso bate diretamente na programação dos exibidores. Às vezes você coloca determinado filme com uma ou duas sessões porque percebe que ele pode começar a engrenar dali a duas ou três semanas. Precisa mantê-lo em cartaz e, se crescer, aumentar o número de sessões.
Um tipo de boca a boca que tinha sido perdido nos últimos 15 ou 20 anos está retornando. Você vê isso claramente em Obsessão, O Drama e O Convite e no quanto eles cresceram na terceira ou na quarta semana.
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“Um tipo de boca a boca que tinha sido perdido nos últimos 15 ou 20 anos está retornando.”
O Nolan funciona quase como um garoto-propaganda do IMAX. Com A Odisseia, vimos gente esperando semanas por sessões. Eu faço um paralelo com café: depois que você toma um café especial, fica mais difícil voltar para o Pilãozão. Isso pode estimular tanto o público a procurar essas salas quanto os exibidores a investir mais nelas?
A gente chama essas salas de PLF, Premium Large Format. Esse termo tem sido cada vez mais difundido não apenas dentro da área técnica e da indústria audiovisual, mas também entre os consumidores.
As PLFs existem há algum tempo. A mais famosa é o IMAX. A segunda mais conhecida é a XD, que é uma marca exclusiva da Cinemark, mas existem muitas outras.
Os exibidores vêm investindo para ter pelo menos uma sala PLF em seus complexos.
Eu também sou exibidor, sou operador do Cine Marquise. A nossa PLF é a sala 1, com som Dolby Atmos, tela laser 4K, e existe uma diferença absurda de taxa de ocupação em relação às demais salas.
Um filme chama o outro, Renan. Isso vira uma bola de neve. Você gostou daquela sensação e quer repetir. “Qual é o próximo título que faz sentido eu assistir nesse formato?”
Você começa a fazer uma curadoria das salas em que faz questão de assistir a determinados filmes.
Um exemplo foi Homem-Aranha. A Odisseia tomou conta das salas IMAX e Homem-Aranha não encontrou espaço nelas. Então arriscamos Homem-Aranha na nossa sala principal, nossa PLF, e o resultado foi estrondoso. Tivemos uma das maiores bilheterias do Brasil naquela sala.
E o cinema tem talvez o melhor marketing que existe, que é o trailer. Você vê, antes de Homem-Aranha: Um Novo Dia, um trailer de Duna: Parte Três naquela tela e pensa: “Eu preciso ver esse filme aqui”.
Exatamente. A gente abriu as pré-vendas de Duna nas nossas salas e é incrível.
Estamos fazendo todo um equilíbrio porque também vamos querer colocar Vingadores ali. Então abrimos uma sessão de Duna na sala 1 e colocamos outra na sala 2.
Se você entra no mapa de lugares, a comparação é surreal. A sessão de Duna na sala 1, com 370 lugares, está praticamente lotada a três meses do lançamento. Quando você vai para a sala 2, tem um ingresso vendido. Isso mostra o quanto o público já percebe a diferença de qualidade entre uma sala e outra e escolhe em qual delas determinado filme vale a pena ser visto..
A sala 2 é perfeitamente aceitável para um filme como Obsessão, O Convite, O Drama, em que você está muito lidando com roteiro, interpretação, e não com a tela grande.
Mas, quando falamos de Denis Villeneuve, de um diretor de fotografia superpremiado, de Dolby Atmos, daquele visual e de trilha do Hans Zimmer, não há comparação. É um filme para assistir em uma PLF.
Tem também um assunto que é da semana, mas também é do ano: a compra da Warner pela Paramount. Como exibidor, como você vê essa união? Existe preocupação com o volume de filmes ou com os impactos no Brasil?
No curto prazo, o impacto no Brasil certamente será diferente porque, aqui, Warner e Universal trabalham no mesmo escritório.
Durante essa transição, com a fusão entre Warner e Paramount, uma curiosidade — e tenho certeza de que isso será comentado pelos corredores da Expocine — é como ficará isso. É praticamente improvável que a Universal possa continuar dentro da Warner, porque seria uma concentração muito grande de decisões e tudo mais.
Vamos precisar esperar os próximos meses para entender como será a transição. Aqui no Brasil, já houve aprovação pelo Cade e agora todos aguardam decisões da matriz. Se você conversar hoje com qualquer executivo da Warner ou da Paramount, ninguém terá uma resposta muito concreta.
No médio e longo prazo, em quantidade de filmes, existe uma preocupação porque é um estúdio a menos. É uma empresa a menos para discutir, ter concorrência e, logicamente, colocar uma contra a outra para conseguir melhores negociações entre o cliente exibidor e o fornecedor distribuidor.
Mas também existem pontos positivos. Enquanto duas gigantes estão se unindo, outras empresas estão surgindo e podem disputar espaço.
Mesmo que, depois dos cinco anos, essa nova Paramount-Warner reduza a quantidade de filmes, existem empresas com apetite para lançar mais títulos e se estruturar como distribuidoras.
Um exemplo é a Amazon MGM. A partir de 1º de janeiro, ela estará operando no Brasil, assim como em outros 14 territórios, como uma distribuidora própria. Então você perde uma Warner como empresa independente no médio prazo, mas ganha uma MGM à disposição do exibidor.
Há também sempre a possibilidade de Mubi e A24 abrirem escritórios de distribuição fora dos Estados Unidos. O Brasil costuma ser um dos mercados escolhidos por causa do tamanho que tem. Elas podem virar potências no médio e longo prazo.
Já houve boatos sobre a própria Apple abrir o seu escritório de distribuição. A AMC, que é a maior exibidora dos EUA, está abrindo sua própria distribuidora. Como elas vão lançar os seus filmes para fora dos Estados Unidos?
Então existem opções.
O mais interessante, olhando sucessos como Devoradores de Estrelas, O Drama, Obsessão e O Convite, é perceber que determinados títulos que há pouco tempo talvez nem tivessem espaço para ser lançados estão ganhando força e dando resultado.
Gosto sempre de citar a frase do Jeff Goldblum no primeiro Jurassic Park: “A vida encontra um caminho”. Não é para se desesperar. Fusões acontecem e sempre aparece alguém para disputar aquele espaço.
Temos distribuidoras de peso, que conhecem a América Latina e o Brasil, como Diamond, Paris Filmes e Imagem Filmes, capazes de absorver títulos estrangeiros e lançá-los com a mesma importância que uma distribuidora internacional.
Agora, olhando para depois dos cinco anos de acordo, esses 30 filmes realmente serão sustentados a partir do sexto ano? Eu não tenho grandes expectativas de que isso aconteça, muito pelas promessas feitas pela Disney quando adquiriu a Fox. Houve promessas semelhantes e, anos depois, vemos a quantidade de filmes lançados com os selos Fox [hoje 20th Century Studios] e Searchlight
Mas, repito: a vida encontra um caminho. Outra distribuidora vai se destacar e apresentar títulos de qualidade.
Eu daria até um passo atrás: daqui a cinco anos, quem garante que Warner e Paramount ainda vão existir exatamente nessa configuração? A própria Warner passou nos últimos oito ou nove anos, esteve em dois grupos diferentes, primeiro com a AT&T e depois com a Discovery.
Nos últimos 20 anos, se não me engano, a Warner teve cinco proprietários.
É muito difícil lidar com tantas mudanças de patrão quando você toma decisões no audiovisual. A gente sabe que qualquer filme, desde o nascimento da ideia até sua entrega, pode girar em torno de dez ou 15 anos. Quando há tantas mudanças, fica difícil manter uma sustentação de resultados.
Por isso a Universal é, na minha visão, quem mais entrega resultados consistentes: é quem está mais estável em termos de propriedade.
Ela tem um line-up muito bem programado para os próximos anos, passando por todos os estúdios e marcas que controla, como DreamWorks, Blumhouse, Focus Features e outros.
A Warner teve muitos donos e isso dificulta manter uma sustentabilidade de títulos e um line-up de qualidade por muito tempo. A Paramount vinha sofrendo com isso durante anos.
Ela passou a ter um dono definido e com poder econômico em julho ou agosto do ano passado, quando os Ellison concluíram a compra. Já é perceptível que o line-up começa a ficar mais robusto, mas isso leva tempo.
Para chegar ao ponto de ter um título a cada três semanas e, depois, praticamente um a cada duas semanas, que é o que significa essa promessa de 30 filmes, são necessários dois, três, cinco anos. Não dá para simplesmente pegar qualquer título, filmar e lançar.
A Sony Pictures sempre foi mais comedida, lançando poucos títulos, mas se sustentando em propriedades intelectuais como as do PlayStation e Homem-Aranha. Cada estúdio tem seu perfil e procura entregar produtos que deem resultado.
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