Edição #12 - quadro.news

Hoje em Quadro

Para você, fazer compras também é uma diversão? Pois este é um dos temas da edição desta sexta-feira, que inclui:

  • Como o entretenimento e o varejo (tanto físico quanto online) se misturam cada vez mais – inclusive disputando o tempo, a atenção e o dinheiro do público;

  • Os balanços de Google e Amazon;

  • Os vencedores da Mostra de Cinema de São Paulo e as lições do ataque hacker na Binance;

  • As mudanças na estrutura de televisão da Skydance;

  • O impacto dos agentes de IA no esporte ao vivo, demissões na Disney, números de audiência do YouTube e dos canais FAST nas eleições, e muito mais.

P.S.: Na próxima semana, a primeira edição sairá na quarta por conta do feriado de Finados.

Em meio a fatos desconectados, algoritmos e slop de IA inundando os feeds, acompanhar o que realmente importa nos negócios do entretenimento ficou mais difícil. Quadro faz essa curadoria por você: duas newsletters por semana, com análise e contexto, direto na sua caixa de entrada. Assine e não perca as próximas edições.

One hit wonders

  • Entretenimento supera o setor automotivo em valor de marca. No ranking de 2026 da Interbrand, o segmento passou à segunda posição entre os mais valiosos. Juntas, as cem marcas da lista somam US$ 3,866 trilhões, alta de 8,1%. O YouTube aparece em décimo lugar, avaliado em US$ 58,9 bilhões (+21,7%); a Disney em 21º, com US$ 40,4 bilhões (-2,4%); a Netflix em 23º, com US$ 34,1 bilhões (+21,7%); e o Spotify em 39º, com US$ 20,5 bilhões (+37,8%).

  • GTA 6 poderá ser baixado uma semana antes do lançamento. Quem adquiriu o game na pré-venda poderá baixar o arquivo a partir de 12/11 – que, de acordo com rumores, teria enormes 210 GB no PS5. Não haverá disco físico. O acesso será liberado apenas no lançamento, em 19/11.

Quando o ato de comprar vira entretenimento

Talvez você não tenha percebido, mas, cada vez mais, o varejo virou entretenimento. Tanto o físico quanto o online. Para entender esse movimento, vamos voltar alguns anos no tempo.

No começo dos anos 2010, a Best Buy, gigante americana dos eletrônicos e eletrodomésticos, vivia uma crise. O grupo tinha mais de 4 mil pontos de venda em 14 países, entre lojas de eletrônicos e redes especializadas em telefonia. A empresa sofria com a competição da Amazon – com seus preços agressivos – e com problemas operacionais. A sua principal concorrente, a Circuit City, havia falido em 2008, encerrando as operações em 2009.

Um dos principais sintomas desse momento ganhou até um nome: showrooming. Era o hábito de as pessoas entrarem em uma das grandes lojas físicas, conhecerem os produtos, testarem, conversarem com os vendedores e, depois, comprarem na Amazon por um preço menor. Ou seja, a varejista arcava com os custos da loja, do estoque e do atendimento, mas outra empresa ficava com a venda.

Em 2012, o francês Hubert Joly assumiu o cargo de CEO. Ele foi a campo para entender o que estava ocorrendo e, a partir disso, traçou um plano estratégico. Hoje, o que ele fez é case em Harvard.

Entre as medidas estavam a política de cobrir os preços da Amazon e dos concorrentes, transformar as lojas em pontos de distribuição, melhorar o e-commerce e muito mais. Porém, aqui, eu volto a atenção para uma medida em específico.

Joly percebeu, já naquela época, a força da experiência presencial. Ele sabia que o showrooming tinha a sua importância: permitia ao consumidor conhecer e experimentar o produto antes de comprar, algo que uma loja online nunca teria. E isso tem valor para os fabricantes.

Por isso, o executivo mudou a relação com as marcas. Elas deixaram de ser simples fornecedoras: a Best Buy ampliou o modelo de espaços dedicados dentro das lojas, conhecidos como store-within-a-store. Os fabricantes passaram a investir nessas áreas, ajudando a financiar demonstrações, equipamentos e atendimento especializado – além, claro, de pagar pela presença física.

O modelo ganhou escala e, nessas voltas que a vida dá, em 2018, a Best Buy fechou uma parceria com a própria Amazon para comercializar televisores com Fire TV integrado, inclusive dentro do marketplace da antiga rival. Hoje, a relação com as marcas vai além do store-within-a-store: inclui espaços especiais nas gôndolas, destaques em corredores e muito mais.

O plano, somado a ações como a prestação de serviços, funcionou. Em 2017, a Best Buy encerrou o período de recuperação. No pós-pandemia, a peteca caiu um pouco, mas, atualmente, a companhia é lucrativa.

Veja, encarar o ato de fazer compras como um passeio não é novidade – os shoppings fazem isso há décadas e possuem uma grande adesão do público brasileiro. Mas, mais do que ver vitrines, comer em um restaurante e ir ao cinema, a Best Buy começou a faturar com o ato de ver, testar e conversar sobre o que está na prateleira.

A Galeria Magalu reúne eletrônicos, livros, produtos licenciados e espaços de experiências e publicidade em diferentes pavimentos, no Conjunto Nacional, em São Paulo (Foto: Olavo Martins/Divulgação/Magazine Luiza)

É aqui que entra o segundo degrau nessa escada: a Galeria Magalu, inaugurada em dezembro do ano passado no antigo espaço da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. A megaloja possui aproximadamente 4 mil m², reunindo as marcas Magazine Luiza, KaBuM!, Netshoes, Época Cosméticos e Estante Virtual.

A criação vem da percepção de que o consumidor não precisa sair de casa para comprar. Mas que ele irá, sim, a um lugar que permite ter experiências, conhecer os produtos e, sinal dos tempos, até produzir conteúdo.

A própria comunicação do lançamento fazia questão de frisar essa união entre compra, entretenimento e cultura. Tanto é que lá continua existindo o Teatro Eva Herz, agora em uma parceria com o YouTube e a produtora Aventura. São realizados também eventos com influenciadores, ativações e muito mais. É quase como uma CCXP, guardadas as devidas proporções e segmentos – e, claro, com a diferença de que funciona o ano inteiro.

O que nos leva de volta para o caso da Best Buy é que, assim como ocorreu com a empresa norte-americana, o grupo brasileiro também fecha parcerias com fabricantes para ajudar a financiar a operação. Há um espaço fixo da Intel, e Samsung, Electrolux, Sony e Disney já realizaram ações por lá.

O espaço central, inclusive, pode ser alugado pelas marcas – em acordos que podem durar até três meses.

Tem um dado que ajuda a entender a dimensão do negócio: o investimento na Galeria Magalu foi equivalente ao necessário para abrir dez lojas tradicionais da rede. Mesmo assim, a expectativa apresentada pela empresa na inauguração era recuperar todo esse valor em apenas 18 meses, somente com as receitas de publicidade. Isso sem colocar na conta – acredite! – as vendas dos produtos nas lojas.

Por um lado, chega a ser impactante ver um lugar como a antiga Livraria Cultura convertido em uma grande loja cheia de telas de LED e com forte apelo ao consumo. Por outro, dá uma pista sobre como o entretenimento na sociedade está mudando.

E esse movimento vale para o e-commerce, também. Se você é antenado, já percebeu que o varejo online mudou. Gigantes asiáticas como Shein, Temu e Shopee apostam não só em uma enorme oferta de produtos de baixo valor unitário, mas também em formatos que instigam o consumidor a colocar cada vez mais itens no carrinho. São promoções, gatilhos, roletas que, às vezes, parecem mais uma bet do que uma loja.

Mesmo os sites e apps mais tradicionais estão adotando algumas das mesmas práticas. Isso inclui não só grandes promoções mensais, mas também um jogo com muitos cupons que expiram rapidamente – incentivando a busca pelo próximo desconto e a compra por impulso.

Até o ato de esperar a encomenda chegar virou ativador de dopamina. O prazer associado à compra chegou a um ponto curioso: já existem serviços que reproduzem essa experiência sem que ninguém precise gastar dinheiro. Na Coreia do Sul, surgiu o FoodNeverComes – um aplicativo em que você escolhe o que vai comer, monta o carrinho, “paga” e “acompanha” o entregador. Esses dois últimos estágios são fictícios: a ideia é apenas ter a sensação psicológica do consumo. O conceito virou tendência, dando origem a outros “sites de dopamina” do gênero.

Tudo isso pode nos levar a diversas análises. A maior, talvez, é que em uma sociedade capitalista-consumista, o próprio ato de comprar precisa ser transformado em algo lúdico para seguir crescendo.

Mas, mais do que isso, a indústria do entretenimento como um todo precisa entender que ter o cinema em um shopping não é mais o único papel dela junto do varejo. Isso cria uma relação simbiótica, em que os dois podem andar juntos – mas também concorrem pelo mesmo bolso e tempo.

Afinal, o público pode simplesmente trocar um filme ou série na Netflix ou Disney+ pelo iFood ou pela Shopee. O cinema, pelo passeio na Galeria Magalu. A cultura, pela compra.

Aspas no Quadro

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“Um parque de diversões das marcas.”

Frederico Trajano, CEO da Magazine Luiza, sobre a Galeria Magalu em entrevista para a Folha de S.Paulo

Outros destaques em Quadro

💵 Money. A Alphabet, controladora do Google, informa que já são mais de 150 milhões de assinantes em todo o mundo para YouTube Music e Premium, incluindo períodos de teste. Os dados fazem parte do balanço financeiro do conglomerado do terceiro trimestre de 2026, divulgado nesta quarta-feira, 28. A receita total do grupo avançou 25%, para US$ 127,6 bilhões, mas ficou ligeiramente abaixo da expectativa do mercado. Além disso, a Alphabet investiu US$ 51,4 bilhões em capex (investimentos em ativos de longo prazo) no terceiro trimestre, mais que o dobro do valor de um ano antes e acima dos US$ 44,9 bilhões do trimestre anterior. Isso levou o fluxo de caixa livre a US$ 9,1 bilhões negativos. É, em grande parte, o impacto do enorme investimento em infraestrutura para a IA.

Falando especificamente do YouTube, o serviço teve um crescimento na receita publicitária, chegando a US$ 11,21 bilhões. No ano, até setembro, são US$ 32,15 bilhões – quase 11% a mais que no mesmo período de 2025. Ainda assim, o aumento da renda com anúncios desacelerou de 13% no segundo trimestre para 9,2% no terceiro. Nisso, um detalhe chama a atenção: mais de um terço do faturamento com anúncios veio do consumo na sala de estar, incluindo TVs conectadas. Isso representa mais de US$ 3,7 bilhões no trimestre, calculados a partir do relatório divulgado. Na divisão que reúne assinaturas, plataformas e dispositivos – incluindo também YouTube TV, Google One e outros serviços –, a Alphabet arrecadou US$ 14,29 bilhões, um incremento de 11%.

Todos esses números trazem leituras diferentes, ainda que complementares. A primeira é que a plataforma de vídeos ganha cada vez mais força ao combinar o papel de programador, distribuidor, vendedor de assinaturas e de publicidade. Por outro lado, o papel de gerador de caixa em uma companhia pressionada pelos gastos com IA pode pressionar o YouTube a rentabilizar mais e mais a partir de sua base.

💰 Money Money. Outro balanço, divulgado ontem (29), é o da Amazon. A companhia informa que fechou o terceiro trimestre com US$ 201,9 bilhões de receita, alta de 12%, e US$ 28,1 bilhões de lucro operacional, ante US$ 17,4 bilhões. O lucro líquido recuou ligeiramente, para US$ 20,7 bilhões, porque a comparação de 2025 incluía US$ 9,5 bilhões em ganhos antes de impostos ligados à Anthropic. O fluxo de caixa livre acumulado em 12 meses foi negativo em US$ 42,4 bilhões, também pressionado pelo investimento em infraestrutura de IA. A companhia prevê US$ 220 bilhões de capex em 2026 e investimento ainda maior em 2027. Ainda no after-market de quinta, as ações da empresa chegaram a cair 9% na bolsa.

Nisso tudo, tem o Prime Video. A Amazon não divulgou resultados financeiros detalhados da plataforma, que segue “enterrada” nos números de um conglomerado que vende de tudo – de papel higiênico a serviços de hospedagem. O CEO Andy Jassy falou aos investidores apenas que o serviço é lucrativo por conta própria e que, no ritmo atual, tem receita de “dezenas de bilhões de dólares” por ano. A empresa também atribuiu 66 milhões de “viewers” à quarta temporada de Reacher nos primeiros 28 dias.

A publicidade – um dos grandes focos do streaming de vídeo, mas não o único – somou US$ 19,6 bilhões considerando toda a Amazon, alta de 12% sem o efeito cambial, desacelerando fortemente em relação aos 26% do trimestre anterior. Parte disso se explica pela mudança do Prime Day para o segundo trimestre. Já o Amazon MGM Studios ultrapassou US$ 1,2 bilhão em bilheteria mundial – número que, vale lembrar, corresponde à venda bruta de ingressos, não receita líquida ou lucro.

🍿 Always sunny. Cinco Anos, Quatro Meses, dos colombianos Esteban Hoyos García e Juan Miguel Gelacio, recebeu o Troféu Bandeira Paulista de melhor ficção da Competição Novos Diretores da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O júri escolheu O Beija-Flor Pinta Canções Perfumadas, de Matteo Norzi e Èlia Gasull Balada, como melhor documentário, enquanto Edward Said: Entre Mundos, de Maiken Baird, recebeu o prêmio especial. Fernanda Tovar foi premiada pela direção de Chicas Tristes, também eleito o melhor filme internacional pelo júri da crítica. Entre os brasileiros, a crítica escolheu Pequenas Tragédias, de Daniel Nolasco.

Na eleição do público, Fernanda, de Pedro Waddington, ganhou como documentário brasileiro. Feito Pipa, de Allan Deberton, e 100 Dias, cinebiografia de Amyr Klink assinada por Carlos Saldanha, empataram entre as ficções brasileiras. O Beija-Flor Pinta Canções Perfumadas repetiu a vitória entre os documentários internacionais, enquanto O Sentido da Vida, de Ryūsuke Hamaguchi, foi escolhido como melhor ficção internacional.

Nos prêmios paralelos, Talismã, de Thais Fujinaga, recebeu o Prêmio Netflix e será licenciado pelo streaming para exibição em 190 países. A Professora de Francês, de Ricardo Alves Jr., ficou com o Prêmio Projeto Paradiso, destinado a apoiar seu lançamento comercial nos cinemas brasileiros. O Julgamento de Hein, de Kai Stänicke, venceu o Prêmio Brada de direção de arte. O Prisma Queer premiou Eu Planto Minha Mão no Jardim, de Boris Hadžija e Hoda Taheri, como melhor filme internacional; London, de Victor Di Marco e Márcio Picoli, como melhor brasileiro; e concedeu o prêmio especial do júri a A Paixão Segundo G.H.B., de Gustavo Vinagre e Viva Couto. A Mostra ainda entregou o Prêmio Humanidade a Marco Bechis e o Prêmio Leon Cakoff a James Gray, Paulo Branco e S.S. Rajamouli.

Cena de Cinco Anos, Quatro Meses, produção colombiana que conquistou o principal prêmio de ficção da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Divulgação/Patra Spanou)

💸 In the rich man's world. A Binance sofreu um ataque hacker que desviou cerca de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas, dos quais aproximadamente US$ 3 bilhões foram congelados. E isso é sobre entretenimento, também. Primeiro, a notícia: de acordo com a investigação inicial da corretora de criptomoedas, o comprometimento do laptop de um engenheiro de DevOps pode ter permitido as retiradas não autorizadas. A Reuters e firmas de análise atribuem o ataque, com diferentes graus de confiança, ao grupo norte-coreano TraderTraitor. A Binance prometeu cobrir as perdas dos clientes. O caso ainda vai dar muito pano pra manga.

O ponto aqui é que o incidente justifica uma revisão de controles nas media techs que usam blockchain – tecnologia que vem sendo empregada em soluções práticas como split payments e micropagamentos. Onde estão as chaves privadas? Quem pode assinar ou alterar destinos? Quais são os limites e quem está nas listas de permissão? O alerta não é “abandonar blockchain”, mas impedir que a eficiência de liquidação venha acompanhada de um ponto único de comprometimento – algo que pode custar muito caro para uma empresa que tem a tecnologia como suporte, e não como o seu principal negócio.

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Tão falando por aí...

  • Branded entertainment vai além da inserção de produto, com financiamento e propriedade intelectual. Em sua coluna no UOL, Aline Sordili apresentou o Izu Master Roll, reality culinário criado pela rede goiana Izu Japanese Food, como um caso brasileiro: as receitas vencedoras ficaram disponíveis no delivery, enquanto o programa serviu também para branding, venda e prospecção de franqueados. Aline também traz outros modelos de negócio e formatos, incluindo o do Eisenbahn Mestre Cervejeiro – que foi para o Multishow e até para a TV Globo, em versão reduzida. É uma alternativa para viabilizar projetos, gerar empregos e criar oportunidades para as marcas fora dos modelos tradicionais, como testemunhais e product placements – e que tem também relação com o tema principal da edição de hoje.

  • Mercado Ads transforma microdrama em unidade de mídia e comércio. Mais uma notícia que tem ligação com a convergência entre entretenimento e consumo: o braço publicitário do Mercado Livre e a Dako lançaram Engaja, Marina!, produção de 40 episódios de 90 segundos distribuída pelo Mercado Play. Produtos exibidos na trama são acompanhados de anúncios que levam à loja oficial da marca. A campanha combina a série, anúncios programáticos e dados de consumo da base de mais de 131 milhões de usuários do market place (via PropMark).

  • A nova Skydance já tem a primeira estrutura operacional de televisão depois da fusão. As mais de 50 marcas de TV paga da Paramount e da Warner Bros. Discovery passarão a ter um comando unificado, sob Channing Dungey, embora a integração das operações ainda esteja em planejamento. Na produção, Warner Bros. Television Group, CBS Studios e Paramount Television Studios seguem com operações separadas e suas respectivas lideranças. No esporte, CBS Sports, TNT Sports e WBD Sports estarão reunidos no guarda-chuva de David Berson, concentrando direitos como NFL, UEFA Champions League e muitos outros. No streaming direto ao consumidor, JB Perrette, que veio da WBD, responde pelos negócios, enquanto Casey Bloys fica com o conteúdo. Resumindo: os estúdios continuam separados, mas o comando dos canais pagos e dos esportes já está sendo centralizado. (via Variety)

  • Audiência eleitoral mostra avanço de YouTube e FAST no Brasil. Alguns grupos de mídia divulgaram balanços próprios sobre a cobertura do segundo turno. A CNN Brasil reportou pico de 1,43 milhão de espectadores simultâneos no serviço do Google, 35% acima da apuração de 2022. A Band informou pico conjunto de 1,8 milhão de usuários simultâneos nos canais de jornalismo e rádio na mesma plataforma, além de 41,8 milhões de visualizações ao longo do domingo. O UOL afirmou ter alcançado 135,9 milhões de visualizações no YouTube na categoria Notícias e Política entre 19 e 25 de outubro, com base na Playboard. Nos canais lineares FAST, a BandNews FM atingiu um público estimado de 5,1 milhões de pessoas, enquanto a Rádio Bandeirantes totalizou mais de 1,1 milhão. Já a CNN afirmou ter alcançado 1,9 milhão de dispositivos na Samsung TV Plus, enquanto na LG Channels foram mais de 303 mil, alta de 16%. Os dados possuem fontes e réguas diferentes, o que impede uma comparação direta ou soma, mas ajudam a dimensionar o peso dessas plataformas na distribuição do telejornalismo. (com M&M)

  • A Disney vai demitir 159 funcionários no campus da Imagineering, em Glendale, segundo documento apresentado às autoridades da Califórnia. Os desligamentos estão previstos para 29 de dezembro. A justificativa dada por uma fonte do LA Times foi a reavaliação de projetos, cronogramas e prioridades de investimento. A companhia não comentou oficialmente. Os cortes atingem justamente a estrutura que concebe parques, atrações, resorts, cruzeiros e entretenimento ao vivo, em um momento em que a empresa diz ter um volume recorde de projetos em desenvolvimento.

  • Kathleen Kennedy, ex-presidente da Lucasfilm, assumiu a chefia de cerimônias e conteúdo dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Los Angeles em 2028. Peter Rice continuará como produtor executivo mesmo após assumir o conteúdo da Netflix. Ben Winston, vencedor de 13 Emmys, será produtor executivo e diretor criativo. A produção ficará com a FulFive, joint venture entre a Fulwell Entertainment, de Winston, e a FiveCurrents. Com isso, as cerimônias devem se tornar uma megaprodução com selo de Hollywood – vendendo mais uma vez a indústria de lá para o resto do mundo. (via LA28)

  • A RedBird Capital e a Sound Ventures anunciaram uma parceria de US$ 1 bilhão para investir em plataformas na interseção entre tecnologia, mídia e cultura. A primeira fornecerá capital institucional, experiência operacional e sua estrutura de IA, RedBird X. Já a segunda traz acesso a fundadores e histórico de investimentos em empresas como OpenAI, Anthropic e Spotify. O acordo amplia a atuação da RedBird além de seus investimentos diretos em negócios de entretenimento já estabelecidos. O portfólio inclui Artists Equity e, mais recentemente, o controle da Puck. A gestora também está entre os investidores da Skydance. (via The Wrap)

  • O Google lançou no Brasil os Perfis na Pesquisa, páginas compartilháveis que agregam artigos, vídeos, sites e posts sociais de criadores, veículos e organizações. O recurso também pode criar ou atualizar o Painel de Informações exibido nas buscas pelo nome do autor, incorporando avatar, biografia, perfis sociais, posts recentes, conteúdos fixados e um resumo gerado por IA. Seguidores do perfil passam a ter mais chances – não garantia – de receber no Discover conteúdos vinculados às redes sociais, serviços de vídeo e ao site do publisher. A elegibilidade começa em 10 mil seguidores em uma única plataforma compatível. Na prática, a big tech quer aproveitar a atenção cada vez maior aos creators e produtores da web, enquanto procura trazer para dentro do buscador a relação de “seguir” que hoje acontece nas outras redes. Para quem produz conteúdo, não deixa de ser mais uma forma de ampliar alcance e distribuição. (via Google)

  • Tubi e TikTok selecionam 12 creators para desenvolver dez séries exclusivas. A parceria, que prevê a produção de conteúdo original para o Tubi, foi anunciada ainda em março. Agora, temos os selecionados – em uma lista que inclui produções roteirizadas e não roteirizadas de animação, terror, reality e conteúdo voltado ao público jovem adulto. O TikTok ajudou a identificar os creators e deverá promover os programas por meio de seu produto Spotlight. Já o Tubi, que é uma plataforma de vídeo gratuita, oferece suporte para transformar formatos e personalidades de vídeos curtos em séries longas. O streaming afirma que esse é seu maior investimento até agora em programação original feita com creators. Até agora, não foram divulgados orçamentos, calendário de produção, divisão de receitas ou datas de estreia.

  • O impacto da IA no esporte ao vivo vai além das transmissões. Para Gustavo Poli, ex-Globo, em uma nova coluna no Substack, os agentes de inteligência artificial podem passar a conectar, de um lado, o desejo do torcedor e, do outro, toda a cadeia capaz de atendê-lo: clubes, ligas, plataformas, lojas, bilheterias, marcas e serviços. Em vez de procurar onde assistir, comparar assinaturas ou abrir diferentes aplicativos para comprar ingresso, camisa ou viagem, o usuário apenas manifesta sua intenção. O agente faz as pontas se encontrarem. Isso transforma a disputa pelo controle da interface. Quem controla o agente não oferece apenas conveniência: decide quais fornecedores consulta, quais ofertas apresenta e para onde conduz cada transação. Também acumula contexto sobre o usuário e pode favorecer parceiros, produtos ou serviços de seu próprio ecossistema. O comércio de atenção começa a dar lugar ao comércio de intenção. Você já está de olho nesse próximo passo?

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